Autarcas do Norte aceitam novas restrições, mas falam em falta de preparação e coerência por parte do Governo

Estela Silva / EPA

GNR com máscara em Ovar

A maioria dos autarcas do distrito do Porto concorda que era preciso apertar mais as restrições na região norte. Os líderes da câmaras aceitam as decisões com medo da alternativa, mas deixam algumas críticas à conduta do Governo.

O aviso de que “não podemos morrer da cura” é deixado por Marco Martins, que preside à Câmara de Gondomar e à Comissão da Proteção Civil do Distrito do Porto. O autarca era contra fatos as restrições por concelho, mas agora diz concordar com os níveis de diferenciação de risco.

O presidente da Câmara de Gondomar, que sexta-feira passada disse “não” a “Medidas à medida”, por entender que as restrições deviam ser universais, exequíveis e fiscalizáveis, dá luz verde ao plano avançado pelo Governo de dividir o país em quatro zonas de risco.

Ao Expresso explica que “o que defendi é que não fazia sentido medidas concelho a concelho. Neste novo plano, as restrições são iguais em municípios contíguos, o que faz todo o sentido dada a grande mobilidade de pessoas na região”, conclui o autarca, que discorda da proposta do Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, para alargar as restrições para as pontes.

Esta é também a reação de Aires Pereira à sugestão da Ordem dos Médicos. O autarca da Póvoa do Varzim defende que é preciso evitar o confinamento geral do país.

Já o socialista que lidera a AMP e a câmara de Gaia lembra que em tempos de pandemia “não há medidas ideais”, mas acredita que as que entram entra em vigor hoje terão força suficiente para que a curva epidemiológica registe “uma inversão da tendência de crescimento nas próximas duas semanas”, diz Eduardo Vítor Rodrigues.

Para o autarca tem havido “muita abordagem à bazuca”, mas neste momento é preciso perceber que as pessoas estão “é preocupadas em perceber como é que para a semana, daqui a 15 dias e daqui os dois meses vão sobreviver”.

Luísa Salgueiro também aprova a decisão do Governo para as pontes, pois a presidente da Câmara de Matosinhos lembra que grande parte das compras são feitas nos feriados do início de dezembro.

A autarca disse ao jornal Expresso que “aceita e compreende que haja dois níveis de medidas transversais no combate ao surto”, embora faça uma ressalva de princípio quanto aos níveis de risco: “Falta informação concelho a concelho quanto ao número de testes que estão a ser feitos”.

A presidente da Câmara de Vila do Conde é menos condescendente em relação ao Governo. Embora concorde que é preciso restringir o movimento de pessoas na via pública, Elisa Ferraz alerta que a população fica confusa com a divisão do país em quatro níveis, quando as medidas são quase as mesmas.

Alberto Costa, presidente da Câmara de Santo Tirso, considera que as novas restrições são absolutamente cruciais para travar o surto no distrito, até porque acredita que, “se as pessoas as cumprirem, a região vai conseguir diminuir os contágios”, disse ao Expresso.

Em Penafiel, Antonino Sousa não poupa nas críticas à tutela. O autarca social-democrata avisa que, depois “de tantas trapalhadas e tanta falta de coerência nas medidas que vão sendo aplicadas a cada no estado de emergência”, torna-se cada vez mais difícil conseguir a adesão da comunidade.

Na Maia, apesar de estarem a ser exigidos sacrifícios, muita contenção e extrema resiliência à população, António da Silva Tiago avisa que este é um momento de verdadeira emergência e que tudo tem de ser feito para conter o alastramento dos surtos.

Apesar do voto de confiança, Silva Tiago não deixa, porém, de questionar, se o Governo não deveria ter agido mais cedo, até pelo consenso científico de que haveria uma segunda vaga no outono/inverno, planeamento que lembra “foi adormecido no verão”.

O presidente da Câmara de Amarante defende que o importante é agir com eficácia. “Hoje, não nos restam quaisquer dúvidas sobre o défice de preparação e de planeamento entre a primeira e segunda vaga do surto”, lamenta José Luís Gaspar.

Já em Paredes, Alexandre Almeida afirma que já estava à esperas de medidas mais restritivas ou que o estado de emergência seria renovado até estabilizar o número de infetados. “A única novidade foi prolongar as medidas dos fins de semana às pontes de 1 e 8 de dezembro”, referiu o autarca socialista ao jornal.

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