Costa vai marcar congresso, já há 3 candidatos

José Sena Goulão / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa, com Carlos César (esq) e Eduardo Ferro Rodrigues (dir)

O secretário-geral socialista, António Costa, vai convocar esta terça-feira, durante a reunião da Comissão Política Nacional do PS, um congresso para definir a questão da liderança e da estratégia partidária após as eleições legislativas.

Fonte oficial do PS referiu à agência Lusa que, na reunião da Comissão Política, o Secretariado Nacional deverá optar pela marcação de eleições directas para o cargo de secretário-geral, seguidas por um congresso nacional, o órgão de direcção executivo dos socialista.

O secretariado Nacional poderá avançar também com a convocação de congressos nas federações distritais.

Embora António Costa não tivesse abordado directamente a questão da marcação do congresso do PS, deixou um sinal de que isso iria acontecer.

“Há uma coisa que todos os socialistas sabem a meu respeito desde que me inscrevi na JS aos 14 anos: Nunca sou nem nunca serei um problema para o PS. Nunca faltarei quando for preciso e nunca estarei quando estiver a mais”, afirmou.

O secretário-geral do PS assumiu a responsabilidade “pessoal” e “política” da derrota nas eleições, mas não apresentou a sua demissão do cargo e defendeu que compete à coligação PSD/CDS encontrar soluções de governabilidade.

Manifestamente, não me vou demitir”, declarou o líder socialista.

Apesar desta declaração, uma parte do PS não parece inclinada a deixar passar em branco a derrota nas eleições, e Álvaro Beleza manifestou já disponibilidade para avançar para a liderança do PS contra António Costa.

Segundo a Rádio Renascença, também Rui Prudêncio, antigo presidente da Federação Regional do Oeste do PS, admitiu avançar para a liderança do partido.

Francisco Assis, por seu lado, continua em silêncio absoluto. Segundo o jornal Público, apesar de há algum tempo estar a ser pressionado para disputar a liderança, o ex-líder da bancada parlamentar socialista não parece estar disponível para avançar contra Costa nesta altura.

Ana Gomes quer tirar consequências da derrota

A socialista Ana Gomes saudou hoje a hipótese de um congresso do PS, depois das eleições presidenciais, e notou que devem ser “retiradas consequências” da derrota sofrida nas legislativas de domingo.

“Penso que não serve a ninguém, neste momento, ter uma crise no PS, mas têm que ser retiradas consequências da derrota que o PS sofreu”, afirmou a eurodeputada, à margem da sessão do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França.

Questionada sobre uma eventual mudança na liderança do partido, Ana Gomes respondeu ser uma “questão que os socialistas terão que debater”, acrescentando que o agendamento de um congresso “vai no bom sentido”.

“A convocação de um congresso vai no bom sentido, sem que se abra de imediato um vazio na liderança” num momento em que o PS pode ter um “papel histórico” de procurar o consenso entre os países de esquerda, ou, pelo menos, na travagem das malfeitorias que a direita tem reservadas”.

Ana Gomes notou que a “maioria dos eleitores portugueses votaram claramente contra a direita da austeridade” pelo que a esquerda deve “não facilitar a vida contra a direita e não permitir que volte a aplicar novamente os programas arrasadores dos últimos anos”.

“Isso implica convergência à esquerda. Temos que quebrar o tabu de que a esquerda não pode entender-se”, disse.

A eurodeputada lembrou que a situação não depende apenas do PS, mas o seu partido deve “procurar o entendimento à esquerda porque só isso corresponde à posição da maioria dos votantes e que votou contra a direita austeritária”.

Caso falhe o entendimento, o PS deve, segundo Ana Gomes, “de forma muito inteligente, impedir que o tempo que a direita poder voltar estar no poder não se traduza em mais malfeitorias”.

Costa reúne apoios

Apesar dos resultados eleitorais, alguns dirigentes socialistas não tardaram a vir a público manifestar o seu apoio ao líder.

Entre estes, o  histórico socialista, Manuel Alegre, que afirmou que o PS não implodiu, “teve um resultado honroso, não é para cantar vitória, mas o PS mantém-se como a principal força de esquerda e como uma referência fundamental da democracia”.

Não vamos tentar destruir esse capital político do PS, que tem agora um líder que se adapta a essa circunstância. É fundamental que António Costa se mantenha firme à frente do PS”, concluiu Alegre.

O deputado José Lello, por seu lado, defende que o PS negoceie “qualquer tipo de acordo com a coligação”.

Lello, um dos deputados da ala mais próxima de José Sócrates, considera que o caminho correcto é “qualquer tipo de acordo entre o PS e a coligação. Tem de haver”.

José Lello deixou críticas à posição de Jerónimo de Sousa, que defendeu que é possível um governo de esquerda.

“Esta posição louca da CDU que agora quer ser governo com o PS… na campanha não queriam, quando foi o Orçamento Limiano também não quiseram“, recorda o euro-deputado, em declarações ao Jornal de Negócios.

ZAP / Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Soaristas, alegristas, eanistas, santistas,constancionistas, sapaistas, guterristas, rodriguistas, socratistas, costistas e sem vaga de fundo galambista… É pena que António Barreto e outros se tenham desviado destes grupos de “esqª elitizada e de oportunistas… Porque as bases perderam referências.

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