Amnistia Internacional denuncia tortura policial em Hong Kong

Miguel Candela / EPA

A Amnistia Internacional denunciou o abuso cometido pelas forças policiais contra os manifestantes que participam nos protestos pró-democracia em Hong Kong, e exigiu uma investigação independente.

A Amnistia Internacional denunciou esta quinta-feira a existência de “prisões arbitrárias, espancamentos brutais e tortura nas detenções policiais” durante as manifestações antigovernamentais em Hong Kong. A organização não-governamental alerta ainda para o que apelida de “padrão alarmante” de violência.

Para este relatório, a ONG de defesa dos direitos humanos realizou entrevistas com 21 detidos, que pediram para não serem identificados, com medo de possíveis represálias, além de advogados e profissionais de saúde.

“Quase todos os entrevistados descreveram ter sido espancados com cassetetes durante a detenção, mesmo que não representassem uma ameaça”, sendo que “85% dos entrevistados foram hospitalizados como resultado da agressão e três passaram pelo menos cinco dias no hospital”.

No relatório agora publicado, a ONG citou o caso de um homem que disse ter sido alvo de tortura depois de recusar responder a uma pergunta da polícia durante o interrogatório. “Senti que as minhas pernas foram atingidas por um objeto muito duro. Depois um agente pôs os seus joelhos no meu peito. Senti a dor nos ossos e não conseguia respirar. Tentei gritar, mas não conseguia”, disse o entrevistado.

O documento referiu também o caso de uma jovem que foi detida num protesto em Sheung Wan, em julho, e que diz ter sido espancada nas costas enquanto fugia de uma carga policial. “O uso da força foi claramente excessivo, uma violação da lei internacional de direitos humanos”, afirmou o diretor da AI para o leste da Ásia, Nicholas Bequelin, citado no relatório.

A ação da polícia de Hong Kong para controlar os manifestantes na rua “tem sido transmitida em direto para o mundo ver“, mas “muito menos visível tem sido a abundância de abusos da polícia contra manifestantes detidos”, afirmou Bequelin.

A AI “pede uma investigação independente e imparcial que resulte em acusações, justiça e reparação, uma vez que existe pouca confiança nos mecanismos internos existentes”. Um inquérito independente à repressão policial é uma das cinco exigências dos manifestantes, que até agora só conseguiram uma: a retirada oficial, anunciada a 4 de setembro, de uma controversa proposta de alterações à lei de extradição.

Os protestos em Hong Kong começaram em junho, antes do Conselho Legislativo (parlamento) iniciar o debate da controversa proposta, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A suspensão inicial da proposta não acalmou os protestos antigovernamentais, que se intensificaram nos últimos três meses, com confrontos entre polícia e manifestantes cada vez mais violentos, na pior crise política desde a transferência de soberania da antiga colónia britânica para a China.

Os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda também a outras três reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, e, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição de um sucessor por sufrágio universal.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas“.

Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP ZAP // Lusa

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