Âncoras romanas descobertas no fundo do mar em Carcavelos

Greg McFall, ONMS / NOAA / Flickr

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Uma equipa de arqueólogos subaquáticos encontrou, entre 2012 e 2013, vários vestígios romanos no fundo do mar em Carcavelos, concelho de Cascais, entre os quais vários tipos de âncora dessa época, foi hoje anunciado.

Os resultados, apresentados esta sexta-feira no Museu do Mar Rei D. Carlos, foram obtidos no âmbito do projeto de elaboração da Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Cascais, desenvolvida pela câmara e pelo Centro de História d’Aquém e d’Além Mar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o investigador Jorge Freire explicou que a sondagem arqueológica feita em 2012 e 2013, entre São Julião da Barra (Oeiras) e Carcavelos, permitiu “reforçar a presença de vestígios romanos no fundo do mar”.

“Encontrámos vários tipos de âncora e outros elementos de navegações, provenientes de naufrágios, que remontam ao período romano, mas claro que há outros mais recentes”, explicou.

Jorge Freire explicou que a primeira intervenção feita em São Julião da Barra ocorreu há 15 anos e, agora, foi possível retomar a sondagem arqueológica e descobrir novos vestígios.

jorge.freire.106 / Faacebook

O arqueólogo Jorge Freire, do Centro de História d'Aquém e d'Além Mar da FCSH / UNL

O arqueólogo Jorge Freire, do Centro de História d’Aquém e d’Além Mar da FCSH / UNL

O projeto da Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Cascais prevê uma investigação subaquática ao longo de cerca de 30 quilómetros de extensão, entre São Julião da Barra e o Cabo da Roca (Sintra).

Além da zona de Carcavelos, já foi investigado o fundo do mar entre a Baía de Cascais e a Guia. Por explorar está ainda a zona entre a Baía de Cascais e o Cabo da Roca.

Âncoras, canhões, material de navegação e mobiliário de bordo são a maioria dos vestígios encontrados, provenientes de possíveis naufrágios.

“A costa de Cascais é bastante rica em canhões e isso explica-se por ser o canal principal de entrada em Lisboa“, acrescentou Jorge Freire.

Depois de a equipa de mergulhadores detetar os vestígios, contou o investigador, é feita uma avaliação por peritos arqueológicos, que conseguem determinar a sua época e, por conseguinte, o seu valor cultural.

“Algumas peças em perigo são retiradas do mar e recuperadas, mas a intenção maior é manter os vestígios onde estão e enriquecer o fundo do mar para fins turísticos, porque há cada vez mais pessoas a fazer mergulho”, acrescentou também o investigador António Fialho.

O projeto, em curso desde 2009, visa a recolha de dados históricos e arqueológicos e a intervenção sobre sítios e achados já referenciados.

/Lusa

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5 COMENTÁRIOS

    • Caro DNF,
      Obrigado pelo seu reparo, que nos levantou a dúvida.
      Pensamos ser correcta a informação da Lusa, “âncoras, canhões, material de navegação …”, ou seja, artefactos que seria de esperar encontrar num naufrágio.

  1. Desculpem intervir, mas… Não necessariamente, uma vez que as ânforas eram produzidas em grande escala e transportadas/exportadas em embarcações, principalmente no período romano, algumas até a partir de uma região proxima de Alcochete, nessa altura banhada pelo Tejo… Peço-vos, por favor, que investiguem melhor junto de arqueologistas ou peçam à Lusa uma melhor fundamentação.

    Eu não sou arqueologista, mas fiz trabalhos de escavação nessa tal zona Alcochete e, quanto a mim, faz muito mais sentido serem, afinal, ânforas (material de barro) do que âncoras (meterial de ferro), porque nesta zona do Tejo dominava-se a indústria do barro… Mas posso estar equivocado!

    Obrigado!

  2. Ânforas (e não âncoras) – trata-se de vasos fabricados em barro ou terracota para o transporte e armazenamento de líquidos, como o vinho, o azeite ou a água, mas também para os frutos secos, o mel, os cereais ou outros géneros de consumo, como a salmoura. Esta era um modo de conserva de alimentos como carne, peixe, ou os frutos, que eram conservados e transportados nas ânforas, cobertos de sal ou em camadas. As ânforas tinham normalmente a forma ovóide, podendo ter 2 asas simétricas. Na parte inferior acabavam em ponta, ou em pé estreito.

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