Covid-19 chegou à Casa Branca. Funcionários obrigados a usar máscara na Ala Oeste

Oliver Contreras / POOL / EPA

A pandemia de covid-19 chegou à Casa Branca, depois de uma assessora de Mike Pence ter acusado positivo no teste à covid-19. Alguns membros do grupo de trabalho de resposta à pandemia decidiram ficar em isolamento, outros fizeram saber que continuariam a ir trabalhar.

Mike Pence, que lidera o grupo de trabalho, decidiu isolar-s após o teste positivo da sua porta-voz, Katie Miller. De acordo com a Associated Press, o vice-presidente está voluntariamente a limitar a sua exposição e a trabalhar a partir de casa. Pence foi submetido a testes à covid-19, tendo acusado negativo.

A decisão do vice-presidente acontece depois de três membros do grupo se terem colocado em quarentena após contacto com Miller. Um desses membros é Anthony Fauci, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID), que acusou negativo. Os outros dois são Robert Redfield, diretor dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), e Stephen Hahn, comissário da Food and Drug Administration, a agência federal responsável pela proteção e promoção da saúde pública nos Estados Unidos.

Por outro lado, de acordo com o jornal norte-americano The Washington Post, funcionários da Casa Branca foram instruídos pelos seus supervisores a continuarem a ir trabalhar.

Além disso, os assessores que viajam com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e Pence não irão cumprir a quarentena de 14 dias.

Apesar de Katie Miller ser casada com Stephen Miller, um dos principais conselheiros de Trump, o Presidente já garantiu não estar preocupado e continua a não usar máscara.

“Se os seus próprios funcionários usarem máscaras, isso passa a imagem de uma situação bastante pior e mais perigosa do que ele tem retratado há semanas. E se os seus apoiantes veem esse tipo de imagens, não vão gostar. Na cabeça de Trump, fazê-lo seria uma admissão de culpa. Ele estaria a admitir que esteve errado no início e este é um Presidente que nunca reconhece um erro”, explicou o gestor de relações públicas Russell Schaffer, em declarações ao semanário Expresso.

Máscaras na Ala Oeste

Apesar de Trump não usar máscara, a Casa Branca ordenou esta segunda-feira a todos os funcionários que tenham acesso à Ala Oeste que usem sempre máscaras quando saírem dos respetivos locais de trabalho, norma cuja aplicação não está pensada para o Presidente nem para o vice-presidente.

A medida foi divulgada entre os funcionários através de um documento interno, a que tiveram acesso vários meios de comunicação.

A Ala Oeste é a parte do edifício onde está a residência presidencial, incluindo a Sala Oval, que é o gabinete de trabalho do Presidente, alguma salas de reunião e a sala da imprensa, além do espaço de trabalho dos jornalistas. A maior parte dos funcionários da Casa Branca trabalha fora da Ala Oeste, num edifício cinzento, designado Eisenhower, ao lado da histórica mansão.

A diretiva permite que os funcionários retirem a máscara quando estejam sentados às suas secretárias, sempre que consigam manter uma distância de 1,8 metros em relação a outros, o que nem sempre é possível na compacta Ala Oeste.

Esta segunda-feira, Trump admitiu a possibilidade de vir a limitar os seus contactos com Pence. Interrogado durante uma conferência de imprensa sobre medidas para limitar os seus contactos de maneira preventiva, Trump respondeu: “É uma coisa sobre a qual é provável que falemos, durante este período de quarentena”. Trump assegurou que vai falar com Pence: “Podemos falar ao telefone”.

Trump discute com jornalistas e abandona briefing

O briefing diário de segunda-feira ficou também marcado pela saída tempestiva de Donald Trump após discutir com duas jornalistas, de acordo com o Observador.

O primeiro incidente foi com Weijia Jiang, da CBS, que perguntou a Trump por que motivo está fixado em comparar a capacidade norte-americana de fazer testes à covid com a de outros países. “Essa é uma pergunta que deveria fazer à China. Não me pergunte a mim, pergunte à China.”

Trump chamou Kaitlan Collins, da CNN, enquanto a jornalista americana-asiática da CBS perguntava ao presidente por que motivo lhe estava a responder, a si especificamente, aquilo. “Respondo a quem quer que me faça uma pergunta maldosa dessas”, disse Trump.

Quando a repórter da CNN ia lançar a sua pergunta, Trump interrompeu-a e passou a vez ao jornalista seguinte, argumentando que quando lhe pediu para falar, ela não o fez.

Antes de lançar a sua pergunta, Collins esperou que Jiang respondesse ao presidente. Enquanto a jornalista tentava colocar a sua questão, Trump acabou por sair do pódio, abandonando o briefing.

Os Estados Unidos já ultrapassaram os 80 mil óbitos por infeção de covid-19, sendo o país mais afetado pela doença. Em abril, mas de 20 milhões de pessoas perderam o emprego.

ZAP // Lusa

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