35% dos concelhos portugueses não têm farmácias com testes comparticipados. Procura compromete respostas

Ennio Leanza / EPA

A realização do teste antigénio é uma das formas da população ter a acesso a alguns espaços ou eventos. Porém, nem todos os concelhos do país têm farmácias que disponibilizam estes testes de forma gratuita.

Segundo o Jornal de Notícias, 35% dos concelhos de Portugal não têm farmácias a fazer testes rápidos à covid-19 comparticipados pelo Estado.

Por outro lado, o jornal adianta que nenhum distrito do país tem todos os seus concelhos com, pelo menos, uma farmácia a fazer estes testes.

Esta situação pode complicar a logística da realização de testes, numa altura em que milhares de pessoas estão obrigadas a apresentar um teste negativo – através do certificado de testagem – para aceder a hospitais, lares, discotecas ou grandes eventos públicos.

A exigência do teste negativo para entrar em recintos tem feito a procura aos testes antigénio aumentar, mas poucas farmácias e laboratórios aderiram ao regime que permite a realização de quatro testes gratuitos por mês, independentemente do estado vacinal ou da idade.

De acordo com o JN, que consultou a plataforma disponível no site do Infarmed, nenhum distrito tem todos os concelhos com pelo menos uma farmácia a fazer testes comparticipados a 100% pelo Estado.

No distrito de Beja, por exemplo, há apenas uma farmácia em Odemira a dar esta resposta, o que motivou uma pergunta do PCP ao Governo.

Nos 12 municípios de Bragança, cinco não têm farmácias com testes gratuitos e em Castelo Branco só há em três dos 11 concelhos.

Em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra há mais soluções, mas como a procura também superior, estas ainda estão longe do que seria necessário.

Questionados sobre esta situação, a ANF e AFP reconhecem as assimetrias, mas sublinham que em muitos casos as farmácias não têm equipas nem espaços para dar resposta.

Em Lisboa, a realização do derby entre o Benfica e o Sporting provocou uma corrida às farmácias, com alguns estabelecimentos a registarem uma procura sem precedentes. Por exemplo, há relatos de farmácias a realizarem 500 testes por dia, o que deixa em perspetiva o esgotamento de stocks que estavam previstos para períodos de tempo mais alargados.

A procura também tem levado a que Portugal registe recordes diários de testes realizados, o que, apontam os especialistas, terá consequências ao nível dos casos positivos detetados.

De acordo com a Lusa, na terça-feira, um dia antes da entrada em vigor destas medidas, foram realizados 116.981 testes em todo o país — número recorde desde o início da pandemia. Destes, mais de metade (65.775) foram testes rápidos de antigénio, dos que são realizados em farmácias ou laboratórios.

Nesse mesmo dia, só em farmácias, foram realizados 47.500 testes de antigénio, quando na passada sexta-feira tinham sido feitos 30.500, afirmou Ema Paulino, da Associação Nacional de Farmácias.

Para dar resposta a esta procura, muitas autarquias estão também a criar infraestruturas de testagem, o que poderá ajudar a responder à procura.

  ZAP //

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