17 de junho: Dois anos depois do “holocausto” que assolou Portugal

Paulo Novais / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, com a presidente da Associação de Vítimas de Pedrógão Grande, Nádia Piazza

O incêndio que deflagrou há dois anos em Pedrógão Grande e que alastrou a concelhos vizinhos provocou a morte de 66 pessoas e 253 feridos, sete dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Esta segunda-feira, dois anos depois dos incêndios que mataram 66 pessoas em Pedrógão Grande, o Presidente da República, o primeiro-ministro, vários membros do Governo e da oposição e autarcas da região de Leiria juntaram-se em Castanheira de Pera para homenagear as vítimas.

“Hoje é o dia que assinalamos um verdadeiro holocausto em Portugal, pela destruição de vidas e bens”, frisou Nádia Piazza, na cerimónia de assinatura de um protocolo com a Infraestruturas de Portugal para a construção de um memorial às vítimas da autoria do arquiteto Eduardo Souto Moura.

A presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), que perdeu um filho no incêndio, salientou que “todos precisam de seguir em frente, mas não se segue em frente sem antes enfrentar o passado“, mostrando-se apreensiva sobre o que “foi feito e falta fazer”.

“Mas hoje tenho esperança de que este dia nunca será esquecido para que não volte a acontecer, porque em 2017 vivemos um holocausto”, sublinhou.

“Causas profundas nunca serão resolvidas pelo combate”

“Depois de 2006, muitos acreditaram que estávamos a salvo e as alterações que tinham sido feitas na Proteção Civil e as estatísticas de redução de áreas ardidas significavam que tínhamos virado uma página. Infelizmente, a página não se virou, porque as causas profundas nunca serão resolvidas nos meios de combate”, disse António Costa, na mesma cerimónia.

Segundo o primeiro-ministro, as causas dos incêndios que afetam o país de forma cíclica apenas poderão ser combatidas quando se conseguir “vencer o desafio extraordinário de revitalizar estes territórios de baixa densidade” e se conseguir “concluir a reforma da floresta”.

Por sua vez, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, homenageou “todos os que sucumbiram ao flagelo” dos fogos, no primeiro dia nacional em memória das vítimas dos incêndios florestais, decretado pelo Parlamento.

A escolha de 17 de junho para este dia é justificada por se tratar do “aniversário de um dos mais mortíferos e devastadores incêndios de que há registo”, há precisamente dois anos, e que “ficará para sempre gravado” na memória dos portugueses.

O incêndio de 17 de junho, que deflagrou em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a municípios vizinhos, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, e destruiu cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.

Tribunal decide se há julgamento no processo das responsabilidades

O juiz de instrução do Tribunal de Leiria decide se há julgamento no processo que analisa as responsabilidades do incêndio no final da próxima semana, disse à agência Lusa fonte judicial.

A decisão esteve para ser tomada em meados de maio, mas “alterações não substanciais aos factos”, nomeadamente a queda de um pinheiro na estrada onde morreu a maioria das pessoas, “parando, desviando ao sentido contrário, ou, pelo menos, dificultando a marcha de quem passasse”, obrigou o tribunal a dar um prazo para a defesa dos arguidos António Ugo Berardinelli, José Revés e Rogério Mota se pronunciasse.

Segundo fonte judicial, após o debate instrutório, o juiz irá decidir se haverá julgamento e se todos os 12 arguidos que constam na acusação serão julgados. Será ainda conhecida a decisão de incluir ou não Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande (PS), na acusação, tal como foi solicitado por um dos assistentes.

São arguidos neste processo 13 pessoas, incluindo os presidentes dos municípios de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande em funções à data dos factos: Fernando Lopes, Jorge Abreu e Valdemar Alves (que é arguido mas não consta da acusação), respetivamente. São ainda arguidos, o então vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande e uma então engenheira florestal no município, José Graça e Margarida Gonçalves, respetivamente.

No despacho da magistrada do MP Ana Simões, a que a agência Lusa teve acesso, o então comandante distrital de Operações de Socorro de Leiria, Sérgio Gomes, o segundo comandante distrital, Mário Cerol, e o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, também são arguidos, assim como o subdiretor da área comercial da EDP José Geria, e o subdiretor da área de manutenção do Centro da mesma empresa, Casimiro Pedro. Três arguidos com cargos na Ascendi Pinhal Interior, José Revés, António Berardinelli e Rogério Mota também são acusados.

Estão acusados de dezenas de crimes de homicídio por negligência e de ofensa à integridade física por negligência.

 

ZAP // Lusa

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