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Do azedume às contas do passado. Críticos internos atacam Rio

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João Relvas / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

Depois de Rui Rio ter anunciado esta segunda-feira que se recandidata à liderança do PSD, os críticos internos vieram a público. Acusam-no de querer dividir o partido e ajustar contas com o passado e esperam que os dois próximos meses até às eleições diretas não sirvam apenas de palco para discutir egos.

Os sociais democratas Pedro Duarte, que apoia Luís Montenegro na corrida pela cadeira de Rui Rio, e Nuno Freitas, que se alia a Miguel Pinto Luz, reagiram esta terça-feira ao anúncio do líder do PSD de igual forma e até escolheram o mesmo adjetivo: a recandidatura de Rui Rio é “saudável” para a vida política do PSD e do país.

Apesar de verem com bons olhos a candidatura de Rio, as críticas de ambos não tardaram a chegar. Pedro Duarte, em declarações transmitidas pela SIC Notícias, diz que há muito por onde se discutir no PSD, desejando que o debate até às eleições diretas não se fique apenas por uma discussão de egos.

“Há muita matéria para discutir dentro do PSD. Deus queira que não seja só uma discussão sobre egos e mais ou menos messiânica: basta trocar X por Y e tudo fica bem. Não é verdade. Hoje, felizmente, o mundo é mais complexo, as sociedades contemporâneas são complexas e, portanto, precisamos de equipas, novas competências, trazer alguns temas para cima da mesa. Dois meses para discutir isso é ótimo”, afirmou Pedro Duarte, que apoia a candidatura do antigo líder parlamentar de Passos Coelho.

Também Nuno Freitas, reagindo ao anúncio de Rio, estendeu-lhe duras críticas, acusando-o mesmo de querer, de alguma forma, ajustar contas com o passado.

“[Rui Rio] afirmou de forma relativamente inequívoca que de facto tinha uma parte do PSD de que gostava, que é aquela parte do PSD que basicamente concorda com ele, com o seu pensamento, e tem uma parte e do PSD de que não gosta manifestamente, que tem a ver com aqueles que de facto discordam da sua linha de pensamento (…) Isso é, evidentemente, uma vontade de, de alguma maneira, segregar e separar águas dentro do PSD até ajustando algumas contas com o passado recente”.

Também Hugo Soares, que apoia Montenegro, falou à TSF sobre o anúncio de Rio.

“Foi um discurso com bastante azedume, virado para dentro, fazendo dos militantes do PSD o seu principal adversário. Parece-me que há uma perversidade no discurso de Rui Rio, porque acusa os outros daquilo que é a sua prática. Demonstra claramente que Rui Rio não aprendeu com os erros do passado e continua a acreditar que o PSD é um partido pequeno, de fação, e não um partido unido, agregador e plural, como sempre foi”.

Dos adversários diretos de Rui Rio, isto é, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, que já apresentaram oficialmente a sua candidatura à liderança do PSD, nada se ouviu.

No discurso de Rio, proferido esta segunda-feira num hotel do Porto, o líder do PSD disse que se recandidatava pelo pelo futuro do partido, de forma a que o PSD evite “uma ideologia vazia ou um perfil eminentemente liberal”.

Carlos Moedas fora da corrida

Entretanto, Carlos Moedas assumiu esta terça-feira que vai estar “um tempo fora da política ativa” quando deixar de ser comissário europeu, descartando assim uma eventual candidatura à liderança do PSD. “Neste momento, acabarei de ser comissário e depois vou ter realmente um tempo fora da política ativa e esse tempo será a servir as pessoas”, disse em Estrasburgo, França, citado pela agência Lusa.

“Esse cenário [de candidatura] não está aqui posto. Mais importante do que as pessoas são as instituições e aquilo que realmente me importa é o meu partido e aquilo que o PSD representa. Vou sempre lutar, como militante de base, pelo PSD que é um dos partidos mais importantes da democracia portuguesa”, disse Carlos Moedas, comissário europeu e antigo secretário de Estado adjunto no Governo de Passos Coelho.

Carlos Moedas também não quis pronunciar-se sobre os candidatos à liderança do seu partido, por considerar que “é muito cedo” para o fazer.

  SA, ZAP //

2 Comments

  1. Dou razão ao senhor Pedro Duarte quando diz que “Hoje, felizmente, o mundo é mais complexo, as sociedades contemporâneas são complexas e, portanto, precisamos de equipas, novas competências, mas eu acrescento mais é preciso pessoas com ideias para o nosso futuro e como as poder pôr m em prática, só criticar porque tem de se criticar é curto e não trás nada para o nosso futuro, há que dar lugar aos mais novos com outras ideias, as dos actuais políticos já estão ultrapassadas, os portugueses precisam de políticos com ideias e como as pôr em prática, já não ligam á política do lavar de roupa suja.

    • E ter umas aulas de língua portuguesa?! “trás”… o que raio é isso?! “á” ?!!!

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