Costa de calças de ganga em Angola cria nova polémica (mas o “irritante desapareceu”)

Ampe Rogério / Lusa

António Costa em visita oficial a Angola com o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Manuel Augusto.

De calças de ganga e mocassins, foi assim que António Costa aterrou em Angola, para a primeira visita oficial ao país de um primeiro-ministro português em sete anos. Uma indumentária que está a causar polémica, por ser considerada demasiado informal e até desrespeitosa para com o anfitrião.

Depois de uma longa batalha diplomática, no seguimento do caso Manuel Vicente, António Costa foi finalmente a Angola, para a sua primeira visita oficial como primeiro-ministro. Mas o líder socialista está a ser criticado por ter aterrado no país de calças de ganga, camisa sem gravata e mocassins.

Foi com esta vestimenta considerada demasiado informal que António Costa desfilou na passadeira vermelha, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Manuel Domingos Augusto, envergando o formal fato e gravata, depois de aterrar no Aeroporto de Luanda.

A indumentária de António Costa gerou logo reacções pelas redes sociais, com vários utilizadores a vincarem a diferença para com visitas a outros países na Europa, e a notarem que o primeiro-ministro até para plantar árvores, em actos oficiais, usou fato e gravata.

Uma fonte do Governo garantiu ao Observador que a escolha de roupa de António Costa se justifica pelo facto de ter sido “uma chegada informal”, apesar da escolta da guarda militar de Angola.

Já mais tarde, em actos oficiais, António Costa surgiu de fato e gravata.

Para esta terça-feira, está reservado o encontro com o presidente de Angola, João Lourenço, no Palácio Presidencial, com honras militares.

“O ‘irritante’ desapareceu”

António Costa iniciou a visita a com uma passagem pelo Museu de História Militar, “um gesto simbólico”, como admite o primeiro-ministro em entrevista ao Jornal de Angola, quando a ex-colónia portuguesa celebra o Dia do Herói Nacional.

É “a primeira vez que um Primeiro-Ministro português” marca presença neste momento de celebração da independência de Angola e de homenagem a Agostinho Neto, o primeiro presidente do país africano e considerado o fundador da nação.

“Não faz sentido termos ficado sete anos sem ter havido uma visita de um Primeiro-Ministro luso a Angola e estarmos a aguardar, há oito anos, uma visita de um Presidente de Angola a Portugal”, constata António Costa no Jornal de Angola.

O primeiro-ministro vinca que “o irritante está ultrapassado”, depois de o processo judicial que envolve o ex-vice presidente de Angola, Manuel Vicente, ter sido transferido para a justiça angolana.

A propósito deste caso, que surgiu na sequência da decisão da justiça portuguesa de constituir como arguido Manuel Vicente, António Costa cita a tese do ministro angolano dos Negócios Estrangeiros.

“Disse-me que há males que vêm por bem e que as dificuldades que passámos este ano ajudaram muito a reforçamos a confiança mútua”, aponta Costa.

“Agora que o ‘irritante’ desapareceu, penso que Portugal e Angola têm todas as condições para que a cooperação avance de uma forma que corresponda à responsabilidade que a nossa geração tem de se centrar no futuro”, sustenta ainda o primeiro-ministro.

Nesta terça-feira, António Costa inicia o dia com uma visita ao Memorial de Agostinho Neto, onde deporá uma coroa de flores, faz uma intervenção num fórum empresarial luso-angolano e depois é recebido por João Lourenço.

“Aguardo esse encontro com uma grande expectativa”, reconhece o primeiro-ministro, frisando que “ao longo deste ano” construiu com o Presidente de Angola “uma relação de grande confiança“.

No encontro, os dois lideres vão assinar vários acordos bilaterais que representam “um novo impulso nas relações entre os dois países”, frisa Costa.

“Vamos assinar o Acordo Estratégico de Cooperação (2018/2022) e um conjunto de documentos importantes do ponto de vista económico para reforçar a confiança aos investidores angolanos em Portugal, e aos portugueses em Angola”, revela o primeiro-ministro.

“Vamos também fechar uma convenção para acabar com a dupla tributação, um acordo para o alargamento de mil para 1.500 milhões de euros da linha de crédito às exportações e um novo acordo aéreo para aumentar as ligações aéreas entre os dois países”, destaca ainda o líder do executivo português.

Antes de regressar a Lisboa, o primeiro-ministro desloca-se à Assembleia Nacional de Angola, visita a empresa Angonabeiro (do Grupo Delta) e a obra do Instituto Hematológico Pediátrico, construção que está a cargo da Mota-Engil e que envolve cerca de 38 milhões de dólares norte-americanos.

SV, ZAP // Lusa

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20 COMENTÁRIOS

  1. Será que este povinho nada tem a fazer senão comentar o vestuário de um politico ?
    Será que os mesmos que o fazem também reclamam dos deputados do BE ou do presidente da Rep. aparecer
    a público a mostrar o pelo do peito e de calçoes ?
    Mas que gentinha esta ! Se ainda comentassem que o Luis Goucha se tinha vestido a executivo sério !!!
    Deixem-se de coisas ! O homem veste-se como bem entender e não é vergonha alguma ir de ganga e de mocassins. Será que algum dos comentadores já esteve em Angola e sabe como é o clima ? Eu sei ! Vivi lá 14 anos. Tenho dito !

  2. Perfeitamente normal, um país pobre não se deve dar a luxos, não somos angola.
    Se eu lá fosse também não teria muito mais para vestir, umas jeans do chinês é o que tenho para vestir.
    Pobre povo!

  3. Escolher o dia do herói nacional para eles para visita do um primeiro-ministro português ao país parece em nada ter sido uma escolha feliz para nós portugueses, diríamos um pouco irritante, talvez uma infantilidade da política portuguesa para não lhe chamar coisa pior.

  4. Num pais onde se critica o Sr. Dr formado em serviço social…, Os engravatados que vão ao banco e saem de lá com “guito” para pagar dívidas e créditos não tendo onde cair mortos, entre outros filmes, agora ficam muito chocados porque o 1º ministro chega com roupa informal a Angola embora vá aos eventos oficiais de fato e gravata. À gente que não tem o que fazer e vive à custa da sua própria hipocrisia. O que me preocupa é que cada vez são mais.

    • “Sr. Dr. formado em” Nós portugueses somos conhecidos em muitos países por país dos dr(s) e das reuniões! Como português e bem conhecedor do nosso país, o qual acho maravilhoso. mas creio que nós temos os políticos que merecemos. Somos um país com uma cultura geral pouco recomendável, por isso não admira que estejam assim tão preocupados com a aparência! Quantos se preocuparam pelo facto do 1º Ministro, (creio que é ateu) dos sapos que engoliu aquando da visita do papa?
      E o Sr. Presidente da republica que faz um apelo ao catolicismo descarado! Alguém o critica por isso? Até se esquece que jurou um Constituição laica (pelos vistos laica de nome”. O que quero dizer com isto: 1ª visita oficial com o dinheiro dos portugueses, foi ao vaticino, porque foi o primeiro a a reconhecer a independência de Portugal, mas não explicou qual foi a vassalagem, que Portugal nessa época concedeu ao papa? Milagre só acredita o de fátima! Será que ele acredita? As esquerdas têm que ser mais católicas! Debaixo da sua carapaça dos afectos, (embora muito recomendáveis) não quererá interessado que os portugueses continuem a viver na ignorância das crendices e dos milagres?

  5. O desespero de uma oposição medíocre dá para isto, quando não há factos, inventam-se e tudo serve para atacar, como se um macoco vestido de seda deixasse ser macaco. Vejam bem a líder do CDS, até tem um consultor de imagem, ainda assim, cada vez mais se parece com a – Miss Piggy. Volta Cocas, vulgo Paulinho das feiras, para completar a dupla imbatível dos Marretas animados da paródia à portuguesa.

    • Então! a deputada Assunção Cristas vai à missa todos os dias, por isso tem que manter as aparência para iludir o (Zé povinho), com todo o respeito pelo Zé Povinho, pois, também sou Zé Povinho…

    • O caro jôjô é um pateta. Desde logo porque se subentende que aprecia os resultados desta governação. Parabéns seu grande pateta! Portugal na UE27 está na cauda no crescimento económico. É dos países que menos cresce. Tendo em conta que é um dos mais pobres deveria ser dos que mais cresce. Mas não é, muito embora o turismo e o forte aumento das exportações como resultado dos nossos parceiros comerciais estarem muito bem. Durante estes anos o petróleo também andou por mínimos históricos. O crédito é dado pelo BCE.
      Assim o país não aproveita esta conjuntura única a nível internacional e continua a aumentar o fosso para os mais ricos. E os mais pobres aproximaram-se de nós. O pateta fica feliz?! É mesmo pateta! Abra os olhos e não compre o que lhe vendem por cá.

  6. mau afinal não é um pouvo irmão? eu quando vou ter com os meus irmãos vou normal, puxa como essa terra de ipocritas se preocupa com algo tão pequeno, quando estão a morrer de fome uma grande parte deles

  7. Da próxima vez acho que deveria ir de calções, chinelo de dedo e toalha de praia ao ombro.
    Ó Costa… fod%&#… então depois de tudo o que se passou vais-me para lá nesses trajes?!

  8. Sorte dele não ter sido apanhado de cuecas no avião! Senão teria sido assim que tinha desfilado na passadeira vermelha 😀
    A meu ver, eu acho que ele apenas quis mostrar a grande intimidade que tem com Angola que até se considera em casa! Daí o seu à vontade em se vestir tão informalmente 😉

  9. “Uma indumentária que está a causar polémica, por ser considerada demasiado informal e até desrespeitosa para com o anfitrião.”. “Não faz sentido termos ficado sete anos sem ter havido uma visita de um Primeiro-Ministro luso a Angola e estarmos a aguardar, há oito anos, uma visita de um Presidente de Angola a Portugal…”. Como se Angola respeitasse Portugal!

  10. Notícia de última hora

    Costa vai comparecer na próxima viagem de estado à China em cuecas! Tudo para transmitir um ar mais informal e um desejo de maior proximidade.

  11. Sinto-me envergonhada enquanto portuguesa… Um autentico desrespeito por parte dum PM que representa um país com creditos internacionais de boa diplomacia.
    De fatinho todo janota planta arvores, joga a bola, anda de bicicleta, etc. Numa visita formal (que aplaudo bastante) a um pais “irmao” vai de jeans e mocassins…! Vergonhoso e sem respeito.
    Uma coisa é ter quebrado o gelo de cerca de sete anos que merece aplausos, outra coisa distinta é “nao saber estar” enquanto representante de Portugal.

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