Abstenção nas Presidenciais tem ultrapassado os 50%. Este ano pode ser recorde

Nos últimos atos eleitorais, a abstenção nas presidenciais tem sido elevada. Depois de ter atingido um pico em 2011, manteve-se acima dos 50% em 2016, últimas presidenciais, que resultaram na eleição de Marcelo Rebelo de Sousa. Este ano, tudo aponta para que os números da abstenção continuem elevados.

As presidenciais deste ano, serão as décimas eleições para a Presidência da República em democracia. Há sete candidatos na corrida para Belém, entre os quais se inclui o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, que se candidata para a renovação do mandato. Na disputa estão também Ana Gomes, André Ventura, João Ferreira, Marisa Matias, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva.

As eleições presidenciais de 2020 vão realizar-se em plena pandemia, o que poderá fazer a abstenção disparar.

Os portugueses que ficaram infetados ou entraram em isolamento profilático desde a sexta-feira passada já não podem votar, já que o mecanismo delineado para estes casos participarem no ato eleitoral fechou inscrições no dia 17. Para além disso, o medo do contágio pelo novo coronavírus pode travar algumas pessoas de se deslocarem às mesas de voto.

Ainda assim, este ano registou-se um recorde no voto antecipado. Depois de as regras terem sido alargadas, inscreveram-se para votar mais cedo cerca de 246 mil pessoas. Destes inscritos, acabaram por votar no domingo, dia 17, 197.903 eleitores, o que corresponde a cerca de 80,15%, recorda o ECO.

A evolução da abstenção em Portugal

A participação nas eleições presidenciais atingiu o máximo em 1980, na reeleição de Ramalho Eanes, sendo que apenas 15,61% dos eleitores decidiram não votar.

Nas eleições seguintes a abstenção foi crescendo, mas voltou a cair para os 33,7% em 1996, Jorge Sampaio venceu a corrida a Belém.

Cinco anos depois, em 2001 a abstenção atingiu os 50,29%, ou seja, metade dos eleitores optaram por não se deslocarem às urnas.

Nas eleições seguintes, em 2006, quando Cavaco Silva se tornou Presidente da República, diminuiu de novo, para os 38,5%. No entanto, no sufrágio seguinte, quando o social-democrata foi reeleito, atingiu um pico: 53,48%.

Nas últimas eleições, que elegeram Marcelo Rebelo de Sousa, a abstenção não cresceu, mas manteve-se elevada, com 51,3% dos eleitores sem votar.

Este ano, alguns analistas políticos têm indicado que é possível que a abstenção se situe acima dos 70%. Esta possibilidade é inclusivamente admitida por Marcelo Rebelo de Sousa.

A mais recente sondagem da Aximage para DN/JN/TSF aponta para uma abstenção a rondar os 60%, mas os responsáveis sublinham que é provável que o valor seja mais elevado, nomeadamente pelo contexto de incerteza que se vive na pandemia.

Já numa sondagem realizada pelo ISCTE/ICS para o Expresso e a SIC, 42% dos inquiridos indicaram que não vão votar. No entanto, o valor será mais elevado, até porque, como os responsáveis pela sondagem explicaram, “os abstencionistas têm menor propensão a responder a estudos de opinião”.

Por outro lado, na sondagem Observador/TVI/Pitagórica, os entrevistados que aquando do momento inicial se recusaram a responder à entrevista por não pretenderem votar nesta eleição rondam os 57%.

A juntar ao facto de Portugal estar a passar por uma grave crise pandémica, os especialistas políticos realçam outros fatores que podem afastar os eleitores das mesas de voto.

É o caso do recenseamento automático dos residentes no estrangeiro, que levou a um aumento do número de pessoas nos cadernos eleitorais, um efeito já se sentiu nas eleições legislativas de 2019.

Há ainda a possível condicionante de existir um Presidente que se recandidata, sendo que, tipicamente, as eleições para um segundo mandato têm menos participação. Este facto já foi corroborado em eleições anteriores, por cientistas políticos.

  ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

    • O rufia passivo ganha sempre. Mas será o seu último mandato, portanto, daqui a cinco anos, SIGA, VENTURA, PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA. O Melhor de Todos!!

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