LUDOVIC MARIN ; POOL/EPA

O Presidente francês, Emmanuel Macron.
“Liberdade nunca esteve tão ameaçada” desde o fim da II Guerra Mundial, disse o presidente francês. Se aprovado, reforço na Defesa duplicará numa década as despesas francesas nessa área.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou este domingo que “a liberdade nunca esteve tão ameaçada” desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945, e “nunca a paz” na Europa “dependeu tanto das decisões atuais” dos governantes.
Num discurso dirigido às Forças Armadas, na véspera da Festa Nacional Francesa, Macron evocou os “imperialismos e as potências de anexação”, como a Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, e lamentou que os Estados Unidos tenham “acrescentado uma espécie de incerteza”.
“Nunca como hoje a paz no nosso continente dependeu tanto das nossas decisões atuais”, disse.
Segundo o chefe de Estado francês, a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial está cada vez mais fragilizada e, “como não há mais regras, prevalece a lei do mais forte”.
Para Emmanuel Macron, a França necessita de “enfrentar muitos desafios para se manter livre, dona do seu destino”. Contudo, “para ser temido, é preciso ser poderoso”, assinalou.
Macron tem a pretensão de reforçar até 2027 o orçamento da Defesa com 6,5 mil milhões de euros, para totalizar 64 mil milhões de euros.
Se o Governo francês conseguir aprovar a nova dotação de 6,5 mil milhões de euros em dois anos na Assembleia Nacional, as despesas francesas com defesa terão duplicado numa década, de 32 mil milhões em 2017, quando Macron assumiu o cargo, para 64 mil milhões em 2027.
Segundo Macron, os recursos adicionais destinam-se a financiar reservas de munições, armas de precisão, ‘drones’, “capacidades espaciais”, mas também o “equipamento necessário no dia-a-dia para que as operações sejam realizadas” — mas o chefe de Estado francês assegurou que o gasto extraordinário em defesa não será financiado com a emissão de dívida pública.
Os fundos suplementares serão também utilizados para aumentar a defesa em terra e no ar e a guerra eletrónica.
Aos militares, o Presidente francês prometeu melhores salários. “Para sermos livres neste mundo, temos de ser temidos. Para sermos temidos, temos de ser poderosos”, referiu, insistindo que a França pode encontrar dinheiro para gastar mais com as Forças Armadas mesmo quando tenta reduzir a dívida.
Os partidos conservadores e de extrema-direita têm apoiado maiores gastos em defesa, enquanto os partidos de esquerda acusam o Governo de sacrificar benefícios sociais em prol de gastos militares.
ZAP // Lusa
Um alarve destes, é dos que acredita que a paz não se faz pelo diálogo, compreensão, e consessões mutuas, quando necessário, mas pela porrada.
A lógica de guerra está a dar cabo das nossas cabecinhas. No mundo pacífico e democrático interessa a alguém ser temido? Isso só interessa aos grandes ditadores. Este discurso é revelador do que está a acontecer às nossas democracias. Vamos de mal a pior. Quem teme não é livre. Quem é livre não teme.