Mário Cruz / Lusa

O ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, à chegada ao Tribunal de Monsanto para ser ouvido na fase de instrução do processo de Tancos, em Lisboa, 3 de fevereiro de 2020. O caso do furto das armas em Tancos foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.
Depois de inicialmente ter dito que nunca se tinha encontrado com o diretor da PJM, Azeredo Lopes admitiu que ambos se encontraram antes da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Tancos.
O antigo ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, esteve esta terça-feira presente em tribunal para mais uma sessão do julgamento referente ao caso de Tancos.
Inicialmente, Azeredo Lopes começou por dizer que nunca se tinha encontrado com o diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM). “Nunca tive o telefone do coronel Luís Vieira”, acrescentou o ex-governante.
Azeredo Lopes contou que Luís Vieira mostrou-se desagradado com a decisão da então Procuradora-Geral da República, que passou a investigação do assalto aos paióis para as mãos da PJ civil, escreve o Correio da Manhã. Ainda assim, o diretor da PJM não terá pedido a Azeredo Lopes para o ajudar a reverter a situação.
Apesar de o antigo ministro da Defesa ter dito que nunca se encontrou com Luís Vieira, pouco depois, acabou por admitir um encontro com o coronel no dia 3 de julho de 2017, na véspera da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Tancos.
Azeredo Lopes disse ainda que não foi um encontro secreto, já que o seu chefe de gabinete e o motorista também se encontravam lá. O encontro não foi em casa, mas sim “nas imediações”.
“Sistematicamente a acusação procura pôr-me sozinho com o coronel Luís Vieira”, começou por dizer Azeredo Lopes. “Foi uma conversa testemunhada por motoristas”, acrescentou.
Segundo a acusação do Ministério Público, foi neste encontro que Vieira deu a conhecer a Azeredo todos desenvolvimentos do processo de Tancos e sobretudo o telefonema com a então Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal.
Em relação à visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Tancos, Azeredo Lopes disse que “até rezava para aquilo acabar rapidamente”, descrevendo um “ambiente confuso” em que houve questões concretas sobre a investigação que o coronel Vieira “travou”, escreve o Observador.
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