Apoio alimentar já não chega para todos. Governo vai criar cartão recarregável para ajudar famílias

O Governo está a preparar um sistema de cartão eletrónico recarregável para ajudar as famílias mais carenciadas do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas a ir ao supermercado comprar bens alimentares.

De acordo com o jornal Público, que ouviu o gabinete da ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, “ao cartão será atribuído um plafond, com periodicidade e regularidade de carregamento”.

Por outro lado, o ministério escusou-se adiantar qualquer data.

Esta mudança surge a reboque da pandemia, que está a semear a pobreza por toda a União Europeia (UE). Em Abril, a Comissão Europeia propôs uma alteração ao regulamento do FEAD, admitindo atribuir apoio através de vouchers/cartões eletrónicos.

O objetivo seria chegar mais facilmente às pessoas no meio de uma crise sanitária, mas também um sinal de mudança de paradigma.

Portugal manifestou interesse, tal como a Roménia e França (para a região de Mayotte). No início deste ano, a Comissão Europeia adotou o ato delegado (com indicadores, requisitos técnicos, rastreabilidade, pistas de auditoria e controlo) e ainda não o publicou.

De acordo com essas orientações, o cartão será usado exclusivamente para bens de primeira necessidade.

“Portugal tem procurado junto da Comissão Europeia esclarecer todos os detalhes para implementar este modelo de forma compatível com a segurança exigida pelas regras comunitárias”, esclareceu o gabinete de Ana Mendes Godinho.

“A utilização do cartão eletrónico tem como objetivo reduzir a estigmatização muitas vezes associada às famílias carenciadas, através da implementação de um modelo de consumo e de acesso a bens alimentares em igualdade de circunstâncias com famílias não carenciadas”, referiu o gabinete.

Além disso, pretende-se “incentivar a autonomia, a autodeterminação e o desenvolvimento de competências sociais, através da possibilidade das famílias carenciadas poderem gerir o orçamento que lhes é atribuído, planear as suas refeições e selecionar os alimentos de acordo com a sua preferência”.

O programa prevê ainda que a ajuda material seja complementada com acompanhamento técnico.

Com a pandemia de covid-19, o Governo decidiu alargar progressivamente a oferta de cabazes de 60 mil para 120 mil beneficiários, mas o universo de pessoas elegíveis em várias partes do país já ultrapassa a oferta.

O gabinete de Ana Mendes Godinho não nega a situação, mas diz que, “nos territórios e entidades em que a capacidade seja atingida, está assegurada a possibilidade de se alargar a capacidade de apoio pelas vias alternativas ao POAPMC, de forma a garantir resposta a todas as situações de carência alimentar das famílias”, respondeu, aludindo às cantinas sociais e aos serviços de ação social, que podem atribuir apoios pontuais para despesas básicas, inclusive de alimentação.

Maria Campos, ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Não tarda que não estejamos como na Venezuela, filas de pessoas na “sopa dos pobres” para se alimentarem. Até aqui eram os sem abrigos, de futuro serão todos os que perderam o emprego do setor privado por falta de politicas de investimento para o privado e ser o Estado (vulgo: governo esquerda) a querer substituir-se ao Privado.
    Revejam a história e indaguem porque razão apareceu em 1926 o governo de Salazar.

  2. Absurdo!! Inflelizmente dar um cartão recarregável para as pessoas poderem escolher o que querem leva a muitos sem abrigos alcoólicos optarem por vinho em vez de alimentação, por outro lado o recurso a alimentos mais apetecíveis levará a desequilíbrios alimentares e mais tarde a problemas de saúde bem patente na comunidade da qual não se pode falar.

        • Exmo Sr.
          Aprecio a sua boa vontade, mas não leu (parece-me) bem a notícia.
          É que para além da falta de produtos que permitam esse tal equilíbrio alimentar dos cabazes, há um outro problema: o da dignidade pessoal.
          É que ir levantar os cabazes ou ir à loja com um cartão que permita fazer determinadas compras (As recomendadas) pode ferir a dignidade de pessoas que até agora tinham trabalho e que veem na necessidade de recorrer à (“sopa dos pobres”).
          Penso que o cartão recarregável, pese embora os riscos dos alcoólicos, é uma boa solução.
          Resta saber quanto tempo demora a pôr em prática, não vá ser mais uma promessa sem meta de conclusão.

  3. Bem, isto é bem complicado, e não encontramos nos serviços nenhuma resposta para isto, dar dinheiro não é solução, dar comida feita também não é solução, dar cartão com dinheiro também não é solução, pois então qual é a solução? no meu ponto de vista é a educação! existem pessoas doentes, dependentes, de vários ( vícios) que custam muito dinheiro e não conseguem ultrapassar, essas pessoas tem que ser ajudadas, existem as pessoas que infelizmente a vida correu mal, e para essas a solução que há neste momento é torná-las pobres e depois dar-lhe um prato de sopa, porque enquanto houver penas para depenar não as deixam, há muita caridade cheia de manobra económica, economia, economia, economia. Agora vou falar da realidade como ela é real vivida por mim, ajudo um rapaz dependente do vicio do álcool e do tabaco, e o maior entrave que eu encontro está na sociedade, e nos serviços que o deviam ajudar, e eu sei qual é a solução, mas os serviços parecem estar formatados para terem muitos dependentes, porque no meu ponto de vista dar esmola é isso! eu pergunto-vos, porquê? cada um analisa por sí .

  4. acho bem que se ajude quem não tem meios para comprar comida. Mas tem de se agir depressa. Não tarda vai haver filas de pessoas a pedir comida nas ruas.

  5. Não, não quero que percam o emprego, quero que tirem o rabo da cadeira e que façam o trabalho para o qual lhe pagam, dar dinheiro é o mais fácil de fazer, sobre tudo quando o dinheiro é dos outros, dou muito louvor a quem dá, mas mais uma vez quem entrega não tira o rabo da cadeira e muitos alimentos vão parar ao caixote do lixo, não estou a mentir já vi! não desfazendo daqueles que aparecem na televisão a dar aquilo que os outros deram, porque eles e elas não dão nada a ninguém, existem neste momento mais por causa da pandemia diferentes necessidades, e não as devemos ver por igual, o problema é que as pessoas que vão trabalhar nisto são as mesmas, e elas tratam os pobres todos por igual, e há muitos tipos de pobreza, devemos ter respeito por todos, insisto, a educação, e gerir quem não sabe, ou não consegue, é o melhor.

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