Líder de Hong Kong deixa cair oficialmente a lei da extradição

Jerome Favre / EPA

Carrie Lam cedeu. A líder do governo de Hong Kong deixou cair formalmente a lei de extradição que esteve na origem dos protestos que duram há vários meses e deixaram a cidade numa das piores crises em décadas.

A informação de que o anúncio estaria para breve foi avançada pelo Finantial Times e por vários media locais e foi confirmada por uma fonte governamental à Reuters. De acordo com o South China Morning Post, o anúncio desta decisão deveria mesmo estar para acontecer nas próximas horas – o que realmente aconteceu.

A notícia de que Carrie Lam retiraria formalmente a lei de extradição teve efeito na bolsa de Hong Kong, que fechou 3,90% mais alta.

Os protestos na ex-colónia britânica começaram em junho por causa da lei, que teria permitido a extradição para a China continental, onde os tribunais são controlados pelo Partido Comunista. Mas, desde então, as manifestações evoluíram para um protesto por mais democracia.

O cancelamento oficial da lei da extradição, suspensa há vários meses, é apenas uma das cinco exigências dos manifestantes, que pedem também uma comissão de inquérito para investigar a conduta policial durante os protestos, amnistia aos que estão detidos, o fim da definição dos protestos como motins e retomar o programa de reformas políticas.

Os protestos em Hong Kong têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que tem usado balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo. A 1 de julho, alguns manifestantes chegaram a invadir o Parlamento.

Numa conferência de imprensa esta segunda-feira, a polícia de Hong Kong anunciou que desde o início dos protestos pró-democracia foram detidas 1.117 pessoas, 159 das quais no fim-de-semana, marcado por manifestações não autorizadas e confrontos violentos.

Dos 159 detidos, 132 são homens e 26 mulheres entre os 25 e os 38 anos, adiantaram as forças de segurança numa conferência de imprensa, durante a qual se destacaram os atos de vandalismo de alguns “manifestantes radicais”.

O South China Morning Post cita ainda uma fonte do Governo que indica que ao cancelar formalmente esta legislação, Carrie Lam pretende “simplificar a agenda legislativa”, tratando-se de um “procedimento técnico” para a reabertura do Parlamento depois das férias, em outubro.

Em 1997, quando Hong Kong foi transferida para a República Popular da China, o lema “um país, dois sistemas” foi adotado, sendo que os manifestantes argumentam que este projeto de lei da extradição pode vir colocar em causa este princípio. Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário. O Governo central chinês é responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP //

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