Alegre e Vera Jardim acreditam que os votos da esquerda “mataram” uma nova geringonça

António Cotrim / Lusa

Uma sessão plenária, com deputados na Assembleia da República

Incrédulos com o voto contra do PCP, os históricos socialistas Manuel Alegre e José Vera Jardim não acreditam que possa voltar a haver uma solução governativa com o apoio dos partidos de esquerda.

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Em entrevista à TVI, na quarta-feira à noite, Augusto Santos Silva admitiu a possibilidade de uma repetição da geringonça após as próximas eleições, com uma configuração distinta no caso de o PS não conseguir atingir a maioria absoluta.

Manuel Alegre e José Vera Jardim concordam que esta seria a hipótese “desejável”, mas consideram que será “muito difícil” que possa voltar a acontecer a curto prazo.

“Há uns anos foi possível acabar com o trauma de que as esquerdas não podiam convergir. Agora, com este chumbo do OE pelos partidos à esquerda do PS, especialmente pelo PCP, esse trauma voltou. Acho muito difícil que exista uma nova convergência a curto prazo”, disse Manuel Alegre, em declarações ao jornal Público.

Alegre não compreende o voto contra dos comunistas a um Orçamento do Estado que “respondia a muitas das vontades” do partido.

“Acho que não foram as propostas apresentadas que motivaram o voto contra do PCP, mas sim razões políticas“, admitiu o histórico socialista.

“Penso que estão convencidos que têm perdido votos por estarem, de alguma forma, aliados ao PS e mudaram a sua posição. Não creio que esse declínio se deva a isso”, acrescentou.

Caso se venham a realizar eleições antecipadas, Manuel Alegre adivinha “uma eleição dura para esquerda, até porque a direita está mobilizada por achar que o que aconteceu em Lisboa nas autárquicas se possa repetir no país”.

Quanto ao PS, o seu partido, tem de “renovar-se”. “António Costa tem de ouvir as pessoas. Ouvir as pessoas das universidades, da cultura, da sociedade em geral. Tem ouvir os velhos, os mais experientes, que nos últimos tempos não tem ouvido. Não pode ir [a eleições] com os mesmos. Tem de haver muito trabalho”, rematou o poeta.

Apesar de considerar que em política não há impossíveis, Vera Jardim também acha “muito difícil que volte a existir uma nova convergência de esquerdas a curto prazo”.

“O voto contra do PCP a um OE que respondia a um conjunto de exigências é incompreensível. E mais incompreensível é quando o país vive numa espécie de crise perfeita, quando se vivem tempos muito difíceis”, salientou, ao mesmo jornal.

Vai mais longe ao afirmar que o voto dos comunistas “é irracional“. “E quando o irracional existe é muito difícil recuperar a racionalidade.”

  ZAP //

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