André Silva saiu ao ataque num discurso com farpas para todos os partidos

Manuel Farinha / Lusa

O líder do Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN), André Silva

O porta-voz do PAN afirmou, esta quinta-feira, que Portugal poderia estar “mais à frente, não fosse a força do travão do conservadorismo ideológico” do PCP, PSD e CDS-PP. Mas também houve críticas para o Bloco de Esquerda e para o PS.

Tal como escreve o Observador, André Silva guardou para o penúltimo dia do período oficial de campanha eleitoral o seu discurso mais ‘quente’, aproveitando para deixar farpas a todos os partidos com assento parlamentar.

O porta-voz do PAN iniciou o seu discurso com um minuto de silêncio em memória de Freitas do Amaral, que considerou ser uma “figura incontornável da nossa democracia” e que teve um papel “extremamente importante na consolidação de Portugal na União Europeia”.

Homenagem feita, André Silva começou mesmo por atacar o CDS, partido que Freitas do Amaral ajudou a fundar. Em Palmela, naquele que foi o único comício do partido, o líder do Pessoas, Animais e Natureza acusou o partido de Assunção Cristas de ser “dos partidos mais perigosos e extremistas ao representar a homofobia, a transfobia e o incitamento ao ódio, através de uma linguagem carregada de intolerância”.

“Imagine-se, o CDS, um partido presidido por uma mulher que defende a condenação das mulheres que decidem interromper a gravidez por entenderem não ter condições de a suportar, no âmbito do direito que têm sobre o seu corpo e a direção da sua vida. O CDS é um partido que assim ataca e humilha as mulheres do nosso país”, acusou André Silva, citado pelo jornal online.

“É o mesmo partido que nega ver reconhecidos direitos humanos fundamentais a pessoas com identidade de género ou orientação sexual que não encaixam nos seus critérios marialvas. Para quem tanto enfatiza a família, querem proibi-la, negando e violando direitos elementares. Isto sim, é um insidioso ataque às pessoas e aos valores de uma sociedade do século XXI”, criticou.

“O CDS parou no tempo, naquele tempo em que infligir sofrimento era um exercício de afirmação e uma demonstração de virilidade. Aliás, a líder do CDS compara a tourada a um bailado. A nossa sorte é o CDS não ter parado no tempo em que os homens eram atirados aos leões”, disse ainda o líder do PAN, numa referência às touradas.

Crise climática “não se resolve a mudar a caldeira”

A próxima vítima seria o PSD e o seu líder Rui Rio, que André Silva acusou de querer “criminalizar os jornalistas por exercerem a sua profissão”.

“O PAN, aquele partido que é frequentemente acusado de não saber do que fala, ao ver Rui Rio a querer matar o mensageiro, dá por si a pensar: será que vão dizer de Rui Rio o que dizem do PAN?”, questionou.

“Ou não sabe do que fala ou não sabe o que é a democracia. É que não há democracia sem jornalismo”, acusando Rio de levar a cabo “um feroz ataque a um dos pilares essenciais do jornalismo, que é o direito a preservar o anonimato da fonte”, cita o Observador.

Sobre as presenças fantasma no Parlamento e o episódio da falsificação das assinaturas,  o líder do PAN afirmou ainda que o conceito de seriedade do PSD “é fantasmagórico”. “Se houvesse sondagens sobre a intenção dos partidos em enganar os portugueses, certamente que o PSD estaria numa melhor posição do que aquela em que se encontra”.

E, como seria de esperar, André Silva não podia deixar passar em branco o episódio da caldeira ecológica no debate com o líder social-democrata. “Alguém que diga ao Dr. Rui Rio que o principal desafio das nossas vidas não se resolve a mudar a caldeira“.

“PCP parece o irmão gémeo do CDS”

E foi através do PSD que o porta-voz do PAN passou ao ataque contra os comunistas. “Se Rui Rio ainda muda de caldeira, o PCP não muda nada. Em matéria ambiental é uma verdadeira desilusão. O PCP, tal como Trump, não reconhece valor ao Acordo de Paris”.

Segundo o Observador, no mesmo dia deste comício, André Silva já tinha deixado duras críticas ao partido Os Verdes, que estão coligados com os comunistas na CDU, considerando que são uma “ficção política” que já passou da “validade”.

O cabeça de lista do PAN por Lisboa criticou ainda a benevolência do PCP com regimes comunistas, dando como o exemplo o caso da China, “essa democracia de partido único, onde não existe liberdade de imprensa ou religiosa, que viola diariamente os direitos humanos fundamentais, sobejamente conhecido por caçar opositores políticos”.

“Felizmente o PCP não caça opositores políticos, mas apoia o baronato da caça, matilheiros, monteiros, criadeiros e demais agressores da vida animal. E dou por mim a pensar que o PCP parece o irmão gémeo do CDS de quem foi separado à nascença. E o PAN é que tem problemas com a ideologia”, atirou.

Sobre estes três partidos, André Silva considerou ainda que o país “poderia estar mais à frente, não fosse a força do travão do conservadorismo ideológico” do PCP, PSD e CDS.

A atuação do BE e as linhas vermelhas para com o PS

As críticas de André Silva também não pouparam o Bloco de Esquerda, que acusou de fazer “ginástica suficiente para correr na pista da direita”.

O porta-voz do PAN acusou os bloquistas de serem de esquerda e de direita, “não tivesse o Bloco suportado a política económica de Mário Centeno, o governante mais popular no eleitorado da direita e que até Rui Rio gostaria de ter como ministro”.

Sobre o Partido Socialista que, de acordo com as sondagens, ganhará as eleições Legislativas, mas sem maioria absoluta, muito se tem falado da possibilidade de o PAN dar apoio a um novo Governo. Mas André Silva já deixou bem claras quais serão as suas linhas vermelhas.

“O PAN nunca aceitará viabilizar um Governo que quer explorar petróleo no nosso país, um Governo que assine contratos para a construção de aeroportos antes de fazer avaliações de impacto ambiental; um Governo que não compense aqueles que trabalham à noite ou por turnos; que continue a não apresentar medidas sérias de combate à corrupção; ou que continua a ter vergonha da agricultura biológica”.

Referindo que o PAN foi o partido que “mais sofreu campanhas de ‘bullying’ e desinformação mediática”, André Silva vincou que todos os partidos com assento parlamentar “não têm sido capazes de ler o momento” que se vive e de oferecer “respostas aos desafios” do tempo.

Para o porta-voz do PAN, o problema não se pode resumir “em ser-se de esquerda ou de direita”, considerando que a ideologia traduz-se “em políticas insuficientes e castra a evolução”. “A ideologia desilude por não acompanhar uma sociedade em permanente movimento”, acrescentou.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Afinal, André Silva já descobriu alguns erros ao governo de Costa.
    Embalado pelas sondagens, já fala mais grosso, recorre à ironia e joga ao ataque. Prepara-se para o futuro, acreditando que participará no futuro governo, tomando o lugar que em princípio estaria destinado ao BE ou ao PCP.
    Pode ser que se engane ou não, mas dificilmente se safará de ser manietado pelo abraço de urso de António Costa e de se desorientar falta de alicerces ideológicos sólidos que o levam a abanar conforme os ventos.

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