Obama vai visitar Hiroshima (mas não pede desculpa pela bomba)

Pete Souza / White House

O presidente Barack Obama à entrada de um restaurante em Havana antiga, Cuba, 20 de Março de 2016

Barack Obama vai ser o primeiro Presidente norte-americano em funções a visitar Hiroshima, a primeira cidade japonesa destruída por uma bomba atómica. A deslocação acontece durante a sua próxima viagem ao Japão, em maio.

“O presidente vai fazer uma visita histórica a Hiroshima, com o primeiro-ministro Shinzo Abe, para sublinhar o seu compromisso na procura da paz e da segurança num mundo sem armas nucleares”, anunciou a Casa Branca esta terça-feira.

A simbólica visita ocorrerá a 27 de maio, depois de Obama participar numa cimeira do G7 (grupo dos sete países mais industrializados) em Ise-Shima, no sul do Japão, disse o porta-voz Josh Earnest.

O conselheiro adjunto de Segurança Nacional, Ben Rhodes, acrescentou que Obama não vai “revisitar a decisão de usar a bomba atómica” no final da guerra. “Em vez disso, irá oferecer uma perspetiva do que está para vir, focada no nosso futuro partilhado”, indicou o conselheiro.

Há meses que os rumores de uma visita do presidente norte-americano e Nobel da Paz à cidade circulavam no Japão e nos Estados Unidos e aumentaram há algumas semanas quando o secretário de Estado, John Kerry, se deslocou ao local.

“Nunca esquecei as imagens” expostas, que “revolvem o estômago”, confessou Kerry a 11 de abril, após uma visita ao museu da cidade martirizada, que recorda a fornalha nuclear que devastou Hiroshima.

A 6 de agosto de 1945, às 8h15, o bombardeiro norte-americano Enola Gay lançou uma bomba atómica sobre Hiroshima. Pelo menos 140 mil pessoas morreram, incluindo os que sobreviveram à explosão mas não resistiram durante muito tempo às radiações e queimaduras.

A deslocação é um exercício delicado para Obama – que se arrisca a ser criticado nos Estados Unidos, mas que deverá ser bem acolhido no Japão -, mas é também lógica para um presidente que fez do desarmamento nuclear um dos pilares dos seus dois mandatos.

Os ataques a Hiroshima e três dias depois a Nagasaki (74 mil mortos) precipitaram a capitulação do Japão e o final da Segunda Guerra Mundial, a 15 de agosto de 1945.

ZAP / Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Não deixa de ser curioso que os únicos a usar armas nucleares, (um dos maiores atentados terroristas de sempre…) queira um mundo livre delas… Mas… Os EUA continuam com elas (pelo sim pelo não…).
    Nota: na notícia faltou referir-se ás gerações que sofreram e ainda sofrem com as radiações (malformações, cancros, leucemia, etc…). Esses são bem mais que 140 mil pessoas… Estamos a falar de milhões e… continua a contar…
    Os japoneses fizeram um ataque covarde, mas militar (Pearl Harbor) mas os americanos mataram, conscientemente, mlhares de civis inocentes. Acabou a guerra, mas a que preço… Foi aqui que os americanos perceberam que o terrorismo compensa. Mas não é terrorismo se forem eles. Os outros é que são… Pedir desculpa, não chega, nem pouco mais ou menos, mas seria o mínimo que o Prémio Nobel da Paz (que eu saiba o primeiro assassino a ser laureado com este prémio) poderia fazer…

  2. E não tem nada que pedir!
    O que os japoneses fizeram na Segunda Guerra Mundial (principalmente aos países vizinhos), não tem perdão!
    Eles é que tem que pedir perdão a muita gente!!
    Esses japoneses loucos e manhosos, até Timor foram invadir – onde mataram 10% da população (incluindo portugueses)!..

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