Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sydney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infraestrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da ação climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido acionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, coautores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, coautor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Atualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, diretora do programa global de água do WRI.

As ações globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a ativista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adotadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Bla..bla..bla isto é apenas e tão só uma questão politica se os recursos gastos em armas, festas, corrupção etc forem canalizados para reflorestação a água volta. Só as florestas são criadoras e fixadoras de água!

  2. Não será tão simples meu caro.
    Além disso, quanto mais tarde agirmos, mais difícil será esse retorno.
    Até que a partir de um dia não haverá possibilidade de retorno…

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