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Apenas 3% da população está vacinada. 53% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu primeira dose

PAHO / WHO

Mais de 340 mil portugueses têm a vacinação completa contra a covid-19, no âmbito do plano que já administrou mais 1,1 milhões de doses desde o final de dezembro, anunciou, esta terça-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o quinto relatório do processo de vacinação em Portugal continental divulgado pela DGS, 46.033 pessoas completaram com a toma da segunda dose a vacinação na última semana, enquanto outras 85.498 receberam a primeira dose.

Um total de 341.034 pessoas têm assim a vacinação completa – 3% da população – e 827.902 já foram vacinadas com a primeira dose (cerca de 8% da população), fazendo com que tivessem sido administradas 1.168.936 vacinas em Portugal continental desde 27 de dezembro, quando se iniciou a campanha nacional de vacinação contra o SARS-CoV-2.

Segundo o relatório, Portugal recebeu 1.468.929 de vacinas, tendo sido distribuídas pelos postos de vacinação do país 1.264.093 doses.

Por grupos etários, 53% dos idosos com 80 ou mais anos (349.269 pessoas) já receberam a primeira dose e 16% (104.011) já têm a vacinação completa.

O segundo grupo com maior percentagem de vacinação é o das pessoas entre os 50 e os 64 anos, no qual 10% (200.596) já tomou a primeira dose e 4% (73.759) já têm a vacinação completa.

Dos portugueses elegíveis para vacinação no grupo entre os 25 e os 49 anos, 6% (185.603) já recebeu a primeira dose e 4% (121.141) já tomou as duas doses.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo lidera no número de vacinas administradas, com um total de 384.711, 48.145 das quais na última semana, seguindo-se o Norte, onde 381.184 pessoas já foram vacinadas, 38.539 nos últimos sete dias.

Seguem-se a região Centro com 270.470 vacinas administradas, o Alentejo, onde já foram vacinadas 85.755 pessoas, e o Algarve, com um total de 45.040 inoculações.

Na segunda-feira, o coordenador da task-force do plano de vacinação, Henrique Gouveia e Melo, reconheceu que este processo vai sofrer um atraso de duas semanas devido à suspensão temporária, por precaução, da administração da vacina da AstraZeneca.

Recuperamos “em cinco ou seis dias”

Gouveia e Melo evitou expressar a sua posição sobre esta suspensão temporária, mas manifestou-se confiante em retomar o processo de vacinação em cinco ou seis dias.

Não tenho de estar de acordo, nem deixar de estar de acordo. É uma decisão de duas autoridades: a autoridade de saúde, que é a Direção-Geral da Saúde e a autoridade do medicamento, que é o Infarmed. A minha função, enquanto coordenador do plano, é adaptar o plano às circunstâncias que existem neste momento. Tenho de respeitar as orientações desses órgãos”, disse em entrevista à agência Lusa.

“Se a pausa não for muito prolongada, retomaremos o ritmo que estávamos a ter com a vacina da AstraZeneca e recuperamos muito rapidamente esta pausa, que é uma pausa de cinco, seis dias… o que for necessário para se esclarecer a dúvida que existe neste momento”, afirmou o vice-almirante.

Questionado sobre a mudança em apenas 24 horas da decisão de DGS e Infarmed sobre a segurança da continuidade da administração da vacina desenvolvida pelo laboratório sueco e a Universidade de Oxford, o coordenador da task-force defendeu que a explicação cabe a essas duas autoridades.

“Não sou eu que tenho de explicar isso. Quem tem de explicar é a DGS e o Infarmed. No entanto, posso dizer que há uma instabilidade na informação e havendo instabilidade na informação e havendo novos dados, as decisões, muitas vezes, não podem ser mantidas. Mesmo que seja de um dia para o outro”, observou.

“Não é uma suspensão, é uma pausa. Não há nada que indique que vá haver uma suspensão da vacina. Há uma pausa para avaliar os dados de forma cautelar, evitando continuar a vacinar enquanto não se tiver uma certeza maior sobre o que aconteceu e os casos que foram descritos como sendo casos graves de reação, que não se consegue perceber se é reação ou não à vacinação. Enquanto isso não estiver clarificado, a vacinação foi posta em pausa”, explicou ainda Gouveia e Melo.

O responsável reiterou que a vacina da AstraZeneca “é uma vacina segura”, à semelhança do que referiu já o primeiro-ministro, António Costa, e lembrou que “há países que não pararam e continuam a vacinar, países com sistemas muito fortes” ao nível da regulação e investigação em saúde.

“Tenho a expectativa que seja uma pausa curta, uma pausa cautelar e que logo que estejam reunidas as condições para o nosso regulador e a nossa DGS se sentirem confortáveis com as investigações que, entretanto, vão ser discutidas na EMA se reinicie o processo normalmente, porque a vacina é uma vacina segura, tudo indica que é uma vacina segura. E os dados são dados que de forma muito difícil têm uma relação de causa efeito com a vacina”, frisou.

Contudo, o coordenador admitiu consequências negativas para o processo de vacinação em curso se a pausa se prolongar por muito tempo, ao reconhecer que, além do assumido atraso na vacinação dos docentes e auxiliares do pré-escolar e primeiro ciclo prevista para este fim-de-semana, “afetará necessariamente o mês de abril”, levando a primeira fase, que terminaria “em meados de abril”, a acabar “uma semana depois”.

Pausa terá “efeito negativo na confiança” das pessoas

Em declarações ao jornal ECO, o infeciologista António Silva Graça considerou que a pausa na administração desta vacina vai ter “um impacto grande” na vacinação, assim como um “efeito muito negativo na confiança” das pessoas em todo o processo. Porém, reconheceu que foi a “atitude mais prudente”.

De forma a ser retomada a confiança nesta vacina, “as pessoas têm de perceber que foi a atitude mais prudente”, defendeu, explicando que “só a avaliação é que permitirá novamente dar credibilidade a vacinação com esta vacina”.

A aprovação de novas vacinas neste momento, referiu o profissional, “ganha outra importância porque aumenta a necessidade”.

Recorde-se que, além da AstraZeneca, Portugal está a administrar atualmente outras duas vacinas das farmacêuticas Moderna e Pfizer, devendo receber, no próximo mês, as primeiras doses da vacina de toma única da Janssen, do grupo Johnson & Johnson.

Já esta segunda-feira, a ministra da Saúde disse que o país conta receber no segundo trimestre cerca de quatro milhões de vacinas da Pfizer/BioNTech, com quem Bruxelas acordou a antecipação do fornecimento de 10 milhões de doses.

  ZAP // Lusa

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