Bombeiros criticam “desnorte” no comando da Protecção Civil

Os bombeiros que combatem os incêndios que continuam a afligir a zona centro do país criticam o comando nacional da Protecção Civil, considerando que há um evidente “desnorte” que não ajuda a controlar as chamas.

“Interferência, pressão e desnorte” são as críticas lançadas pelos bombeiros à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), conforme cita o Jornal de Notícias, adiantando que os homens que combatem as chamas no terreno, na região centro, estão “agastados com a estratégia do comando nacional”.

“A revolta e a indignação alastram cada vez mais no terreno”, aponta o JN, quando o vice-presidente da Câmara de Mação, no distrito de Santarém, também critica a chegada tardia de reforços ao fogo que continua a preocupar.

António Louro fala de uma situação “extremamente preocupante” e lamenta que os meios necessários para combater o fogo só chegaram de manhã.

Estas críticas seguem-se às acusações feitas por comandantes da ANPC e ex-comandantes que falam em ingerência política nas escolhas para o comando da Protecção Civil.

Numa reportagem divulgada pela RTP1, no programa “Sexta às 9”, alguns ex-comandantes distritais lamentam que foram afastados para dar lugar a pessoas menos experientes, com ligações ao PS, considerando que este dado ajuda a explicar a tragédia em Pedrógão Grande.

Também já foi notícia que o Governo trocou metade do comando da ANPC, em cima da época de incêndios, e a própria escolha do Coronel Joaquim Leitão para liderar a estrutura, feita por António Costa, motivou o “chumbo” dos generais.

Protecção Civil contesta críticas

A Protecção Civil já respondeu às críticas de bombeiros e autarcas, sobre os meios no terreno no incêndio de Mação, dizendo que houve movimentação de meios para combater situações a que era obrigatório responder.

“Quem está no terreno a combater o fogo dificilmente tem uma percepção global da situação operacional”, considera a adjunta de operações da ANPC, Patrícia Gaspar, em declarações divulgadas pela Lusa.

“Havia várias ocorrências ao mesmo tempo e situações a que tínhamos de responder”, acrescenta a responsável, realçando que “o comando nacional assumiu a coordenação estratégica, pois é isso que está determinado”.

O Presidente da República esteve no posto de comando de Mação, na terça-feira à noite, para dar uma palavra de apoio aos bombeiros. Marcelo Rebelo de Sousa deixou também um apelo às populações para que entendam as dificuldades do combate aos fogos, uma vez que os operacionais têm que acorrer a várias situações em simultâneo.

Chamas ameaçaram casas, hospital e hotel em Setúbal

A cidade de Setúbal também teve as chamas à porta, esta terça-feira, com um incêndio a motivar a evacuação de várias casas e de um hotel.

Familiares de moradores na zona afectada avançaram à agência Lusa que o fogo esteve muito perto do Hospital da Luz, de algumas moradias e até de uma bomba de gasolina na EN 10. A Protecção Civil chegou a pedir às pessoas da zona afectada para se deslocarem para a avenida Luísa Todi ou para outras ruas amplas da cidade.

O incêndio acabou por ser dominado pelos bombeiros, ficando para trás apenas algumas casas danificadas.

Doméstica detida por atear fogo em Castelo Branco

A Polícia Judiciária anunciou que deteve uma mulher suspeita de atear o incêndio florestal de grandes dimensões que deflagrou no domingo, no concelho de Castelo Branco, e que se mantém activo, afectando ainda o município de Vila Velha de Ródão.

A mulher de 50 anos e doméstica foi detida pela Directoria do Centro da PJ, com a colaboração da GNR, por suspeita de “um crime de incêndio florestal em terreno povoado por pasto seco e pinheiros, com utilização de isqueiro”.

Este ano, a PJ já identificou e deteve 40 pessoas pela autoria do crime de incêndio florestal.

ZAP ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Hummm, isto dos incêndios já começa a cheirar mal… o país está num crescendo económico e social, feedback externo é mais do que bom e diáriamente aparecem estas “rasteiras” tipo pop-up vindos do nada e nos sitos mais improváveis??? Muito estranho mesmo… mais a mais com o outubro à porta…

  2. Já repararam? Com a Proteção Civil no comando dos incêndios, certos incêndios só são extintos, quando vem chuva ou muita umidade.
    Os meios de extinção de fogos na mão dos privados, precisam que não venha chuva e de incompetentes no comando das operações. Para esses, está a ser um ótimo ano. E ainda o verão nem vai a meio!
    Deus nos acuda!

  3. Ingerência política nos bombeiros? Mas os bombeiros sempre foram politizados!!! São umas das capelinhas para se ascender a presidente de junta e subir o caminho até ir parar ás listas do parlamento!!!
    E numa zona do país aonde vive o culto ao fascismo e o caciquismo laranja impera ainda têm o desplante de se queixar de colocações políticas do partido socialista?

    É atirar poeira á cara ás populações ou andam a querer que haja ainda mais incêndios?

  4. SE o sistema SIRESP não funciona, logo aí a responsabilidade maior é de quem gere isso!? E depois não venham com a desculpa de que é por falta de limpeza e tal! Se não existe ordem nisto, acham que é por falta de limpeza que a floresta arde!?!? Se o principio é mau…tudo o resto é por acréscimo!! Mas que anarquia este país está metido!! Que desordem…caos..

  5. @Pedro: Já oiço a “lenga, lenga” da “desordem e caos” à 40 anos e, de facto, 40 anos é tempo de sobra para se fazerem bem as coisas!!! Os €€€ não podem nortear o que tem de ser feito (ponto final). Os serviços chave não podem estar na mão de privados. Os anteriores fizeram porcaria, ok. Os anteriores dos anteriores fizeram porcaria, ok, mas agora vão ter de resolver o problema. Azar, caiu no prato deste governo e não daqueles que se lambusaram… São “ossos do ofício”!!! Blindaram o contracto ou este tem contingências??? Quem não se lembra, em 1995, quando a Shell quis afundar uma plataforma em alto mar (para não gastar dinheiro) com o apoio do governo inglês e a greenpeace e a população da europa se levantaram contra estes interesses instalados??? A Shell e o Jonhn Major fizeram braço de ferro durante um tempo e quando viram as vendas a baixar cerca de 20% amocharam e tiveram de trazer para terra a plataforma para ser desmantelada devidamente!!! Dito isto, há 1001 formas de levar àgua ao moinho…

  6. Pelos vistos o desnorte afecta todos os organismos não se percebe o porquê, só sabemos é que o país está em chamas e os incendiários à solta e estes são logo à partida a causa principal dos incêndios, enquanto houver justiça e partidos sempre do lado dos malfeitores estamos tramados e isto irá tudo acabar num deserto sem futuro algum!.

  7. Lembram-se? Nos outros países da União europeia receberam subsídios para produzir.
    Em Portugal recebeu-se para não produzir!
    Arrancou-se vinha, oliveiras, recebeu-se subsídios para , não produzir cereais, abandonar os campos
    Abateram-se navios, etc, etc… Os grandes senhores da nossa política aceitaram tudo de calças na mão e de cócoras, sabe-se lá porquê…
    Lembram-se? Até se tinha que mandar para o lixo, toneladas de fruta pequena e outros produtos, por não ter o calibre que a UE exigia! Pois… Agora temos campos abandonados e fogos incontroláveis…

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