Ventura “pega-se” com PS e BE na primeira vez que tem pedidos de esclarecimento

Mário Cruz / Lusa

O deputado do Chega, André Ventura

O deputado único do Chega gastou hoje as declarações políticas a que tinha direito nesta sessão legislativa, e contou pela primeira vez com pedidos de esclarecimento, tendo-se envolvido numa troca de palavras com PS e BE.

De acordo com a versão atual do Regimento da Assembleia da República, os deputados únicos têm direito a fazer três declarações políticas por sessão legislativa, mas na nova versão (que poderá ser aprovada ainda este mês) esse número aumenta para cinco. Ou seja, nesta sessão legislativa, Ventura ainda poderá fazer mais duas declarações políticas.

Ao contrário do que aconteceu nas duas últimas vezes que interveio neste formato de discussão plenária, hoje André Ventura contou com quatro pedidos de esclarecimento de outras bancadas.

Na sua intervenção, o deputado de extrema-direita começou por fazer uma referência ao facto de o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o ter advertido por usar várias vezes as expressões “vergonha” e “vergonhoso”, apontando que estes são “tempos em que a liberdade de expressão é colocada em causa”, seja com “palavras proibidas” ou através da invocação do regimento.

Depois, o deputado elencou uma série de aspetos que considerou serem “um escândalo”, apontando que os socialistas dizem “com desplante que estão na luta contra a corrupção” quando existe um ex-primeiro-ministro socialista suspeito de ter praticado crimes desta natureza.

Depois de criticar o Orçamento do Estado, Ventura acusou também a esquerda de ter “sempre a mesma desculpa” e usar “o mesmo nome” para quando algo corre mal, porque alegam que o problema está relacionado com o último governo PSD/CDS, liderado por Pedro Passos Coelho.

No seu pedido de esclarecimento, o deputado do PS Pedro Delgado Alves advogou que “é uma obrigação de todos respeitar a dignidade da Assembleia e dos deputados”, alegando que “quando alguém não o faz deve ser, de facto, objeto de uma advertência”, tendo sido isso que aconteceu a Ventura na semana passada.

Por isso, defendeu que as sessões plenárias devem acontecer “sem exagero, sem simplificação, sem falta de rigor, e com os temas colocados como eles devem ser”.

Comentando depois a referência ao antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o deputado socialista convidou o parlamentar do Chega a recordar “onde militava” durante o tempo em que esse governo levou a cabo os cortes que criticou, uma vez que Ventura foi dirigente do PSD, tendo sido eleito vereador na Câmara de Loures pelo PSD.

“Eu nunca escondi onde militava, nem o partido a que pertenci”, respondeu Ventura.

Utilizando a mesma expressão que o deputado do Chega, o líder parlamentar do BE elencou aspetos que apelou de “uma vergonha na democracia” e pediu um esclarecimento por parte de André Ventura.

“Quando nós aqui acabámos com o regime de pensões vitalícias que, de facto, eram uma vergonha para o regime democrático, eu queria que em explicasse porque é que o seu porta-voz nacional, um dos beneficiários deste regime de pensão vitalícia, Sousa Lara, foi por essa alteração legal que deixou de receber porque, por ele, continuaria a receber. Considera que isto é uma vergonha senhor deputado?”, atirou Pedro Filipe Soares.

O bloquista questionou também Ventura sobre o facto de um candidato às europeias ser “arguido por ter alegadamente montado um esquema para sacar dinheiro ao Estado” e ainda sobre o facto de a Polícia Judiciária lhe ter batido “à porta para lhe fazer perguntas no âmbito do caso ‘Tutti Frutti’ para perguntar se o senhor deputado estava ou não envolvido na contratação de um assessor fantasma para, alegadamente, desviar dinheiro público para um saco azul partidário, levando a cabo aquilo que pior existe nas práticas partidárias nacionais”.

Na réplica, o deputado do Chega não respondeu diretamente à questão sobre Sousa Lara, mas assinalou que levou a cabo uma campanha para apelar a desistências no recebimento de subvenções vitalícias.

“Eu também lhe podia falar, se quiser, de muitas coisas, do caso Robles, de muitos outros que os senhores, se calhar, não querem falar […]. Quando quiser falar de Polícia Judiciária, de tribunais, lembre-se sempre deste nome, durma com ele, Robles, durma com ele”, desafiou.

A deputada Cecília Meireles, do CDS-PP, pediu serenidade porque o momento estava a ser “agitado e não deveria ser”, e pediu ao deputado do Chega que apresentasse soluções para as questões que apontou, advogando que os deputados não são “eleitos apenas para protestar”, mas para ajudar a resolver problemas.

“Mostramos respeito aos portugueses quando mostramos respeito uns aos outros”, alegou a líder da bancada centrista, notando que os cidadãos – muitas vezes invocados por André Ventura – também devem estar “cansados” de assistir a incidentes no parlamento.

// Lusa

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17 COMENTÁRIOS

    • Comedia é andar 45 anos e pagar impostos e não melhorar a vida a troco dessa pesada carga fiscaol….comédia é ter a função pública a trabalhar 35 horas semanais e os trabalhadores no privado a trabalharem 40 ou mais horas…comédia é o Estado pagar o mesmo salário e não diferenciar quem produz e quem é mandrião….isto sim é uma grande comédia!

  1. Sr. Mário Cruz, desde quando é que o partido Chega é da extrema-direita? Não sabe se assim fosse, pela constituição, tal partido não seria permitido existir? Poderá afirmar que o Chega se senta na extrema-direita do hemiciclo mas politicamente/ideologicamente tal já não será verdade. Por favor seja mais rigoroso na informação que divulga ao exercer a sua profissão cada vez mais imprescindível. Aproveito para deixar alguns conceitos de base para que possa começar a pesquisar. NAZI são as iniciais em alemão do partido nacional-socialista; na europa Portugal é o único partido com regime socialista; A Europa já reconheceu que em termos humanitários Nazismo = comunismo só por cá é que se continua a priorizar esta ideologia radical de extermínio https://youtu.be/zOUlZMtaTdc; enfim, acho que fico por aqui que já terá muita matéria para se debruçar

  2. Quanto mais corda derem a este sujeito mais ele se aproveita. O melhor é a ignorância pura e simples, como se aquela voz estivesse a falar sozinha.

    • Aquela voz não está a falar sozinha. É o eco de centenas de milhares de vozes de portugueses que todos os dias se indignam com o que fazem os “nossos” governantes e deputados.

      • Sim, muitos deles talvez daqueles “indignados da tasca” que mal sabem/ler escrever e que tem opinião sobre tudo – mas não dizem “nada”!…
        Tipo isto:
        youtube.com/watch?v=Rk7tPodFvTo

        • Mas votam! E deves pensar que os eleitores do PS arrebanhados por essas terreolas do interior para irem aos comícios nas grandes cidades são muito diferentes. Aproveita o novo ano para fazeres um tratamento a essa cabeça que bem precisa!

        • Mas o problema é justamente esse: é que o Ventura dá voz a esses que são escarnecidos por terem opiniões de tasca. Na verdade, até muitos dos iluminados não deveriam votar. Proponho que nesse aspecto se volte aos tempos da monarquia: vota quem paga impostos. Pelo menos é mais democrático. Em alternativa, aplique-se a ideia do Doutor de Finanças Públicas do Vimieiro: nem todos têm competência para votar…

          • Exactamente.
            Nisso concordo com o Salazar: claramente nem todos tem “competência para votar” e, vale tanto o voto de um cidadão esclatecido, como o de um tosco ignorante (que é onde Venturas, Boldonaros, Trumps, etc tem grande apoio) – mas isso é outro problema…

        • “indignados da tasca” que mal sabem/ler escrever ” , pois mas estes encontram-se lá depois de um dia de trabalho e são dos que pagam impostos.
          Já os “indignados da tasca” que mal sabem/ler escrever ” que pululam pela noite e que chulam dos nossos impostos votam nos populistas de extrema esquerda. Em democracia todos têm o mesmo direito meu caro.

  3. A deputada do CDS, ao contrário do que pretende demonstrar o ZAP, não se crispou com Ventura, crispou-se com o deputado do BE a quem atirou que devia respeitar os Portugueses, respeitando os deputados por eles eleitos e que, ali, todos devem beneficiar dos mesmos direitos.
    Mais uma vez ZAP, se usam a referência extrema direita, ou ultra direita para classificar o, devem usar extrema esquerda e esquerda radical para classificar BE, Verdes, PCP e Livre. Sejam objetivos e livrem-se do preconceito de esquerda. Os leitores agradecem, ou eventualmente desistem.

  4. Quero aqui testemunhar que a Cristina Ferreira é uma pessoa muito humana e muito trabalhadora.

    Cataplana de Peixe à António Costa:
    Ingredientes:
    Batatas; Cebolas; Tomates; Pimento; Louro; Alho;
    1 dl vinho branco
    Azeite, sal, pimenta
    Peixes: raia, cação e tamboril
    Preparação
    Coloque no fundo da cataplana azeite e de seguida, e por camadas, a cebola a cebola, alho, batata, pimento e tomate – tudo cortado em rodelas. Tempere a gosto.
    Junte o vinho, o ouro e os restantes temperos.
    Feche a cataplana e coloque em lume brando. Deixe cozinhar até as batatas começarem a ficar cozidas.
    Nessa altura, coloque o peixe por cima.
    Retire quando verificar que o peixe está cozinhado.
    Bom Apetite! 🙂

  5. Feios, porcos e maus, é a serena analise que faço, pois antes destas abriladas contentes viviamos no cinzentismo de uma ditadura, fomos salvos por iluminados esquerdolas que prometeram hidromel e tudo de bom para o povo, porem, todos começaram a roubar, nem elenco os artistas, não vale a pena, todos nós sabemos, uns ainda vivos, outros ainda bem que já não estão cá, não lhes guardo memória (não o merecem), estejam muitos anos sem nós, mas brada aos céus é uma expressão, pois sou ateu, que as virgens ainda se queixem, pois, toda a caca que têm feito, nestes anos (mais que a peseudo ditadura), ainda tem a cara de pau de virem dizer que valem o que vomitam, costumo dizer pqp, acho que percebem, se não, boa noite

  6. “…Depois, o deputado elencou uma série de aspetos que considerou serem “um escândalo”, apontando que os socialistas dizem “com desplante que estão na luta contra a corrupção” quando existe um ex-primeiro-ministro socialista suspeito de ter praticado crimes desta natureza…..”

    Se duvidas houverem, por aqui se tiram os argumentos e as verdades “inteligentissimas” que este idiota e sua legião de fãs insiste “que tem de ser ditas”

    Palhaço
    Palhaços

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