Campanha nacional quer tirar o “dr.” das placas que Relvas inaugurou

José Sena Goulão / Lusa

Miguel Relvas, ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

“Higienizar o espaço público” retirando o “dr.” que aparece ao lado do nome de Miguel Relvas em várias placas de inauguração que existem por esse país fora. É este o objectivo de uma campanha lançada pelo blogue Má Despesa Pública, depois de a licenciatura do ex-ministro ter sido considerada nula.

Após a decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, que considerou nulo o grau de licenciado em Ciência Política concedido a Miguel Relvas pela Universidade Lusófona, o blogue Má Despesa Pública lançou uma “campanha nacional para corrigir” as placas de inauguração que assinalam a presença do ex-secretário de Estado da Administração Local e ex-ministro adjunto.

“Algo que tape o “dr.” basta de forma a que seja reposta a verdade”, considera-se numa publicação no blogue. Fica ainda o desafio aos visitantes do site para que, quando se deparem com placas de inauguração “onde conste o “dr. Miguel Relvas””, enviem fotos para o email do Má Despesa Pública.

“É preciso higienizar o espaço público”, justificam os autores do blogue e um deles, Rui Oliveira Marques, explica ao Público que a ideia partiu de um leitor que “lhes chamou a atenção para a quantidade de placas alusivas a Relvas existentes no distrito de Santarém”.

Há placas de inauguração com o “dr. Miguel Relvas” inscrito em todo o país, de pavilhões desportivos, a câmaras municipais e até lares de idosos, conforme constata o Público, sublinhando que algumas delas até foram descerradas anos antes de Relvas ter obtido a licenciatura na Lusófona.

O diário dá o exemplo de uma placa nos Paços do Concelho, em Lagoa, descerrada em 2004, e de outra na sede da Junta de Freguesia de Antas, em Esposende, de 2003, onde consta a inscrição “dr. Miguel Relvas”. O ex-governante só se licenciou em 2007.

Perante a campanha do Má Despesa Pública, o presidente da Junta de Antas, Viana da Cruz, diz ao Público que tem “coisas mais importantes em que pensar”.

Já a presidente da Câmara de Alvaiázere, onde Relvas descerrou a placa de inauguração do pavilhão desportivo, em 2012, refere ao mesmo jornal que só retiraria o “dr.” da inscrição “se um tribunal o ordenasse”.

Célia Marques, eleita pelo PSD, também nota que a única “forma de a rectificar” é enviando-a de novo para a fábrica “e isso, sim, seria má despesa pública“, sublinha numa referência ao objectivo do blogue que tem por missão denunciar casos de má aplicação de fundos do Estado.

Miguel Relvas vai recorrer da sentença de anulação da sua licenciatura, nota o Público.

ZAP

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12 COMENTÁRIOS

  1. nao sabia que uma pessoa que faz 3 ou 4 anos de licenciatura adquire o grau de dr.
    acho que esse grau só é adquirido quem faz o mestrado ou o doutoramento.
    acho que deviam processar quem escreveu o dr nas placas quando este ainda nao o era. isto acho que que é crime.
    acho bem que se tire o dr, pois se ele ficou sem o grau por causa das trafulhices, acho bem que se tire e se faça novas placas

  2. Para retirar o Dr. das placas… teriam de retirar também da maioria de paredes pois muitos dizem-se drs e só têm o mínimo (licenciatura)… o que falta por aí é placa de Drs…..

  3. Jules, sou licenciada e ninguém me trata por Drª e sinceramente também não quero pois não é adequado, sou licenciada e considero este o meu grau.
    Nesta sociedade tratam as pessoas por Dr./ Drª mais por razões do cargo que cada qual ocupa na sociedade do que pelos estudos. E sei do que escrevo. Já tive uma patroa sem licenciatura que era tratada por Drª e eu, por ter um cargo inferior, era tratada apenas pelo meu nome! Portanto não me venha dizer que tem a ver com os estudos que cada qual possui!!
    Drº para mim é o mesmo que Doutor! Uma é a abreviatura outra é a palavra..

  4. O que parece incrivel é a Universidade que lhe deu o grau não ter sido incriminada ou pelo menos multada por comportamentos dúbios que tanto visaram e visam a criação de redes de influências políticas (segundo o dito, coça-me as costas que eu coço as tuas), como visam a angariação de estudantes segundo o princípio do v”vale tudo menos tirar olhos”. Ele não recebeu o grau pelas Universidades Públicas, mas pela Universidade privada Lusófona, porque será??
    Também seria importante ver um pouco mais profundamente, até onde esta dita “Universidade” anda a cometer ilegalidades e depois, se virem o que eu já vi, retirem-lhe o estatuto, para que não possa andar a enganar mais estudantes distraidos.

  5. Retirar texto de placas gravadas é muito complicado, é muito mais simples acrescentar. Sugiro uma alternativa mais eficaz e de baixo custo: mandar gravar em todas essas placas umas aspas à volta do “Dr.”. 🙂
    Aproveito para referir o parolismo de tratar por “Dr.” qualquer licenciado. Herança dos tempos da “outra senhora”…

  6. Num país de doutores e engenheiros parece impossível fazer uma coisa destas, então como é que o homem agora passa a viver se não lhe chamarem doutor? Não vai aguentar certamente o impacto quando lhe chamarem simplesmente senhor! Já agora aproveitem pois devem por aí haver muitas placas com nomes de doutores e engenheiros falsas, também poderão repor o nome à ponte Salazar que não foi vista nem achada com o 25 de Abril, já era uma senhora crescida quando este nasceu!.

  7. Dr Relvas? ahahaha, dr da mula russa sim. Vai estudar ó relvas. Nao compres canudos. E ao reitor da Lusófona o que e que aconteceu? Ele aldrabou actas. E o que da as Univ e colégios privadas. Num colégio da Caldas os alunos tiraram todos 20 valores num exame, mas que craneos.

  8. Há Muitos Anos que sou contra este “Chamamento” e Sou Licenciada, Pós Graduada, etc… Parece-me que as “Gentes” têm Vergonha da Licenciatura que tiraram, e que sem o dr., utilizado incorretamente, na maioria das vezes, não são Nada. Tem sido uma das muitas minhas lutas, as Pessoas deviam ser tratadas pelo nome, D. ou Sr. fulaninha(o), e depois se tal fosse necessário, Licenciado, Mestrado, Doutorado Em….
    (Para que conste, Onde trabalho, por não se ser Técnico(a) Superior(a), etc… não se tem direito a ser chamada de drª. ou dr. , tendo até mais Habilitações que muitos, Ridículo.)

  9. Não entendo a importância que é dada a um título.

    Dispenso ser tratado por dr. Em qualquer sitio que vou. Basta o meu nome. Da mesmo forma como trato qualquer outro outra pessoa por sr. Ou sra.
    Acho que basta…

  10. Ironia do destino, dizem que o destino é feito por nós e este caso é prova disso. um gajo que diz quem o conhece é um autodidacta digno de respeito porque é bom em tudo o que faz ao contrário de muitos que andam uma vida inteira na escola e não sabem fazer nada. xô dôtô não é quem sabe fazer é quem tem licença pra fazer asneira. quando as pessoas se deixam cegar pelas luzes da society e querem adornos para aumentar o brilho o que acontece é encandearem-se e acordarem na valeta.

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