Catarina Martins defende presunção de inocência de Luís Monteiro e fala da “situação insustentável” de Cabrita

Fernando Veludo / Lusa

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins

A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou que as denúncias de violência doméstica nunca devem ser desvalorizadas, mas defendeu a presunção de inocência do deputado bloquista Luís Monteiro. Além disso, considerou a situação de Eduardo cabrita “insustentável”.

A coordenadora do BE afirmou esta segunda-feira, em declarações à Antena 1, que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, é um dos governantes que está “numa situação insustentável”, considerando “muito difícil explicar que se mantenha em funções” desde o caso do SEF.

A poucos dias da XII Convenção Nacional do BE, que se realiza no fim de semana em Matosinhos, Catarina Martins foi entrevistada pela Antena 1, tendo sido questionada sobre se uma remodelação no Governo socialista de António Costa facilitaria as negociações para o Orçamento do Estado para 2022.

“As remodelações não têm nada a ver com as negociações para o Orçamento do Estado porque seguramente a política do Governo não depende do ministro que está. O Governo é um. Agora é verdade que há ministros que estão numa situação insustentável há já largos meses”, referiu.

Para Catarina Martins, “é muito difícil explicar” que Eduardo Cabrita “se mantenha em funções” desde “a morte de um cidadão às mãos do SEF, que foi torturado até à morte”.

“Dos vários casos [que envolveram Eduardo Cabrita], esse é o mais grave e que já devia ter determinado. Dir-me-á que não teve responsabilidade direta, é verdade, mas era o ministro responsável por uma força de segurança que torturou até à morte um homem”, defendeu.

À pergunta se o executivo liderado por António Costa está esgotado, a líder bloquista respondeu que “o Governo tem dado pouca atenção ao país, tem dado pouca atenção aos problemas” e “tem agido tarde”.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, tem sido alvo de várias críticas.

Presunção de inocência de Luís Monteiro

Relativamente às acusações de violência doméstica que envolvem o deputado bloquista Luís Monteiro, Catarina Martins defendeu que denúncias de violência doméstica nunca devem ser desvalorizadas, mas considerou que “uma acusação numa rede social não acaba com a presunção de inocência”.

A coordenadora do BE remeteu casos como o de Luís Monteiro para os tribunais, excluindo-os do “âmbito do partido”.

Em 12 de maio, Luís Monteiro, que negou recentemente acusações de violência doméstica, pediu a sua substituição como cabeça de lista bloquista à Câmara de Gaia nas próximas eleições autárquicas, mantendo-se como deputado “com a concordância” da direção do partido.

Esta segunda-feira, em entrevista à Antena 1, a líder bloquista, Catarina Martins, foi questionada sobre este caso e rejeitou que o partido tenha demorado a reagir, explicando que a decisão de desistir da corrida autárquica foi pessoal e “teve a solidariedade da direção”.

“O crime de violência doméstica ou violência no namoro é muito grave e as denúncias devem ser levadas a sério e não devem ser desvalorizadas. Dito isto, uma acusação numa rede social também não acaba com a presunção de inocência de ninguém, como é normal num Estado de direito que levamos também muito a sério”, defendeu.

Catarina Martins reiterou que “este é um crime muito grave e que dá direito a pena de prisão”, mas deixou claro que “não é algo sobre o qual o BE se deva pronunciar no caso concreto”, uma vez que “seguirá o seu curso em tribunal”.

A líder do BE foi ainda questionada sobre se mantém a confiança política em Luís Monteiro.

“Todas as vítimas devem ser levadas a sério, que as denúncias não devem ser descartadas, vivemos num país em que muitas mulheres são mortas à mão dos seus companheiros ou ex-companheiros, em que muitas vezes as pessoas têm medo de denunciar com medo de não serem levadas a sério e, portanto, nós nunca vamos desqualificar nenhuma denúncia”, começou por responder.

No entanto, para Catarina Martins estes casos não são do “âmbito do partido”, mas “do âmbito dos tribunais”.

“E as acusações nas redes sociais não determinam a sua veracidade por serem feitas numa rede social e, portanto, o caminho será feito”, insistiu.

No dia 12 de maio, numa nota enviada à agência Lusa, Luís Monteiro referiu que “face ao efeito público das calúnias lançadas”, pediu à comissão coordenadora concelhia do Bloco de Esquerda de Vila Nova de Gaia a sua substituição como cabeça de lista à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas.

O bloquista referiu ainda que “consultada a direção do Bloco de Esquerda e com a sua concordância”, continuará a desempenhar todas as suas atuais funções, na Assembleia da República e na organização partidária, nomeadamente na direção distrital do Porto e na concelhia de Gaia.

Numa posição oficial enviada à agência Lusa logo a seguir, o partido secundou a posição do seu deputado.

“Luís Monteiro mantém as funções para que foi eleito, como deputado e como dirigente do Bloco. Por sua decisão, renunciou à candidatura à Câmara Municipal de Gaia e também à participação em lista candidata à Mesa Nacional que será eleita na XII Convenção do Bloco de Esquerda”, referiu então.

Em 18 de abril, a líder do BE, Catarina Martins, tinha estado precisamente em Vila Nova de Gaia para a apresentação do então candidato à autarquia, tendo discursado nessa mesma sessão.

O deputado do BE Luís Monteiro negou na semana passada as acusações de violência doméstica de que foi alvo e garantiu que “nunca agrediu qualquer mulher”, afirmando ter sido ele “vítima de agressões sucessivas, violência verbal e ameaças” ao longo desse namoro.

Nesse mesmo dia, o BE reiterou que “a violência é inaceitável” e que “o recurso à justiça é a forma de apurar factos e punir abusos”.

Numa curta posição oficial do partido enviada à agência Lusa, o BE assegurou que “mantém a mesma posição em todas as circunstâncias”.

Entretanto, numa breve resposta à Lusa ao final desse dia, Luís Monteiro adiantou que iria apresentar queixa.

O esclarecimento publicado nas redes sociais de Luís Monteiro surgiu depois de uma denúncia feita no Twitter por Catarina Alves no dia 04 de maio ao fim do final do dia.

“Andei a proteger o meu agressor para não perder amigos. Que grande burra. Homens ficam do lado de homens sempre. Podem chamar-lhe Luís Monteiro, a mim chamam-me louca”, pode ler-se na publicação no Twitter de Catarina Alves.

ZAP // Lusa

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