24 vítimas mortais identificadas. Número de feridos sobe para 135

Miguel A. Lopes / Lusa

Pelo menos 30 pessoas morreram no interior dos carros no IC8 durante o incêndio em Pedrógão Grande

Pelo menos 30 pessoas morreram no interior dos carros no IC8 durante o incêndio em Pedrógão Grande

O incêndio que deflagrou este sábado em Pedrógão Grande, causou até ao momento 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR, revelou à Lusa o presidente do INEM. Número de mortos subiu para 63.

Luís Meira indicou que, do total de 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis.

A maior parte dos feridos são ligeiros, tendo 28 necessitado de recorrer ao hospital. Os restantes receberam assistência no local. O último balanço dava conta de 62 feridos.

Entretanto, a imprensa começou a avançar que o número de mortos subiu para 63, depois de um bombeiro que estava hospitalizado não ter resistido.

Segundo Luís Meira, os psicólogos do INEM, apoiados por profissionais da Cruz Vermelha Portuguesa, autarquias e Proteção Civil, realizaram 354 intervenções.

No local encontram-se 32 elementos do INEM, apoiados por dez viaturas.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse hoje que já foram identificadas 24 vítimas mortais, revelando que das identificações feitas até ao momento não há nenhum estrangeiro.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês anunciou em comunicado que um cidadão francês está entre as vítimas mortais.

“É com profunda emoção que soubemos do pesado balanço dos incêndios”, lê-se no comunicado, divulgado no site do ministério.

Um dos nossos compatriotas morreu nesses incêndios. O centro de crise em Paris e a nossa embaixada em Lisboa estão mobilizados para dar todo o apoio necessário aos familiares, a quem manifestamos total solidariedade”, acrescenta o texto, que reitera a disposição de Paris para dar “todo o apoio” a Portugal. O comunicado não identifica a vítima.

Às 14h15 desta segunda-feira, mais de 1.100 operacionais, apoiados por 352 viaturas e dez meios aéreos, combatiam o incêndio que ainda lavra em Pedrógão Grande, segundo dados da Proteção Civil.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, mobilizando um total de cerca de 2.150 operacionais, 654 veículos e 16 meios aéreos.

Marcelo evita “mais frentes” que não o combate ao fogo

O Presidente da República apelou hoje à concentração no combate ao fogo, que ainda lavra na região centro de Portugal, e no apoio às vítimas, sem atender a “mais frentes” como as causas ou meios empregados no terreno.

“Neste momento, há uma prioridade, a do combate ao incêndio, do apoio aos familiares das vítimas, do apoio às vítimas não mortais, naquilo que sofreram e sofrem. Já temos muitas frentes pela frente. Não vamos juntar mais frentes neste momento. Esse tipo de considerações, neste momento, é juntar frentes a um combate que já é difícil. Tudo tem um momento na vida”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava aos jornalistas no centro de comando da Proteção Civil, em Avelar (Ansião, distrito de Leiria), e foi questionado sobre as dúvidas na origem, causas e meios humanos e materiais empregados na zona de Pedrógão Grande no combate ao incêndio.

O que está a ser feito está a sê-lo com critério e organização, mas há a noção de que as próximas horas – esperemos que não muitos mais dias – serão ainda de desafio, combate, luta. Estabilizou, neste momento, o número de vítimas mortais, em termos muito elevados, uma tragédia quase sem precedentes no Portugal democrático”, continuou.

Marcelo Rebelo de Sousa vincou que a “prioridade nacional é a de, em conjunto, enfrentar este desafio, que é o que está a ser feito”.

O Presidente da República e antigo líder do PSD louvou com as declarações do líder da oposição, o social-democrata e ex-primeiro-ministro Passos Coelho, que disse momentos antes que “as pessoas quererão saber, têm o direito a saber, a explicação para que isto tivesse acontecido”, mas “este ainda não é o momento”, após uma reunião com o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

“Começa agora, de forma crescente, uma outra fase, quando a primeira ainda não terminou, que é a de acolhimento e reinserção comunitária”, anteviu o Presidente, prometendo “uma palavra àqueles que sofrem mais e ir “ouvir o que vai no coração das pessoas”. O chefe de Estado deverá deslocar-se aos locais afetados pelos incêndios nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco: Penela, Alvaiázere, Góis e Cernache do Bonjardim (Sertã).

“Naquele momento, naquelas condições, com o que se sabia e até onde se podia chegar, estava a fazer-se o melhor dentro do que era possível. Não era possível ir mais longe. Onde se era possível chegar com aqueles meios tinha-se chegado e estava-se a chegar”, descreveu Rebelo de Sousa sobre as primeiras horas das ocorrências.

O fogo, que deflagrou às 13h43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também em Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

UE admite excluir gastos com catástrofe de cálculo do défice

A Comissão Europeia admitiu hoje a exclusão no cálculo do défice de Portugal das verbas gastas com apoios de emergência, na sequência dos incêndios do fim-de-semana.

“De acordo com as regras da União Europeia, as verbas gastas em resposta a grandes catástrofes naturais podem ser classificadas como ‘one off’“, ou seja, uma medida de exceção irrepetível que não é considerada para calcular o défice, disse a porta-voz para os Assuntos Económicos e Financeiros, Annika Breidthardt.

A porta-voz adiantou que não há, para já, nenhum pedido específico do Governo português nesse sentido.

Ao considerar “irrepetível” a despesa do Estado com ajuda de emergência, permite que esta “possa ser excluída do cálculo do esforço do Estado-membro para o ajustamento estrutural, quando for considerada de acordo e em cumprimento com o pacto de estabilidade e crescimento”, esclareceu.

Atualização (16:39):
O número de vítimas mortais foi atualizado para 63, depois de um bombeiro que estava no hospital não ter resistido aos ferimentos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês anunciou que um cidadão francês está entre as vítimas.

ZAP // Lusa

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