Covid-19. China confirma tendência de queda de novos casos

As autoridades chinesas de saúde contabilizaram 5.090 novos casos de infeções por Covid-19 esta quinta-feira, elevando o número total para 63.851 casos na China continental.

A Comissão Nacional de Saúde acrescentou que foram registadas 121 novas mortes, o que eleva para 1.380 o número de óbitos relacionados com o coronavírus no território continental.

Excluindo a província de Hubei, o epicentro da epidemia, onde no dia anterior se tinham registado quase 10 vezes mais casos e mais do dobro das mortes em 24 horas, esta quinta-feira foi o décimo dia consecutivo em que caiu o número de novos casos confirmados no país.

A alteração dos critérios na avaliação de novos casos provocou um sobressalto geral quando foram revelados os súbitos aumentos naquela província central da China. Os novos critérios de diagnóstico, que só estão a ser usados em Hubei, dão aos médicos maior discricionariedade para determinar que pacientes estão infetados.

Novos números não representam aumento do surto

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças afirmou esta sexta-feira que, apesar do aumento do número casos de Covid-19, devido ao novo método de contagem chinês, tal “não significa que a epidemia esteja a aumentar”.

“As autoridades chinesas confirmaram que mudaram o método como os casos estão a ser contabilizados, incluindo agora todos os casos suspeitos com diagnóstico clínico de pneumonia, o que significa que estes novos casos não foram necessariamente confirmados em laboratório como tendo Covid-19”, indica o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês) numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

De acordo com este centro, que faz a monitorização do Covid-19 na Europa, “apesar da mudança, não se pode comparar o número de casos relatados até agora com este novo número e isso não significa necessariamente que a epidemia esteja a aumentar na China”.

Na resposta enviada à Lusa, o ECDC explica que, “para casos na Europa, a atual definição de caso não tem em consideração os casos suspeitos”. “Um caso confirmado é uma pessoa com confirmação laboratorial da infeção com Covid-19, independentemente dos sinais e sintomas clínicos”, clarifica esta entidade.

Segundo o ECDC, existem, neste momento, 35 casos confirmados na União Europeia: 16 na Alemanha, 11 em França, três em Itália, dois em Espanha e um na Bélgica, na Finlândia e na Suécia. A estes acrescem, na Europa, nove casos no Reino Unido. Por isso, o ECDC considera que, “atualmente, o risco de infeção por SARS-CoV-2 para a população da UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido é baixo”.

Franceses repatriados de Wuhan saem de quarentena

Um total de 181 repatriados franceses, os primeiros a regressar da cidade chinesa de Wuhan, abandonaram esta seta-feira o centro de quarentena em Marselha, no sul de França, onde estiveram confinados desde 31 de janeiro. Todos receberam um “certificado de não contagiosidade”, disse uma fonte da Cruz Vermelha à agência de notícias France-Presse.

Na sexta-feira, às 6h30 (5h30 em Lisboa), as primeiras pessoas confinadas, e que regressaram de Whuan, foram conduzidas pela Cruz Vermelha através da câmara de saída do centro de contenção, uma grande tenda branca onde tiraram a máscara e lavaram as mãos com gel desinfetante.

Todos poderão retomar as suas vidas normalmente, pela primeira vez desde a partida de Wuhan, na China central: entre esses repatriados, as autoridades não relataram qualquer contaminação pelo novo coronavírus.

Permanecem ainda em quarentena 44 pessoas confinadas no mesmo centro de férias e 113 outras em Aix-en-Provence, na mesma região. Todos regressaram a França com vários voos especiais vindos de Whuan, cidade epicentro do surto Covid-19.

Companhias aéreas podem perder 4,6 mil milhões

A Organização Internacional da Aviação Civil estima que as companhias aéreas podem perder cinco mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) em receita operacional bruta no primeiro trimestre devido ao surto do novo coronavírus.

A cerca de um mês e meio de terminar o primeiro trimestre do ano, a Organização Internacional da Aviação Civil (na sigla em inglês, ICAO) prevê que, até março, vai haver “uma redução de 6,4 a 19,6 milhões de passageiros em comparação com o que as companhias aéreas haviam projetado”.

“Isso equivale a uma redução potencial de quatro mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) a cinco mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) na receita operacional bruta para as companhias aéreas em todo o mundo”, indicou a ICAO, em comunicado divulgado na quinta-feira.

Antes do surto do novo coronavírus, designado Covid-19, explicou a ICAO, as companhias aéreas pretendiam aumentar a capacidade em 9% nas rotas internacionais de e para a China, dos três primeiros meses do ano.

Um cenário agora bem diferente do projetado: “cerca de 70 companhias aéreas cancelaram todos os voos internacionais de e para a China continental e outras 50 companhias aéreas reduziram as operações aéreas”, lê-se na mesma nota.

Os cancelamentos dos voos resultaram numa redução de 80% na capacidade aérea estrangeira para viajantes de e para a China e uma redução de 40% na capacidade aérea para companhias aéreas chinesas. As estimativas divulgadas pela ICAO não incluem as regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau, nem Taiwan.

O Aeroporto Internacional de Macau indicou à Lusa que registou de 1 a 9 de fevereiro uma queda no número de passageiros e de voos na ordem dos 80% e de 57%, respetivamente. Nesse período marcado pelas restrições devido ao surto do novo coronavírus chinês passaram pelo aeroporto apenas cerca de 50 mil passageiros, num território que recebe mais de três milhões de turistas mensais e que é a capital mundial do jogo.

A ICAO prevê ainda que devido a reduções nos viajantes chineses o Japão possa perder 1,29 mil milhões de dólares (1,18 mil milhões de euros) em receita turística e a Tailândia 1,15 mil milhões de dólares (1,05 mil milhões de euros).

ZAP // Lusa

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