Cercas sanitárias e recolher obrigatório. Governo avalia novas medidas na próxima semana

Tiago Petinga / Lusa

O Ministério da Saúde, liderado por Marta Temido, vai voltar a reunir na próxima semana com o Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP), num encontro em que serão discutidas novas medidas para travar a propagação do novo coronavírus.

De acordo com o Correio da Manhã, entre as medidas que serão analisadas na próxima semana está o recolher obrigatório e cercas sanitárias.

Na conferência de imprensa desta sexta-feira sobre a evolução da pandemia em Portugal, Marta Temido revelou que o Ministério da Saúde pediu uma nova reunião com os especialistas na próxima semana para “aprofundamento da agenda de análise das medidas que podem ser tomadas nesta fase tão distinta da primeira”.

A governante disse ainda que se vive “um momento muito difícil da evolução da pandemia em Portugal e na Europa” e que “os próximos dias se anteveem complicados e com elevada pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde”.

Apesar de vaticinar dias complicados nas próximas semanas, Marta Temido garantiu esta sexta-feira que os hospitais do SNS têm capacidade para responder à pandemia.

“O Ministério da Saúde quer dar um conjunto de notas. A primeira está relacionada com a capacidade instalada do SNS, em especial a capacidade hospitalar”, começou por explicar.

“Quero recordar  que os hospitais do SNS têm uma capacidade total de 21 mil camas“, disse, notando, contudo que nem todas as camas podem ser enquadradas num contexto de resposta potencial à covid-19, pelo facto de estarem incluídas nesse número hospitais especializados, como unidades psiquiátricas.

“Para efeitos de resposta potencial, estas são 19.700 camas em hospitais gerais: 34% no Norte, 21% no Centro, 36% em Lisboa e Vale do Tejo, 4% no Alentejo e 5% no Algarve. Das cerca de 19.700 camas, algumas não podem ser consideradas para resposta a picos de afluência, com camas afetas a acidentes vasculares cerebrais, problemas coronários ou neonatologia. Por regra, para a nossa contabilização são contabilizadas apenas camas médico-cirúrgicas, ou seja, 17.700. Esta é a capacidade máxima”, afirmou.

Conselho de Saúde Pública recomenda mais prevenção

O CNSP, que reuniu esta sexta-feira com o Ministério de Marta Temido, recomendo uma “maior aposta nas medidas preventivas” da covid-19 e a alteração na comunicação da informação, com “mais clara separação” das intervenções políticas e técnicas.

Marta Temido destacou a “diversidade e pluralidade de opiniões” manifestadas pelos conselheiros, que voltam a reunir-se na próxima semana, a seu pedido.

A próxima reunião, cuja data não foi precisada, visa analisar medidas que poderão vir a ser tomadas, numa fase “tão complexa” da pandemia, adiantou a ministra, que enumerou “várias recomendações” feitas pelo CNSP, órgão consultivo do Governo.

Entre as recomendações, Marta Temido destacou a “reformulação do modelo de comunicação”, com “mais clara separação das linhas técnica e política“, a “maior aposta nas medidas preventivas”, a proteção dos “mais vulneráveis” (crianças e idosos) e dos profissionais de saúde, mantendo estes motivados, a “recuperação da humanização” e o “equilíbrio das respostas” nos cuidados de saúde.

A ministra referiu ainda que o Conselho de Saúde Pública alertou para a importância da “vantagem de antecipar o planeamento” da vacinação contra a covid-19, durante e após a pandemia, e da “boa comunicação e transparência” da informação como condição para a “confiança dos cidadãos”.

ZAP // Lusa

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10 COMENTÁRIOS

  1. Sr. Costa, tanto o Sr., como os ministros que nomeou, deveriam fazer o que, tecnocrática, genérica e globalmente, lhes seria acometido: PREVER e jogar na PREVENÇÃO, ao invés de CORRER ATRÁS DO PREJUÍZO.
    – QUE MISÉRIA (e não têm vergonha), RUA!!

    • Carlos Silva, aponte-me um indivíduo ou grupo do seu quadrante ideológico que alguma vez tenha previsto alguma coisa de útil para o país? Não seja patético, em política não existem previsões, muito menos sobre uma coisa que dez meses atrás era desconhecida. No caso, confesso-o, teria ficado aterrorizado se o país estivesse a ser “governado” por políticos que são próximos do CS, vimos a porcaria que fizeram na emergência financeira, quatro anos de espoliação e estagnação do país. Este governo fez o melhor que pode, com a escassez de recursos que existe num país pobre/remediado. Pessoalmente, que nada tenho a ver, ideologicamente, com este governo, confesso duvidar que poderia ter feito melhor. Esta provável emergência mundial – se não for produzida uma vacina – não é campo para a chicana política que alimenta o quadrante ideológico do CS. O caro vai desculpar-me, o patriotismo nunca foi um valor de direita, sarna não é “patriotismo”, se a situação se tornar uma emergência, sanitária e económica, o patriotismo exigirá um governo de “salvação/unidade nacional”. É o “se”, pessoalmente estou farto da corrupção do bloco central e da estupidez que o suporta e condiciona a minha ideia de liberdade e democracia.

      • AS merece uma resposta ao criticar tão duramente o CS considerando de direita. Está farto da corrupção do bloco central? Onde viu isso? Por ter governado o nosso país um Governo à direita do PS numa altura em que uma Troika severa vinha cá inspecionar de 3 em 3 meses, chamada para combater a bancarrota daqueles que você apoia e que até o salário mínimo nacional congelaram? A estupidez do bloco central? Em quantos países ha governos de bloco central, sabe? Muitos! E são estúpidos porquê? Um Governo de bloco central fazia muito bem cá pois combatia os desvarios e corruptos de esquerda que querem dar tudo só para neles votarem mesmo o que não têm. E dava apoio a quem realmente cria postos de trabalho, as empresas. E um governo de salvação não tem de ser um Governo de bloco central que tanto critica??? Seja coerente com o que diz. Quatro anos de “espoliação e estagnação” depois de estar à beira de uma bancarrota ou 4 anos de “recuperação” do mal feito por quem você apoia? Abra os olhos e pense mais no nosso país. Se acha que este Governo controla bem a pandemia porque estão os hospitais à beira da rotura? Faltam poucos dias…
        Quer algo mais útil que tirar um país da bancarrota???

  2. Costa e Temido… gastem agora todas as vossas soluções histéricas… O que irão fazer quando o país chegar às 11.000 infeções diárias ? Farão uma “Guterrada” ?!
    Cambada de incompetentes a brincar aos governos.
    Este governo não tem capacidade para combater a pandemia, nem para restabelecer a economia, nem tão pouco para aplicar a massa que Bruxelas irá mandar.
    Alguém que avise a UE da forma como Costa irá esbanjar o dinheiro dos contribuintes europeus.

  3. Mas a Ministra não é da Saúde mas sim Ministra dos Hospitais. Está borrifando_se para a saúde dos portugueses. Quer é garantir o tacho, a papa. E o Costa (vade retro Satana) a panideologia socialista de que o Estado manda em tudo, lava o cérebro das crianças com a brancura homo de gênero, avassala os cidadãos a salivar aos micro aumentos de rendimentos, como campainha Pavlov, e culpa os de direita por quererem tirar as seringas das veias do mundo cheias da sua heroína em pó comunista trotsquista.

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