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“Votei contra mim mesma”. Joacine isolada atira responsabilidades para direção do Livre

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Manuel de Almeida / Lusa

Joacine Katar Moreira veio este sábado explicar por que razão se absteve, no Parlamento, no voto de condenação apresentado pelo PCP contra as ofensivas israelitas em Gaza.

No comunicado, Joacine Katar Moreira começa “por saudar todas as entidades e todos partidos que apoiam a causa palestiniana” e pedir “desculpa a todas as pessoas palestinianas e todas as outras que se sentiram lesadas e defraudadas” com a abstenção de sexta-feira.

Em comunicado publicado nas redes socais, citado pelo Diário de Notícias, a deputada do Livre assume “toda a responsabilidade” do voto, afirmando que o fez contra o que acredita. “Assumo total responsabilidade pelo voto e devo dizer que, apesar de a abstenção não constituir um voto a favor ou um voto contra, não representou aquilo que tem sido desde sempre a minha posição pública sobre esta temática. Votei contra a direção de mim mesma”, escreve Joacine Katar Moreira em comunicado, passando a atirar para a direção do partido responsabilidades no caso.

Segundo a deputada, a abstenção no voto de condenação pela “nova agressão israelita a Gaza não se deveu a uma falta de consciência ou descaso desta grave situação, mas à dificuldade de comunicação” entre a própria e a atual direção do Livre, da qual é “parte integrante”. “Foram três dias de contacto infrutífero para saber dos posicionamentos da direção relativos ao sentido de voto das propostas que nos chegaram, onde esta constava”, afirma.

Abaixo, o comunicado.

Publicado por Joacine Katar Moreira em Sábado, 23 de novembro de 2019

Em declarações à Lusa, Pedro Nunes Rodrigues, membro do Grupo de Contacto do Livre, a direção do partido, reagiu ao comunicado da deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, que garantiu que a abstenção no voto sobre a Palestina não se deveu a “um descaso desta grave situação”, mas “à dificuldade de comunicação” com a direção, mostrando-se surpreendida com a posição do partido.

Segundo este membro do Grupo de Contacto, como “não foi pedido nenhum acompanhamento específico” para o voto de condenação proposto pelo PCP sobre a “nova agressão israelita a Gaza”, o órgão executivo do partido não o deu, apesar de ter recebido “por três vezes o guião de votações”.

“Por exemplo, houve um voto sobre a Amazónia, apresentado pelo PAN, ao qual o gabinete pediu apoio, nós enviamos ao gabinete a nossa posição, a posição que achávamos ser a mais correta e, portanto, nesse caso nós respondemos ao pedido específico”, comparou.

Rui Tavares, fundador do Livre e cabeça de lista por Lisboa em 2015, lembrou, citado pelo jornal Público, que esta questão “é muito cara ao património” do Livre e que nessas eleições, em que Joacine também foi candidata, o reconhecimento do Estado da Palestina foi até apresentado como condição para dialogar com um futuro governo PS.

Na RTP3, Tavares classificou este incidente com a agora deputada uma “singularidade”, acrescentando que “não colhe o argumento” de que não conseguiu falar com a direcção antes da votação. “A direcção do Livre é colegial e tem 15 pessoas”, lembrou Tavares.

Em declarações ao Observador, Joacine disse que há outra versão e que “mesmo antes da campanha eleitoral” a “falta de apoio” já era notória. “Fui eu que ganhei as eleições, sozinha,e a direção quer ensinar-me a ser política”, afirmou a deputada, esclarecendo que o apoio que teve ao longo da campanha só chegou “de quem não era do partido”.

Por outro lado, a deputada do Livre reconhece que tem “interesse” em manter uma boa relação com a direção do partido, “quer ao nível da relação institucional, quer ao nível da responsabilização”, mas tal não só não acontece neste momento, como “nunca aconteceu”.

O Livre manifestou este sábado preocupação com a abstenção da deputada única na condenação pela “nova agressão israelita a Gaza”, aprovado na sexta-feira no parlamento, um voto “em contrassenso” com o programa e as posições do partido, de acordo com o comunicado do Grupo de Contacto, a direção do partido.

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  ZAP // Lusa

4 Comments

  1. Atitude narcisista: culpar publicamente a direcção do partido, em vez de resolver os problemas em casa.
    Ainda por cima acha que a eleição dela apenas se deveu a ela mesmo. A sério? Boa parte das pessoas que votaram no Livre apenas o fizeram devido ao programa eleitoral e à personalidade do Rui Tavares, muito diferente da Joacine, que lhe falta humildade e parece mesmo que ela tenta aproveitar-se do problema da gaguês para ter notoriedade.

  2. Acredito que o Livre tenha noção de que a deputada Joacine não é boa para o partido (visto que não passa bem as ideias do partido e nem sequer as defende, como se viu neste caso) e que até gostaria de a substituir. Depois desta afirmação de que não foi o Livre que ganhou um lugar no parlamento mas ela mesma, até tem um motivo válido para a substituição. O problema é que, se isso acontecer, a deputada Joacine vai fazer o seu número de vitimização, desta vez em relação ao próprio partido. Um problema de difícil resolução.

  3. Só veio comprovar a completa nulidade que é!…
    f
    Felizmente isto aconteceu relativamente cedo e depois disto já não há a mínima desculpa para alguém levar esta deputada a sério!!

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