Centros de vacinação rápida e um novo site. Gouveia e Melo explica como será a segunda fase

Mário Cruz / Lusa

A segunda fase do processo de vacinação contra a covid-19 vai ficar marcada pela ativação de centros de vacinação rápida, farmácias e um novo website para autoagendamento, revelou o coordenador da task force.

Em entrevista à Lusa, o vice-almirante Gouveia e Melo diz que está já prevista para abril, quando se iniciar a segunda fase, a criação de postos de vacinação rápida ou massiva e o lançamento de uma nova página de Internet, ficando as farmácias reservadas para quando se detetarem limitações no sistema de administração de vacinas perante a maior disponibilidade esperada no segundo trimestre.

“No mês de abril, vai haver uma necessidade de começar a meter esses postos de vacinação rápida em execução. É um desafio, mas é um desafio que julgo que vamos superar todos. As autarquias, o Ministério da Saúde… está a ser tudo organizado para que nesse momento as coisas aconteçam da melhor forma e o mais célere possível”.

O coordenador da task force responsável pelo plano de vacinação explica que o processo de diálogo entre autarquias, Administrações Regionais de Saúde (ARS) e Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) já existe e esteve apenas “em pausa” para evitar “falsas expectativas” face à escassez de vacinas disponíveis nesta primeira fase.

“O processo de organização está bastante trabalhado e evoluído. Estou convencido de que nós, rapidamente, conseguimos pôr esses postos de vacinação rápida a trabalhar. Tem é de haver vacinas para os colocar a trabalhar. Não faz sentido abrir um posto que pode administrar 500 ou 600 vacinas num dia e depois ter 50 vacinas para administrar”, afiançou.

Com uma média de cerca de 23 mil inoculações diárias, o processo tem assentado na comunicação com os cidadãos por SMS, os quais registam uma taxa de sucesso de marcações entre os 50 e os 54%. Os restantes utentes são alcançados através de marcações diretas pelos centros de saúde, com o apoio das autarquias, sublinhou Henrique Gouveia e Melo, que anunciou também o lançamento de uma nova plataforma eletrónica.

“Está em curso e vai entrar em produção já em abril um meio alternativo através de um website, em que as pessoas poderão ter a capacidade de se autoagendarem no processo de vacinação em determinados locais pré-definidos”, realçou, sem deixar de evidenciar que o sucesso de marcação deverá subir com o progressivo alargamento a uma população mais jovem.

Relativamente às farmácias, o coordenador da task force refere que “é uma das opções que está já identificada para entrar em ação se for necessário”, alertando para a importância de “agentes exteriores que não sobrecarreguem o sistema existente” e tecendo elogios à capacidade logística destas estruturas.

As farmácias estão bem apetrechadas. O sistema logístico das farmácias é muito complexo, mas muito positivo, bem estruturado e claro que as vacinas que serão disponibilizadas para as farmácias serão aquelas que poderão ser conservadas num frigorífico normal. Claro que cumprindo regras determinadas pela Direção-Geral da Saúde, mas, fazendo isso, as farmácias são, com certeza, um ator importante no processo de administração de vacinas”, asseverou.

Sobre o arranque da segunda fase, que cataloga como “uma fase de transição”, o vice-almirante esclareceu que o processo vai acelerar com a inclusão de pessoas com mais de 65 anos “de forma indiscriminada” e pessoas com mais de 50 anos, mas com um conjunto de doenças “do tipo 2 e não do tipo 1, porque essas eram as mais críticas e estão na primeira fase”.

Embora lide ainda com a reduzida disponibilidade de vacinas e a suspensão temporária da administração da vacina da AstraZeneca, o coordenador da task force manifesta a sua convicção na proteção de 70% da população até agosto. E nem a distinção do conceito de imunidade de grupo e de proteção da população altera o seu pensamento.

“Continuo confiante de que até ao fim do verão teremos 70% de proteção da população. O conceito de imunidade de grupo e de proteção são dois conceitos diferentes (…), uma dose é uma grande proteção, pelo menos para a doença mais crítica. O que posso dizer é que 70% da população estará vacinada com a primeira dose no fim do verão”.

Gouveia e Melo defendeu ainda que a vacina russa Sputnik V contra a covid-19 deve ser adquirida para o lote de vacinas de Portugal, caso tenha avaliação positiva da Agência Europeia do Medicamento (EMA).

“Defendo a aquisição de todas as vacinas que sejam possíveis trazer ao processo português, desde que tenham qualidade, as garantias necessárias de reguladores credíveis e possam ser administradas em território nacional”, afirmou. “Se tivermos a possibilidade de trazer mais vacinas, acelerando a proteção da população e contribuindo para libertar a economia e a sociedade da pandemia, julgo que todo o português de bom senso deseja isso”.

“Para mim é uma guerra”

Gouveia e Melo defende que a pandemia é um combate que “não se pode perder”, que para si é mesmo “uma guerra” e, por isso, usa o camuflado. “Se olhar para os combates anteriores, que conflito é que prejudicou tanto a economia portuguesa, que conflito é que matou tanto em tão pouco tempo”, pergunta o vice-almirante Gouveia e Melo, em entrevista à Lusa. E realça: “Se isto não é um combate, então o que é um combate?”

O coordenador do plano de vacinação contra a covid-19 alerta, além do mais, para o facto de Portugal estar “a travar um combate que não pode perder” e que “todos os portugueses” têm de ter a noção disso.

De um ponto de vista pessoal, o vice-almirante, nomeado a 3 de fevereiro, diz que encara a sua função como crítica, “que tem que ser feita com o esforço que for necessário”.

“Para mim é uma guerra”, diz, “um combate pessoal, um combate de grupo, [em que] o combatente do outro lado não é um ser humano, mas um vírus e nós temos que puxar todos os recursos que temos para combater esse vírus”, destaca. “Encarei [a nomeação] como um desafio, por um lado, por outro como uma obrigação enquanto militar, que jurei fazer tudo pelo meu país”.

Essa é a razão por que Gouveia e Melo descartou o seu uniforme da Marinha, e decidiu usar sempre o uniforme de combate, o camuflado operacional, o único que é comum aos três ramos das Forças Armadas, além do significado simbólico de que se reveste para a instituição e a população em geral.

“[O uniforme] quer dizer que não estou sozinho e sou ajudado pelos três ramos das Forças Armadas, tenho pessoas a trabalhar comigo da Marinha, do Exército e da Força Aérea”, diz. “É muito importante passar a mensagem que não é uma única pessoa, mas que são as Forças Armadas que estão a ajudar ao processo. Eu sou, digamos, a ‘ponta do icebergue’”.

Neste sentido, o coordenador da task force assume ter uma dupla responsabilidade: “Tenho não só o sentimento de responsabilidade, de conseguir desempenhar a minha função o melhor que posso, a bem de todos os portugueses e de todos nós, mas também a responsabilidade e o sentimento que de alguma forma represento as Forças Armadas e o esforço das Forças Armadas, portanto, para mim falhar é impensável”, sublinha.

Questionado se já tinha tomado a vacina, Gouveia e Melo é perentório na recusa “enquanto não tiver a certeza de que grande parte dos portugueses, na sua maioria, estão vacinados”. E mesmo se for convocado para tal, verá: “Com três estrelas já ninguém me obriga a vacinar”.

  ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Ok, finalmente ficou esclarecido porque razão este senhor aparece sempre de uniforme militar, cheguei a pensar que fosse para meter respeito à Covid ou que não tivesse outra roupinha para vestir 😉

  2. O Senhor Gouveia e Melo , mui digno , Oficial das Forças Armadas , há que lhe reconhecer o mérito .
    Agora , de ir na conversa da Ministra da Saúde , e noutros ditos responsáveis , aí é que está a ser
    enganado , como todos os Portugueses .
    Já não se fala das vacinas aplicadas em lares , a memória dos Portugueses é muito curta !
    Não se fala , das afirmações de responsáveis , que afirmam que os doentes , com doenças x , estão
    vacinados , o Sr. vem dizer, ?? não será bem assim Sra. Ministra !! Casos repetem-se por todo o Pais .
    As mascaras , cerca de 30 % não as usa ! Ainda ontem á tarde , nos Jardins por detrás do Palácio
    das Necessidades , contei em 50 pessoas , só 4 usavam mascara ! No Sábado , passado vi 4 agentes da PSP, a tomar café na rua sem mascaras, e sem distância , numa bomba de gasolina !
    Onde andam as autoridades , para autuar as autoridades ?? Pessoa ??? sem mascaras , não há papel que chegue . Mal se fala em liberdade , o que vê , libertinagem , fiscalização ?? onde moro
    passo pela Esquadra , os carros estão a porta !! Será por falta de combustível ??
    Situação ingrata !!!! Mas autoridade , ???????
    Não vale a pena bater no Senhor não tem culpa !
    Cuidem-se

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