Alexandre Poço é o novo líder da JSD. Rio quer “melhor colaboração” entre a jota e o partido

O deputado Alexandre Poço é o novo presidente da Juventude Social-Democrata (JSD), sucedendo no cargo a Margarida Balseiro Lopes, que há dois anos foi a primeira mulher eleita para este cargo.

De acordo com a página oficial da JSD no Facebook, Alexandre Poço foi eleito presidente desta estrutura autónoma do PSD, derrotando a também deputada Sofia Matos, atual secretária-geral da jota.

Alexandre Poço conseguiu cerca de 53% dos votos dos 599 delegados votantes (317 votos), contra os 278 votos (46,4%) obtidos pela deputada Sofia Matos, tendo-se registado quatro votos em branco.

Alexandre Poço, 28 anos, natural de Oeiras (Lisboa), é consultor e um dos cinco vice-presidentes da JSD e líder da distrital de Lisboa desta estrutura.

Licenciado em Ciências da Comunicação, foi eleito deputado nas últimas legislativas por Lisboa. Nas recentes eleições internas do PSD, esteve inicialmente ao lado do vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, e na segunda volta apoiou o antigo líder parlamentar Luís Montenegro.

Tal como a sua antecessora, Alexandre Poço foi um dos deputados do PSD que votou contra o fim dos debates quinzenais.

Sofia Matos, 29 anos, foi mandatária nacional para a Juventude de Rui Rio na disputa interna de janeiro pela liderança do PSD.

Em resposta a perguntas enviadas pela Lusa na semana passada, Alexandre Poço elegeu como prioridade para o seu mandato o emprego jovem, considerando que “sem emprego, ou com salários miseráveis, sem acesso facilitado à primeira habitação, a independência dos jovens torna-se muito difícil”.

“Estamos a ultimar medidas e iniciativas legislativas que promovem a contratação de jovens e o seu acesso à primeira habitação, como por exemplo a que isenta a Taxa Social Única (TSU) no início da carreira, sem perda dos benefícios sociais associados, e a criação do IRS jovem até aos 30 anos, nos cinco primeiros anos de atividade profissional”, destacou.

Já sobre a relação com a atual direção, Alexandre Poço salientou que “nenhuma candidatura promovida por uma liderança nacional do PSD alguma vez conseguiu controlar a JSD”, considerando que tal “seria a negação da jota”.

“A JSD é uma organização independente e tem permanecido assim ao logo dos anos. Esta tem sido uma das nossas principais forças. É verdade que muitos líderes do PSD se sentem tentados a controlar a jota, vários tentaram, mas nenhum conseguiu”, respondeu Alexandre Poço, recordando a relação tensa entre o então líder do PSD Cavaco Silva e o presidente da JSD Pedro Passos Coelho.

A eleição do novo líder da JSD decorreu em moldes diferentes do habitual devido à pandemia de covid-19. Habitualmente, a votação decorre presencialmente, no último dia do congresso, mas desta vez o XXVI Congresso Nacional decorreu por via telemática (à distância).

Já as votações dos cerca de 600 delegados eleitos foram descentralizadas por todo o país, nas sedes distritais, entre as 12h às 19h de domingo, com máscara de proteção individual obrigatória para votar.

O congresso esteve inicialmente marcado para 17, 18 e 19 de abril, mas foi cancelado devido à pandemia, tendo a campanha decorrido sobretudo via redes sociais.

Rio quer “a melhor colaboração” entre a jota e o partido

O presidente do PSD saudou este domingo a JSD por ter conseguido realizar um Congresso à distância em tempos de pandemia, e desejou que esta estrutura possa, com “lealdade e disciplina”, colaborar nas autárquicas do próximo ano.

Numa curta mensagem transmitida na sessão de encerramento do 26.º Congresso da JSD, mas que disse ter sido gravada antes de saber os resultados que consagraram Alexandre Poço como novo líder, Rio prometeu olhar para o exemplo do congresso que a jota realizou online entre sexta-feira e este domingo, “num contexto muito difícil, quase impossível”, devido às restrições impostas pela covid-19.

“A JSD conseguiu uma atitude pioneira, o partido e eu próprio vamos olhar para ela, pode abrir a porta a reuniões do partido que têm estado suspensas e, que a funcionar bem, podem ser reativadas”, disse.

José Coelho / Lusa

O líder do PSD, Rui Rio

Rui Rio cumprimentou “os que vierem a ganhar” e desejou que, quer vencedores quer perdedores, possam “honrar a história da JSD”. “Uma organização política que debate, não só, mas fundamentalmente os temas ligados à juventude, mas que o faz com lealdade e com disciplina relativamente àquilo que é o partido, a JSD tem autonomia, mas não tem independência, é uma organização integrada no PSD“, salientou, dizendo esperar “a melhor colaboração” com a nova direção.

O presidente do PSD apontou as autarquias como “um excelente ponto para se iniciar uma carreira política”, dizendo esperar que, nas eleições do próximo ano, elementos da JSD possam vir a integrar, como habitualmente, as listas do partido particularmente para as freguesias.

Numa intervenção em direto no encerramento dos trabalhos, Alexandre Poço respondeu positivamente ao desafio lançado pelo líder social-democrata. “A JSD estará ao lado das nossas candidaturas e terá uma postura de trabalho, de entrega, de desenvolver os nossos melhores quadros para que o PSD conte com os seus melhores jovens para os desafios de cada freguesia e de cada município em outubro do próximo ano”, assegurou.

Alexandre Poço garantiu ao líder do PSD que poderá “contar com a JSD na sua capacidade de irreverência, coragem e liberdade para, ao lado do partido, construir uma alternativa” ao atual Governo e ao PS.

“Dr. Rui Rio, digo com toda a abertura, com toda a sinceridade, terá na JSD uma estrutura aguerrida com coragem e vontade de garantir que o nosso país tem muito mais futuro e que as novas gerações contam com o PSD e a JSD para cumprir o desejo de um país que funcione para cada um de nós”, afirmou, defendendo a importância de voltar a colocar em funcionamento o chamado “elevador social”.

Alexandre Poço elogiou igualmente “a lição de modernização e capacidade de adaptação da JSD” e cumprimentou quer a sua adversária, Sofia Matos, quer a sua antecessora, Margarida Balseiro Lopes, que classificou como “uma das dirigentes políticas com melhor talento e qualidade para a prática do serviço público”.

Margarida Balseiro Lopes, que já completou 30 anos – idade limite para militar na jota -, foi eleita em abril de 2018 e tornou-se a primeira mulher a chefiar esta estrutura.

ZAP // Lusa

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