Covid-19: 90% dos casos podem passar despercebidos. Fumadores e bombeiros correm mais riscos

Maxim Shipenkov / EPA

As pessoas que fumam e os bombeiros estão entre os que mais riscos correm no caso de contraírem o novo coronavírus. Isto devido à forte probabilidade de apresentarem problemas de saúde como doenças cardíacas e doenças crónicas nos pulmões, condições que tornam o vírus mais perigoso.

Estes dados são apontados por um estudo realizado na Austrália que está especialmente preocupada com as pessoas que inalaram muito fumo durante os incêndios de grandes dimensões que abalaram o país.

Além dos mais de 17 mil bombeiros voluntários que combaterem os recentes fogos florestais na Austrália, muitos cidadãos australianos foram obrigados a inalar ar de má qualidade devido à onda de fumo que se propagou. Ora, estas pessoas, especialmente as que ainda apresentam queixas nos pulmões, estão mais fragilizadas no caso de contraírem o Covid-19.

O alerta é feito pela professora Raina MacIntyre que lidera o departamento de Biosegurança do Instituto Kirby da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália.

“As pessoas que tiveram exacerbações de doenças pulmonares durante os incêndios e que ainda não recuperarem disso podem ser mais afectadas. Os que não tinham uma doença pulmonar e recuperaram dos efeitos do fumo não devem estar em tanto risco, mas não temos pesquisas ou dados para estar certos disto”, salienta a especialista em declarações ao jornal Daily Mail Australia.

O professor de Medicina na Universidade Nacional da Austrália (ANU na sigla original em Inglês), Sanjaya Senanayake, também alerta que, embora não haja um elo directo entre o acto de fumar e a maior gravidade da infecção por Covid-19, fumar agrava outras condições que tornam o vírus mais grave.

“Fumar está associado a outras doenças, como as doenças crónicas pulmonares e cardíacas, que estão associadas com as doenças mais graves e os piores resultados do coronavírus”, destaca Senanayake também no Daily Mail Australia.

É sempre uma boa altura para deixar de fumar“, acrescenta o professor.

Transmissão pode ocorrer sem sintomas do vírus

Estudos têm demonstrado que as crianças têm menores probabilidades de sofrer complicações se forem infectadas com os coronavírus, não apenas com o Covid-19. Isto porque os seus pulmões jovens ainda não sofreram danos causados pela poluição e, por consequência, há menores probabilidades de terem condições de saúde que compliquem o quadro, como diabetes e doença pulmonar obstrutiva crónica.

Uma análise do Instituto Kirby redigida por Raina MacIntyre concluiu que há uma “importante diferença na transmissão” entre o Covid-19 e o SARS (Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 ou CoV-2) que abalou o mundo em 2003. É que, no no caso do novo vírus, “a transmissão substancial é possível com sintomas leves ou sem sintomas”.

O novo coronavírus tem um quadro leve de sintomas que pode ser “longo” e durar “5-9 dias” antes de exigir atenção médica e esse período é “de risco” para a “transmissão comunitária”, aponta Raina MacIntyre.

Aliás, “o maior derramamento viral ocorre no início da doença, quando os sintomas são leves”, sublinha a especialista australiana, notando que a “transmissão assintomática” está documentada e que “a carga viral em pessoas sintomáticas e assintomáticas não é significativamente diferente”. Isto torna “o controlo muito mais desafiante do que no SARS que só era contagioso quando as pessoas estavam sintomáticas”, explica.

Deste modo, a investigadora do Instituto Kirby estima que “cerca de 90% dos casos não sejam detectáveis” por não apresentarem sintomas, a não ser que se façam análises.

“As crianças e as pessoas jovens são mais propensas a ter infecção assintomática ou leve e podem estar a contribuir para a transmissão silenciosa“, constata.

Perante este quadro, a especialista deixa o alerta de que “as fronteiras abertas na União Europeia possam permitir a transmissão contínua pela Europa” e teme que “países com sistemas de saúde mais pobres e baixa capacidade de diagnóstico podem ser susceptíveis a epidemias maiores”.

Em países mais ricos com populações envelhecidas, como EUA, Austrália, Japão e Itália, pode haver, “proporcionalmente”, “um maior impacto de mortalidade” em comparação com a China, sustenta também esta análise.

A investigadora australiana nota que na China foram reportados “80.000 casos” de doentes com Covid-19 até 25 de Fevereiro passado. “Mesmo que apenas 10% dos casos estejam a ser diagnosticados na China e que o número verdadeiro seja próximo dos 8 milhões, isto representa uma taxa de ataque muito baixa numa população de quase 1,4 mil milhões de pessoas”, repara, salientando que “isto significa que a maioria da população na China continua por infectar e susceptível à infecção”.

Deste modo, “um evento de transmissão não detectado em qualquer parte do país pode começar numa nova cadeia epidémica de transmissão“, avisa. O alerta surge numa altura em que a China tem reportado novos casos de pacientes no país que terão sido infectados em Itália.

Susana Valente SV, ZAP //

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