Professores da Venezuela denunciam salários em atraso e despedimentos. “Vamos morrer à fome”

Rayner Pena / EPA

Dezenas de professores do ensino oficial venezuelano manifestaram-se esta quinta-feira em Caracas para pedir a demissão do ministro de Educação, Aristóbulo Istúriz, a quem responsabilizam pelo não pagamento de subsídios em atrasos e por salários “de miséria”

“Vamos morrer à fome” denunciou Lourdes Villarroel, uma das professoras que marchou para reclamar também que um professor com um doutoramento recebe o mesmo salário que um operário. Durante o protesto, que teve lugar junto da sede administrativa da Zona Educativa de Caracas, os professores usaram uma linguagem bastante violenta contra o ministro e o Governo venezuelano, instando as autoridades a levá-los presos, porque “ninguém” os calará.

Os manifestantes denunciaram que o regime não respeita os contratos de trabalho e que além de não pagar atempadamente os salários, despediu, sem justa causa, mais de 500 professores. “Temos mais de 15 casos de professores que estão de repouso (médico) e não cobram (o salário). Também de professores que foram despedidos por problemas com diretores das escolas e no interior do país estão a cometer as piores atrocidades”, disse a secretária da Federação Venezuelana de Professores aos jornalistas.

Griselda Sánchez acusou o ministro de ser “o único professor que é milionário”, acusando-o de “ladrão e traidor” e reclamou que “há mulheres (professoras) grávidas e (professores) doentes, que não recebem o salário”, nem subsídios. “Isso é um crime. Estás a meter-te com o nosso pão”, frisou.

Entretanto a imprensa venezuelana dá conta de que 2.000 professores de Caracas abandonaram as escolas devido aos baixos salários. Também foi revelado que as escolas públicas venezuelanas cumpriram apenas 70% do calendário correspondente ao período escolar 2018-2019 e que nalguns casos os jovens venezuelanos apenas receberam aulas durante 60 dos 202 dias escolares.

Em relação à participação dos alunos nas aulas, segundo o parlamento venezuelano, rondou os 45%, tendo os alunos sido aprovados para níveis superiores, “sem a preparação nem os conhecimentos dos objetivos do programa”.

Além dos baixos salários, os professores responsabilizam a crise, as falhas elétricas, a falta de gás doméstico, a escassez de transportes, a falta de recursos e de dinheiro, como as principais causas da ausência escolar.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Os Professores aposentados do Brasil estão iguais aos venezuelanos. Não tem aumento, só prestam os professores que continuam trabalhando. Os aposentados podem passar fome. Pouco importa para os governantes. Quanto mais sem educação, mais burros e ignorântes tem no pais facilitaria a roubalheira em Brasília. Ninguém vai entender mesmo.

O planeta extrassolar mais próximo da Terra pode ter companhia

Uma equipa internacional de astrofísicos encontrou evidências da existência de um segundo planeta a orbitar Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. Na prática, o mundo extrassolar mais próximo de nós pode ter companhia. …

Uma estrela ajudou a perceber quando é que a Via Láctea devorou outra galáxia

Recentemente, astrónomos descobriram que uma colisão com uma galáxia satélite encheu a Via Láctea de estrelas. Agora, graças a uma única estrela, já é possível perceber quando é que isso aconteceu. A galáxia satélite Gaia-Enceladus foi, …

Homem pede "julgamento por combate" com espadas japonesas para resolver disputa legal com a ex-mulher

Para resolver uma disputa legal com a sua ex-mulher, David Ostrom sugere que seja feito um "julgamento por combate" com espadas japonesas. Há precedentes legais que o podem favorecer em tribunal. O insólito aconteceu no Iowa, …

Crimes violentos podem aumentar drasticamente nos EUA devido ao aquecimento global

O número de crimes violentos nos Estados Unidos pode aumentar drasticamente nos próximos anos devido ao aquecimento global, concluiu uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade do Colorado, em Boulder. "Dependendo da rapidez …

Twitter pede desculpa por permitir anúncios direcionados a neonazis

O Twitter emitiu esta quinta-feira um pedido de desculpa público depois de a BBC denunciar que a rede social estava a permitir anúncios direcionados a neonazis, islamofóbicos e outros grupos de ódio. A emisorra britânica …

Carlos Silva alega falta de apoio do PS e anuncia saída da liderança da UGT

O secretário-geral da UGT não é candidato a um novo mandato na central sindical, alegando que o “desgaste tem sido tremendo” e que é visto como força de bloqueio. “Não quero continuar”, “já está decidido e …

A maior aeronave do mundo vai ficar ainda maior. Medirá quase 100 metros

A maior aeronave do mundo vai ficar ainda maior: o dirigível híbrido Airlander 10, que media 92 metros de comprimento, vai bater o seu próprio recorde. De acordo com a emissora britânica BBC, a aeronave passará a …

Mortes nos Comandos. Governo só indemniza famílias se for condenado

O Governo deu ordem para parar as negociações com as famílias dos recrutas que morreram durante o 127.º Curso de Comandos, que decorreu na região de Alcochete, em 2016. Segundo o Jornal de Notícias, o Governo …

Eduardo Cabrita diz que polícias compram equipamento "porque querem"

O ministro da Administração Interna afirmou que os agentes policiais que compram equipamento de proteção do seu próprio bolso fazem-no porque o querem. Numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, divulgada este fim-de-semana, o …

Chuva deixa Austrália entre incêndios e cheias. Número de mortos sobe para 29

A chuva trouxe algum alívio aos bombeiros e habitantes do leste da Austrália, mas também causou cheias e novos problemas. As equipas ainda combatem cerca 100 focos de incêndio na região e o número de …