Variante inglesa em “crescimento exponencial”. Em breve, provocará 65% dos casos em Portugal

Guillaume Horcajuelo / EPA

A variante do vírus SARS-Cov-2 detetada no Reino Unido está em “crescimento exponencial” em Portugal, afirmou um investigador do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. A taxa de crescimento semanal poderá atingir os 90%.

De acordo com João Paulo Gomes, especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, daqui a três semanas, 65% dos casos de covid-19 em Portugal vão ser provocados pela variante britânica.

Dentro de três semanas cerca de 65% de todos os casos de covid-19 em Portugal” serão causados pela variante do Reino Unido, estimou João Paulo Gomes numa audição conjunta com outros especialistas em saúde pública na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia e do processo de recuperação económica e social, no parlamento.

Sobre o grau de transmissibilidade desta variante, o coordenador do estudo sobre diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal afirmou que é cerca de 50% mais transmissível.

Se a variante do Reino Unido tinha em dezembro “um peso modesto”, neste momento tem “um peso muito sensível no número de casos de covid-19 em Portugal”, disse, considerando que “funciona como um contrapeso muito considerável às medidas de confinamento”.

Na audição, João Paulo Gomes explicou que “os alertas internacionais [para a variante do Reino Unido] começaram a surgir em meados do mês de dezembro” e que esta terá chegado a Portugal no mesmo mês.

“Esses casos terão sido associados naturalmente com o massivo regresso dos nossos emigrantes a trabalhar no Reino Unido durante o mês de dezembro e também muitos turistas britânicos que vieram passar férias durante o mês de dezembro também a Portugal”, contou.

Portanto, terão ocorrido “imensas introduções” durante o mês de dezembro, disse, lembrando que na primeira quinzena de dezembro os viajantes do Reino Unido não eram obrigados a apresentar um teste negativo, nem tão pouco eram obrigados a ser testados nos aeroportos portugueses.

Variante inglesa já causa 35% a 40% dos casos

À data de hoje, estima-se que entre 35% e 40% dos casos totais de covid-19 em Portugal já sejam causados por esta variante.

Em termos de evolução da sua prevalência, se no início do mês de dezembro as estimativas apontavam que não passaria de um percentual mínimo de 1%, neste momento “está em crescimento exponencial”.

“Estimamos que, neste momento, entre 35 a 40% dos casos de covid-19 em Portugal já sejam provocados pela variante do Reino Unido. Estou a falar em termos de totais nacionais. Em termos de evolução da sua frequência relativa ou prevalência, se no início do mês de dezembro estimávamos que não passaria de 1,5%, neste momento está em crescimento exponencial e estimamos que a taxa de crescimento por semana atinja os 90%”, alertou o especialista.

Sobre o motivo de haver mais casos em Lisboa e Vale do Tejo, disse que por ser talvez a região para os quais há “dados mais robustos, mais consistentes”.

Também questionado sobre a variante do Brasil, o investigador do INSA disse que ainda não foi detetada em Portugal.

“Posso dizer, no entanto, que estamos a fazer rastreios de base mensal em colaboração com um enorme consórcio laboratorial espalhada por todo o país para fazermos umas largas centenas de amostras com uma representação geográfica”, adiantou.

A atenção é nos casos de pessoas que vieram infetadas do Brasil ou que tiveram contacto com casos positivos com historial de viagem relevante, neste caso o Brasil, sendo as amostras correspondentes enviadas para o INSA para serem sujeitas à análise de caracterização genética por sequenciação, avançou.

No que diz respeito à variante da África do Sul, disse que até agora foi identificado apenas um caso, mas as autoridades de saúde têm feito chegar alguns casos suspeitos ao laboratório.

“Agora temos a correr uma sessão de caracterização genética com alguns desses casos e, portanto, em alguns dias poderá ou não haver novidades”, rematou João Paulo Gomes.

Confiança nos serviços de saúde está em queda

Os portugueses confiam cada vez menos na capacidade de resposta dos serviços de saúde face ao agravamento da pandemia de covid-19 no país, revelou esta sexta-feira a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Carla Nunes.

A investigadora detalhou os números mais recentes do barómetro covid-19 do ponto de vista da opinião social e traçou um cenário crítico em termos de confiança dos cidadãos.

“Temos um nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde muito grave. Ao nível de covid temos 58% dos portugueses a responder “pouco ou nada confiante” e 80% em relação à resposta não covid. Estes são valores da última quinzena, de 9 a 22 de janeiro, e são valores muito graves”, afirmou Carla Nunes.

Ao nível da perceção social, a investigadora destacou também que “a perceção do estado de saúde dos portugueses e da sua saúde mental tem piorado” ao longo da pandemia. De acordo com o estudo, os mais jovens são quem mais indica a existência de estados de ansiedade e ainda se regista que “um em cada três acha que não tem probabilidades de ter um caso severo de covid-19”.

Por outro lado, a responsável da ENSP assinalou “a adesão e a confiança cada vez mais fortes” da população em relação às vacinas contra a covid-19, sublinhando que 70% dos inquiridos no estudo dizem que tomam logo a vacina assim que estiver disponível e “somente 16% a dizer que não confia” nas vacinas.

Finalmente, Carla Nunes apontou entre as maiores preocupações a “adoção das medidas”, as “sequelas a longo prazo”, as “desigualdades” e, sobretudo, o plano de recuperação nas áreas de resposta à covid e às outras patologias.

“Tem desde já de ser montado com bastante antecedência, dada a situação em que estamos”, resumiu, vincando a preocupação com o excesso de mortalidade: “Não é um evento binário Covid e não Covid”.

Em Portugal, morreram 11.886 pessoas dos 698.583 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. o governo e UE deveriam apoiar mais laboratorios e profissionais que investigao na criacao de uma solucao para elimincacao do virus….

    se formos a ver europa falhou e governos europeus desvalorizarao a gravidade do virus..

    hoje assiste-se a uma certa desinformcacao para nao alarmar muita gente….

    hoje coisas poderiam estar bocadinho melhor….

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