ADSE aumentou preços no Algarve para evitar partos em Espanha. Agora, vai mudá-los em todo o país

O conflito com os prestadores de serviços de saúde que têm convenções com a ADSE, no âmbito das novas tabelas de preços, foi motivado pelo aumento dos pagamentos pelos partos no Algarve. É o que diz a presidente da ADSE que explica que foi preciso evitar que as pessoas fossem “a Espanha ter os partos”.

A “ADSE foi confrontada com deixar de ter partos no Algarve” e, por isso, resolveu aumentar os preços a pagar por estes procedimentos aos prestadores de serviços desta região, com os quais tem convenções.

E foi essa situação que despoletou a revolta dos prestadores do resto do país, nomeadamente dos grupos CUF e Luz Saúde, no âmbito das novas tabelas de preços.

Esta explicação é dada pela presidente da ADSE, Manuela Faria, numa entrevista ao Dinheiro Vivo.

As novas tabelas de preços das convenções com a ADSE estavam a ser preparadas desde 2017, mas só começaram a ser aplicadas no primeiro dia deste mês de Setembro, apesar do conflito com a CUF e a Luz Saúde que anunciaram a exclusão de vários actos médicos desses acordos.

Manuela Faria nota que, na base do desagrado destes grupos, está uma adenda ao acordo feito entre a ADSE e o Hospital Particular do Algarve, definindo pagamentos mais altos para os partos.

“Mesmo na recta final, houve algum desconforto por parte dos prestadores, que nunca tinha havido”, destaca a presidente da ADSE na entrevista.

“Verificámos que os partos não eram mexidos desde 2013, 2014, e sabemos que tem havido custos acrescidos relativamente a pessoal e a uma série de coisas”, aponta a presidente da ADSE, frisando que se concluiu que “os partos deviam ser alterados”.

“Até porque têm entrado trabalhadores na ADSE em idades muito mais jovens” e, portanto, com mais probabilidade de virem a ser mães, um cenário que não se punha antes “devido à faixa etária dos beneficiários”, aponta ainda.

ADSE receou que deixasse de haver partos no Algarve

No Algarve, vive-se “uma situação particular de falta de médicos“, diz também, realçando que é um problema “crónico” e que “o custo da valência médica nos hospitais do Algarve é superior ao resto do país, ou algumas zonas, exactamente porque os médicos não se fixam no Algarve e vão de Lisboa ao Algarve praticar os actos médicos“.

“A ADSE foi confrontada com a situação de, de repente, deixar de ter partos no Algarve, de todo. Não podíamos aceitar que os beneficiários da ADSE tivessem que ir a Espanha ter os partos”, sublinha Manuela Faria.

“Perante a apresentação de custos que esse prestador do Algarve fez, e verificando a ADSE que os custos eram superiores, fez uma adenda à convenção do Hospital Particular do Algarve em que aumentou o preço dos partos. Foi exactamente quando isso aconteceu que se levantaram as reclamações dos outros prestadores”, revela a presidente da ADSE.

Manuela Faria assegura que a ADSE “já tinha adendas” semelhantes “com alguns prestadores”, mas frisa que esta situação, no Algarve, foi um “caso de excepção”.

“A maioria das adendas que a ADSE tem são ao contrário: prestadores que se comprometem a realizarem determinados actos a preços mais vantajosos“, nota.

Agora, em consequência da revolta dos prestadores, a ADSE vai fazer uma análise global e os preços dos partos vão “mexer no resto do país”, como destaca Manuela Faria.

Críticas à “campanha agressiva” dos prestadores

Na entrevista ao Dinheiro Vivo, a presidente da ADSE nota ainda que, no âmbito das negociações das novas tabelas, ficou “surpreendida” porque, “para exactamente o mesmo procedimento, havia contributos completamente díspares relativamente a preços”.

“A ADSE podia ter feito o mais simples: fixar o preço na sugestão mais baixa. Não. Quisemos perceber. Fizemos os nossos cálculos com grande seriedade. Fizemos médias e medianas de tudo o que tínhamos facturado, e em consciência afixámos aquilo que entendemos que é o preço justo”, aponta ainda.

Quanto às queixas que surgiram da parte dos prestadores, são motivadas pelo facto de as tabelas da ADSE não serem “revistas há muitos anos”, considera Manuela Faria.

A presidente da ADSE deixa ainda uma “bicada” aos fornecedores dos serviços médicos, realçando que “foi surpresa a campanha um pouco agressiva, ou assertiva, da parte principalmente dos grandes prestadores, e a intenção de desassociarem alguns códigos em que não encontramos motivo para tal”. “Alguns até tinham sofrido aumento substancial, e outros não tinham sido mexidos”, assegura.

Além disso, Manuela Faria também critica o facto de os prestadores terem anunciado que pretendiam aplicar a tabela especial de preços que remete para o regime livre.

“Começámos a verificar uma campanha muito exaustiva junto dos beneficiários da ADSE para aderirem a essa tabela, com uma visibilidade que não tinha existido até agora e em grande prejuízo dos beneficiários“, conclui.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. E todos aqueles que recorrem ao SNS, mas não têm ADSE, porque é que têm um tratamento diferenciado???? Ainda inferior aos que têm ADSE!

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