Tabelas da ADSE entraram em vigor (e já estão a causar polémica)

As novas tabelas da ADSE, que definem os preços e regras do regime convencionado, entraram em vigor esta quarta-feira — e já estão a causar polémica.

A atualização das tabelas da ADSE foram conhecidas na noite de terça-feira e entraram em vigor logo no dia seguinte. Mas as muitas alterações da comparticipação nas consultas e outros procedimentos estão a suscitar dúvidas entre os envolvidos.

Se há quem garanta que os novos valores vão melhorar a situação dos cerca de 1,2 milhões de beneficiários, há quem avise para a possibilidade de estes serem prejudicados, avança o jornal Público.

Uma das alterações que serão sentidas pelos beneficiários é o valor que terão de pagar pelas consultas de medicina geral e a grande maioria das consultas de especialidade, que sobe de 3,99 para cinco euros.

Além disso, foram estabelecidos valores máximos para algumas cirurgias, medicamentos e próteses, e as consultas de nutrição continuam a não fazer parte.

Uma das críticas mais ouvidas está relacionada com o facto de a entrada em vigor das novas tabelas ter sido anunciada pela ADSE apenas no dia anterior, o que um dos membros classificava como “lamentável”.

Também o presidente da Associação de Hospitalização Privada (AHP), Óscar Gaspar, se mostrou “muito crítico” pelo facto de as tabelas só serem conhecidas “cerca de três horas antes de entrarem em vigor”.

“Atualizamos preços de consultas, que não eram revistos há muitos anos, incluímos atos médicos que não estavam na lista, e não é verdade que reduzimos os honorários dos médicos. O que fizemos foi, com base no histórico, fixar preços máximos para alguns pontos dos procedimentos cirúrgicos, nomeadamente no que diz respeito aos consumíveis, porque tínhamos alguns locais a cobrar 50 cêntimos por um comprimido de paracetamol e outros a cobrar 3 ou 4 euros. Os prestadores gostavam de ter esta liberdade de preços, mas não aguentávamos isto em termos de sustentabilidade”, disse o economista Eugénio Rosa, representante dos beneficiários no conselho diretivo da ADSE, em declarações ao Público.

“A tabela introduz alterações muito significativas em relação ao que nos tinha sido dado a conhecer há um mês. Dá ideia que houve mexidas de última hora, matérias que só podem ser erro”, disse ainda Óscar Gaspar.

Numa primeira reação às alterações, o Grupo Luz Saúde já fez saber que, apesar de “manter a convenção na generalidade”, vai retirar da mesma alguns serviços (nalguns casos, não em todos os hospitais), por ter concluído que as novas tabelas da ADSE “não valoriza[m] de forma adequada os custos inerentes aos standards clínicos” da empresa, “nem o trabalho dos profissionais de saúde”.

Por fim, também a Ordem dos Médicos demonstrou preocupação por temer que as novas tabelas possam vir a ter “impacto negativo no acesso a cuidados de saúde por parte dos beneficiários da ADSE e também na qualidade dos mesmos”.

  ZAP //

 

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10 COMENTÁRIOS

  1. Sendo a ADSE comparticipada nos custos, única e exclusivamente pelos descontos dos seus “beneficiários” que constituem as receitas, era importante que a ADSE fizesse publicar a conta de demonstração de resultados, dos 2 últimos anos, bem como dos respetivos balanços. Igualmente é importante que seja explicitado o valor das contribuições dos reformados e o seu valor médio.

    • O governo nunca fará nenhuma demonstração de resultados porque isso obrigá-lo-ia a dizer para onde desvia uma parte substancial das contribuições dos beneficiários. É uma vergonha o aproveitamento que os sucessivos governos fazem dos dinheiros da ADSE. A Dra Manuela Ferreira Leite explicou isso muito bem quando o Passos Coelhos aumentou a contribuição para 3,5%. Chamou-lhe um roubo. A ADSE sempre foi bastante lucrativa, hoje é um pouco menos, mas é.

  2. Ser beneficiário da ADSE é ser roubado. Passos Coelho desviou milhões da receita da ADSE para tapar um buraco na Madeira. Ser beneficiário da ADSE é estar a ser prejudicado todos os dias…

    • Eu gostava de ter a oportunidade de também ser roubado assim… 5€ por consulta de especialidade fora do SNS, óculos, próteses, exames e medicamentos… descontaria para a ADSE com muito gosto, se me fosse dada essa possibilidade

      • A não ser que tenha filhos, não lhe compensa. o que os beneficiários descontam mensalmente é mais do que custa a maioria dos seguros de saúde. Com filhos, compensa, claro! Se tivesse ido para a função pública poderia ter acesso!
        Para além disso, quando tenta marcar uma consulta de especialidade e diz que é da ADSE, o prazo multiplica por 2 pelo menos…Já testei!

        • Deve estar a falar de planos de saúde, que são uma treta. Um seguro de saúde como deve ser não custa o que eu desconto para a ADSE mensalmente e eu já trabalhei numa seguradora por isso sei do que falo. Mas que a ADSE já foi muuuuuito melhor isso também é verdade.

      • Então eu explico porque é que sou roubado, no país em que roubar o Estado é o desporto nacional : enquanto milhões de portugueses nada (ou pouco ) pagam para ter acesso à saúde (porque são pobrezinhos, coitados, fartos de fugir aos impostos e pouco pagam de IRS, e depois são 4 milhões que não pagam taxas moderadoras e tudo à borla no SNS..) eu pago (e bem) para ter acesso à saúde: desconto um balúrdio para a ADSE (o Estado não mete um centavo…); desconto (e bem) para o SNS (através do IRS) e quando vou às urgências tenho de pagar taxa moderadora. Ou seja, pago três vezes , quando milhões de portugueses pouco ou nada pagam. Percebeu? As raras vezes que precisei da ADSE, eu contou-lhe como foi: parti um dente e tive de colocar um pivot que me custou 1500 Euros, sabe o que recebi da ADSE? ZERO, repito ZERO.

      • Antes de tecer este tipo de comentário informe-se bem. A ADSE é SNS onde se paga/desconta 3,5% do vencimento bruto. E estes beneficiários também pagam o outro SNS quando pagam os impostos. Pagam mais pela comparticipação nos exames, pagam o mesmo pelos medicamentos, não paga próteses e dá um pouco mais de 100€ por uns óculos receitados pela oftalmologia. Pense bem quando lhe for possível inscrever-se. Estou inteiramente de acordo que a ADSE devia ser acessível a quem quisesse.

  3. Caso pretendam uma ajudinha, eu quero ser beneficiário da ADSE. Não me importo nada de pagar os 3.5%.
    Os resultados não são publicados para não se saber quanto é que os “não funcionários do estado” têm de injectar para garantir a saúde dos funcionários públicos. Atenção que nada me move contra os FP (antes pelo contrario)

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