Bielorrússia cortou acesso à internet e tentou fazer com que parecesse um acidente

Yauhen Yerchak / EPA

No seguimento da reeleição de Alexandr Lukashenko na Bielorrússia, multiplicam-se os apagões de internet. O Governo diz que se trata de um ataque cibernético, mas há suspeitas de que seja um plano do presidente.

Os protestos continuam na Bielorrússia após a reeleição do presidente Alexandr Lukashenko. Paralelamente, a internet foi cortada no país, com o líder bielorrusso a justificar que o acontecimento não é obra do seu Governo, mas sim de um adversário estrangeiro não identificado.

A empresa estatal RUE Beltelecom disse que está a trabalhar para resolver as interrupções e restaurar o serviço após “vários ciberataques de intensidade variável”.

Embora os responsáveis bielorrussos garantam que se trata de um ataque de negação de serviço (DDoS), a VICE escreve que, pelos vistos, trata-se apenas de uma desculpa. Quem o diz é a NetBlocks, um grupo de defesa dos direitos digitais que tem monitorizado os apagões.

Os apagões de internet começaram no dia das eleições, no domingo, e continuam até esta terça-feira. Em causa estará um plano levado a cabo pelo Governo para desativar o acesso à internet, impedindo que a população partilhe imagens dos violentos confrontos com a polícia durante os protestos.

“Estamos a assistir ao bloqueio e à limitação do Twitter na Bielorrússia em reação aos protestos contestando o resultado da eleição”, escreveu a equipa do Twitter na rede social. A desconexão da Internet é extremamente prejudicial. Eles violam fundamentalmente os direitos humanos básicos e os princípios da Internet aberta”.

Analistas da NetBlocks identificaram mais de 10 mil palavras-chave usadas para bloquear o acesso a vários sites, tais como YouTube, Twitter e Facebook. Cadeias noticiosas como CNN, Al Jazeera e Fox News também estão bloqueadas no país, escreve a VICE.

De acordo com a NetBlocks, o apagão da Internet não se trata de um mau funcionamento ou uma falha técnica: é o resultado de um plano bem elaborado.

Ainda na semana passada, ativistas previram que Lukashenko cortaria o acesso à internet durante e após as eleições. Como tal, enviaram uma carta aberta ao presidente bielorrusso, apelando para que não o fizesse.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. O Modus operandi é sempre o mesmo.
    No caso da Venezuela, o Maduro cortou não apenas a internet, mas a luz e a água. As pessoas , em vez de irem para a rua manifestar-se, tivera de ver o que arranjavam para comer e beber.
    Técnicas para desestabilizar e desagregar os manifestantes.
    Só espero que acabem com esses diatdorzecos.

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