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Centeno desvaloriza peso de moratórias que terminam na quarta-feira

Mário Cruz / Lusa

O ex-ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal, Mário Centeno

O governador do Bando de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças que as moratórias nos créditos à habitação que finalizam na quarta-feira não foram concedidas aos clientes mais problemáticos, abrangidos estes pelos apoios que terminam em setembro.

“Em relação às moratórias privadas para habitação, desde o ponto mais alto dessas moratórias, que se deu em junho, até ao mês de fevereiro, temos uma redução de 42%. São menos 2.375 milhões em moratórias privadas [nesse período]. Uma redução continuada”, indicou esta terça-feira durante a audição requerida pelo Bloco de Esquerda.

Como avançou o Expresso, na quarta-feira extinguem-se as moratórias em empréstimos à habitação de 3,7 mil milhões de euros. Em parte destas moratórias, as prestações aumentarão em abril. Há ainda mais 13,4 mil milhões de euros em crédito à habitação sob moratória, que se estendem até setembro (uma parcela até dezembro).

“A esmagadora maioria das moratórias estão ao abrigo da moratória pública” que tinha condições de acesso “muito claras”, “bastante abrangentes” e que era destinada sobretudo a “trabalhadores desempregados, que tinham sofrido quebras de rendimento”, referiu, acrescentando que “não é o momento de retirar medidas para aqueles que foram abrangidos pela crise. Para esses, não estão a terminar”.

Centeno considerou que não há margem para um prolongamento das moratórias. “Essa extensão levaria a que os créditos que fossem considerados em moratória no âmbito dessa prorrogação passassem a estar como créditos reestruturados. Seria uma reestruturação em massa”, indicou o governador.

“A moratória seja pública, seja privada, deve ser feita ao abrigo das orientações comuns que os bancos portugueses têm de respeitar. É a forma de melhor proteger os clientes bancários”, indicou, evitando assim um “efeito ricochete” sobre os bancos e os clientes.

No final de janeiro, havia um total de créditos de 45,7 mil milhões de euros sob moratória, tanto a particulares como a empresas. No caso das empresas, são 24 mil milhões. Centeno frisou estas aumentaram “a capacidade de resposta financeira” e é com base nessa informação que é preciso “jogar”.

“Estamos a trabalhar numa caracterização da evolução de todo o sector empresarial em Portugal para o poder caracterizar e identificar tendências que possam ser merecedoras de uma evolução das medidas, em particular as associadas às moratórias, em que o Banco de Portugal tem palavra a dizer”, revelou.

  Taísa Pagno //

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