Lisboa e Porto voltam aos níveis de risco mais elevados. Costa pressionado a endurecer regras

António Cotrim / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, após ter falado aos jornalistas no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministrosta

O aumento de casos e a pressão política estão a pressionar António Costa a endurecer as medidas de combate à pandemia. Portugal bateu hoje o recorde diário de novos casos.

O prolongamento do estado de emergência visava manter as mesmas regras que até agora têm vigorado durante mais uma semana. No entanto, com o aumento de casos diários verificado esta quarta-feira, o Governo vê-se pressionado a endurecer as medidas de controlo da pandemia de covid-19.

Os dados revelados no mais recente boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) mostram que Portugal registou o pior dia de sempre desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas registaram-se mais 10.027 casos e 91 mortes. Nunca antes Portugal tinha passado a barreira das dez mil infeções diárias.

Carlos Antunes, engenheiro, professor e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é um dos especialistas que oferece aconselhamento científico ao Governo no combate à pandemia de covid-19. Na sua opinião, “estamos efetivamente na terceira vaga“.

“Sem medidas drásticas, os números podem chegar a valores insuportáveis. E isto, sem ainda estarmos a considerar a entrada de uma nova variante que pode ultrapassar os 50% de aumento de contágio face à atual variante dominante”, alertou o especialista num artigo publicado esta terça-feira no jornal online Observador.

A pressão política também tem acrescido. Rui Rio, por exemplo, pede o ajustamento de algumas medidas e a melhoria da resposta do Serviço Nacional de Saúde.

“Eu acho que algumas medidas deveriam ser ajustadas. Nós temos votado a favor do estado de emergência, e continuaremos a votar por uma razão muito simples”, disse Rio, na noite de terça-feira, numa sessão online sobre os desafios de 2021, organizada pela JSD.

Uma eventual mudança nas regras, escreve o semanário Expresso, poderá acontecer já esta quinta-feira, no Conselho de Ministros. Ainda antes disso, o Governo também vai reunir com o grupo de especialistas esta tarde, depois de Marta Temido ter reunido com os responsáveis hospitalares esta manhã.

Os números do boletim epidemiológico desta quarta-feira mostram ainda que Lisboa e Porto reentraram nos níveis de risco extremamente elevado.

O Parlamento vota esta tarde o decreto presidencial do novo estado de emergência por mais uma semana, de 7 a 14 de janeiro, e depois cabe ao Governo aprovar o decreto que dá corpo às medidas que estarão em vigor neste período, esclarece o Expresso. Assim, está nas mãos de António Costa endurecer – ou não – as medidas atuais.

Daniel Costa, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Este governo continua com uma postura inaceitável face aos grupos privados de saúde. Não vacinou os seus profissionais como fez com os profissionais do SNS logo de início. Teima em não recorrer ao privado para assegurar uma resposta cabal e articulada de todos os agentes do VERDADEIRO SNS (PÚBLICO + PRIVADO). Este ano houve muitas mortes que poderiam ter sido evitadas se o Estado, por uma questão de preconceito ideológico, encarasse o SNS como a totalidade da resposta instalada em Portugal no domínio da saúde. É uma vergonha!

  2. 6 jan 2021: reportados + 1.000 (mil) e tantos casos infeção dia anterior OU 10.000 (DEZ MIL) e tantos !? !!!?
    AGRADEÇO ESCLARECIMENTO.

    J. L. O.

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