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Bernie Sanders apoia protestos em Cuba e apela ao fim do embargo económico

Brookings Institution / Flickr

O senador Bernie Sanders

O líder progressista, que foi atacado durante as campanhas presidenciais de 2016 e 2020 por comentários anteriores sobre o governo cubano, saiu em defesa dos protestos.

Bernie Sanders juntou-se ao coro de figuras políticas que apoia os recentes protestos em Cuba, realçando que é hora de acabar com o embargo económico dos EUA ao país.

“Todas as pessoas têm o direito de protestar e de viver numa sociedade democrática. Apelo ao governo cubano que respeite os direitos da oposição e que evite violência. Também já passou da hora de acabar com o embargo unilateral dos Estados Unidos contra Cuba, que só tem prejudicado, não ajudado, a população cubana”, escreveu no Twitter.

Esta semana, milhares de cubanos têm protestado contra a gestão da pandemia pelo governo e contra a falta de água e comida causadas por uma grave crise económica.

O presidente cubano culpou a crise económica no embargo dos EUA, mas Joe Biden não fez referência às sanções económicas no seu comentário aos protestos. “Estamos do lado dos cubanos e do seu ressonante apelo à liberdade e alívio do aperto trágico da pandemia e das décadas de repressão e sofrimento económico a que têm sido sujeitos pelo regime autoritário de Cuba”, afirmou o presidente norte-americano.

Durante a administração de Barack Obama, da qual Joe Biden foi vice, houve uma maior aproximação diplomática a Cuba, tendo Obama sido o primeiro presidente dos EUA a visitar o país em mais de 90 anos.

No entanto, até agora a administração Biden não deu sinais de se afastar das políticas mais duras de Trump, apesar dessa ter sido uma das promessas eleitorais do Democrata. Este ano, o país voltou a votar contra a resolução anual da Assembleia Geral das Nações Unidas que defende o fim do embargo.

Enquanto um dos rostos mais conhecidos da ala esquerdista na política americana, Bernie Sanders foi atacado durante as campanhas presidenciais de 2016 e 2020 por comentários anteriores a elogiar as políticas de saúde e literacia de Fidel Castro.

Vários rivais nas primárias, como Hillary Clinton, Michael Bloomberg ou Pete Buttigieg, acusaram o Senador do Vermont de ser apologista de Castro e desvalorizar a repressão do governo.

“Quando o Fidel Castro assumiu o poder, sabem o que ele fez? Criou um programa massivo de literacia. Isso é uma coisa má? Mesmo tendo sido o Fidel Castro a fazê-lo?”, respondeu Sanders, referindo-se ao programa cubano que reduziu o analfabetismo de 23.6% para 4% entre 1959 e 1961.

Quando confrontado sobre estes comentários em 2016 numa entrevista à CNN, Sanders reforçou que se opõe à interferência dos EUA nos assuntos internos de outros países.

“O que eu disse é que não acho que os Estados Unidos da América têm o direito de derrubar governos. Acho que a Baía dos Porcos foi um desastre, acho que o golpe de estado contra o Salvador Allende no Chile foi um desastre. Os Estados Unidos não têm o direito moral ou legal de derrubar governos e muitas vezes essas tentativas correram mal e trouxeram instabilidade”, afirmou.

Sanders disse também não ser adepto das políticas económicas de Cuba, mas elogiou a qualidade dos profissionais de saúde do país. “Cuba produz muitos médicos que ajudam um pouco por todo o mundo. Queria que tivéssemos médicos suficientes aqui (EUA) para podermos ajudar pelo mundo. O sistema de educação cubano, tendo em conta ser um país pobre, é bastante bom”, rematou.

O senador independente realçou que elogiar certos aspectos das políticas cubanas não significa ser apologista do governo no geral, e durante a campanha de 2020, defendeu-se dos ataques dos rivais nas primárias com um vídeo no Twitter de Obama a elogiar a educação e a saúde em Cuba.

  AP, ZAP //

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