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Carnaval belga retirado da lista de Património Imaterial da UNESCO após queixas de antissemitismo

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As festas da cidade de Aalst, na Bélgica, foram retirada da lista do Património Imaterial da Humanidade, depois de a UNESCO ter sancionado a presença de carros carnavalescos contendo imagens antissemitas. O presidente da Câmara local, nacionalista, defende o direito ao “humor”.

O Carnaval da cidade belga de Aalst foi esta sexta-feira removido da lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, durante a reunião da UNESCO desta sexta-feira, em Bogotá, durante a qual os Caretos de Podence foram acrescentados à referida lista.

A organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura decidiu que o desfile de 2019 teve cariz antissemita, por ter incluído carros alegóricos com caricaturas estereotipadas de judeus ortodoxos, de nariz aquilino e sentados sobre sacos de dinheiro.

No início de dezembro, o presidente da Câmara de Aalst, Christoph D’Haese, declarou que as autoridades locais não pretendiam a distinção da UNESCO. Segundo o político da Nova Aliança Flamenga, nacionalista e conservadora, o desfile é “humorístico”.

Não somos nem antissemitas, nem racistas“, declarou D’Haese à agência de notícias Belga. “Todos que o consideram estão a agir de má fé. Aalst permanecerá sempre a capital do humor e da sátira.”

“Eles podem continuar a realizar a festa, não nos opomos”, declarou Ernesto Ottone, diretor-geral assistente da UNESCO para a Cultura. “O que não queremos é a UNESCO associada ao que para alguns pode ser humor, mas para nós é zombar com certas comunidades.”

Israel congratula-se com a decisão

“A remoção do carnaval envia uma forte mensagem de que estas expressões antissemitas não têm lugar na organização e no mundo”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, em comunicado.

O ministro israelita saudou a decisão de excluir o festival e apelou ao governo belga para que seja claramente “contra a inclusão de manifestações antissemitas” no carnaval. “O flagelo do antissemitismo ameaça não apenas o povo judeu, mas toda a sociedade e país em que existe”, disse o governante.

A exclusão do carnaval da lista da UNESCO aconteceu durante o encontro anual das 24 nações para rever as nomeações, que decorreu em Bogotá, na Colômbia. Os delegados belgas presentes no encontro não reagiram a esta decisão, cabendo ao governo belga comentar a exclusão das festividades da lista.

Em janeiro deste ano, Israel e os Estados Unidos saíram da UNESCO, alegando que a organização estava a promover um viés anti-Israel. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse então que o seu país “não será membro de uma organização cujo objetivo seja deliberadamente agir contra Israel”, dando argumentos aos seus “inimigos”.

Nos últimos anos, a UNESCO aprovou várias resoluções muito criticadas por Israel, nomeadamente textos que omitem a vinculação judaica à denominada Esplanada das Mesquitas de Jerusalém.

No verão de 2017, a Cidade Velha de Hebrón (Palestina) foi incluída na Lista de Património Mundial, decisão que levou Israel a anunciar que iria retirar um milhão de dólares na sua contribuição para as Nações Unidas.

ZAP // Lusa / Deutsche Welle

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