Congressistas dos EUA tentam resolver shutdown fora da Casa Branca

Um mês após o início da paralisação parcial do governo dos EUA, Democratas e Republicanos começam a sofrer pressão pública para encontrar uma solução para a crise dentro do Congresso.

As sondagens indicam que a maioria dos norte-americanos não compreende esta paralisação que dura há 31 dias, paralisa várias agências federais e deixa mais de 800 funcionários públicos sem salário.

Mas dentro dos dois partidos, cresce o sentimento de que qualquer solução deverá ser conseguida no Congresso, fora da Casa Branca e sem a interferência do Presidente Donald Trump, que disse estar orgulhoso pelo shutdown.

Ao longo do dia de terça-feira, a maioria Republicana no Senado tentará uma nova proposta para desbloquear o impasse negocial com os Democratas, que já é a maior paralisação na história dos EUA.

A solução do porta-voz do Senado, o Republicano Mitch McConnell, passa por um pacote de medidas para a imigração, que inclui a salvaguarda temporária de direitos de imigrantes em situação ilegal bem como ações de segurança na fronteira, tentando opções que agradem aos Democratas e que satisfaçam o Presidente.

Contudo, os Democratas já anunciaram que recusarão esta proposta, por também incorporar a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, uma imposição de Donald Trump, que consideram ser inútil, por ser ineficaz.

No domingo, Donald Trump referiu-se à porta-voz da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, como uma “radical” e “irracional”, procurando atribuir à maioria Democrata a responsabilidade pela crise.

Mas mesmo no Senado, dominado pelos Republicanos, a situação é adversa para Trump, já que dificilmente conseguirá convencer os 60 senadores necessários para uma solução legislativa que ponha fim ao shutdown.

Donald Trump tem escrito na rede social Twitter que está orgulhoso, dizendo que a segurança dos americanos deve estar “em primeiro lugar”. Mas são vários os congressistas, de ambos os partidos, que consideram que a intransigência do Presidente deve ser contornada, através de negociações no Congresso.

Se nada for acordado, entre o Congresso e a Casa Branca, na próxima sexta-feira, os 800 mil funcionários perderão o seu segundo salário (que nos EUA é quinzenal) e aumentará a probabilidade de uma radicalização de posições entre as duas partes.

Donald Trump tem ainda a hipótese de declarar situação de emergência nacional e conseguir os 5,7 mil milhões de dólares para o muro na fronteira, sem necessitar de uma aprovação do Congresso, mas o Presidente já disse por várias vezes que quer evitar esse cenário, enquanto os Democratas anunciam que, se for colocado, o contestarão em tribunal, por dizerem que se trata de um excesso de competências executivas.

A maioria Democrata na Câmara dos Representantes tem desafiado Donald Trump a apresentar soluções alternativas para a segurança nas fronteiras, que não passe pela construção do muro, mas a pressão política sobre este tema não tem permitido a Trump abrir mão da sua exigência.

“O Presidente quer mesmo um acordo e já colocou propostas na mesa”, disse domingo Liz Cheney, senador Republicano, reforçando a estratégia de colocar a responsabilidade do impasse político do lado Democrata e dando a entender que a solução já não passa pelo Presidente.

Mas a resposta Democrata é a de que “a bola está do lado” da Casa Branca e insistem para que Donald Trump assine o orçamento, antes de tentarem um acordo.

“O ponto de partida da negociação é a reabertura do governo”, afirmou no domingo o senador Democrata Mark Warner.

// Lusa

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