Vacinação desacelera no Reino Unido. Hungria levanta algumas restrições

Christian Bruna / EPA

No Reino Unido, a média de pessoas vacinadas está em declínio desde meados do mês passado. Na Hungria, começam a ser levantadas algumas restrições.

O Reino Unido registou 20 mortes e 2379 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, anunciou, esta terça-feira, o Governo britânico, que também tem vindo a notar um decréscimo de vacinas administradas.

Embora a prioridade nas segundas doses possa explicar que a média de pessoas vacinadas com a primeira dose esteja em declínio desde meados do mês passado, nos últimos dias a média de pessoas imunizadas com a segunda dose também baixou.



No domingo foram inoculadas 40.744 pessoas com a primeira dose, menos 82% do que há uma semana, e 64.590 com a segunda, menos 76,7% do que no domingo anterior. No total, 31.622.367 pessoas receberam a primeira dose de uma vacina contra o novo coronavírus, das quais 5.496.716 receberam uma segunda dose, a qual é administrada com um intervalo de entre três e 12 semanas.

Esta terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reiterou o apoio à vacina AstraZeneca, a qual foi suspensa em alguns países devido a preocupações de que possa causar coágulos sanguíneos.

“O que as pessoas deveriam fazer é olhar para o que a MHRA diz, o nosso regulador independente. É por isso que os temos, é por isso que eles são independentes. O conselho que eles dão às pessoas é: continuem a ir, receba a sua vacina, receba a segunda vacina”, disse, durante uma visita à fábrica da AstraZeneca em Macclesfield, no norte de Inglaterra.

Segundo Johnson, “claramente” a alta taxa de vacinação no país “está a ter um efeito positivo na trajetória da doença”.

Nos últimos sete dias, entre 31 de março e 5 de abril, houve uma redução de 45,2% no número de mortes e de 35.7% no número de casos com um resultado de teste positivo de Covid-19 em relação aos sete dias anteriores. No total, morreram no Reino Unido 126.882 pessoas entre 4.364.529 casos de contágio confirmados desde o início da pandemia Covid-19.

Na Hungria, um dos países europeus mais afetados pela pandemia nas últimas semanas, foi anunciado que vão começar a ser levantadas, esta quarta-feira, algumas restrições em função dos progressos obtidos na vacinação.

Cerca de 2,5 milhões de pessoas, o que corresponde a quase 25% dos 10,7 milhões de habitantes do país, já receberam pelo menos uma dose de uma das vacinas, destacou o primeiro-ministro, Viktor Orbán, num vídeo publicado no Facebook.

Budapeste autorizou não só as três vacinas aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), mas também a russa Sputnik V e a chinesa Sinopharm, com a qual foi vacinado o próprio governante.

“No último mês aumentámos 2,5 vezes o número de vacinas, pelo que a partir de amanhã [quarta-feira] as lojas podem abrir novamente e os serviços poderão voltar a funcionar”, disse o primeiro-ministro magiar.

As aberturas mencionadas incluem cabeleireiros e salões de estética, mas restaurantes e hotéis ainda ficam excluídos. As escolas também voltarão a abrir a partir de 19 de abril, assim que terminar o processo de vacinação dos docentes, acrescentou Orbán.

Nas últimas semanas, a Hungria registou uma das mais elevadas taxas de mortalidade por covid-19 a nível mundial. Nas últimas 24 horas, morreram 170 pessoas devido ao vírus SARS-CoV-2 naquele país, o que eleva o total de vítimas mortais acima de 22 mil pessoas.

Mais de 12 mil pessoas estão hospitalizadas devido a infeção com o coronavírus, das quais 1.440 encontram-se ligadas a ventiladores.

Biden vai antecipar meta de elegibilidade para vacinação

O Presidente dos EUA anunciou que todos os adultos nos Estados Unidos estarão elegíveis para a vacina contra a covid-19 até 19 de abril, dez dias antes da meta anterior.

Três vacinas estão autorizadas nos Estados Unidos: a da Johnson & Johnson, que requer apenas uma dose por pessoa, e as da Moderna e as da Pfizer/BioNTech, administradas em duas doses.

Os Estados Unidos, que deram um grande impulso à sua campanha de vacinação, estão com mais de três milhões de injeções por dia em média nos últimos sete dias, de acordo com as autoridades.

Mais de 107 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina contra a covid-19 nos Estados Unidos, segundo dados do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC), a principal agência federal de saúde pública do país.

Pelo menos 62 milhões de americanos estão totalmente imunizados, incluindo mais de uma em cada duas pessoas com mais de 65 anos.

Os EUA, onde vários estados já suspenderam várias medidas de restrição no combate à pandemia, ainda observam um aumento no número de novos casos diários, principalmente entre os jovens.

“Os casos estão a aumentar nacionalmente e estamos a observar isso predominantemente em jovens adultos”, disse Rochelle Walensky, diretora do CDC, explicando que estes casos são provocados com “atividades extracurriculares e desportivas”.

Sánchez estima que 70% da população seja vacinada até ao fim de agosto

O primeiro-ministro espanhol antecipou, esta terça-feira, que, tendo em conta um cenário “prudente e conservador”, o ritmo de vacinação vai aumentar de modo a que, no final de agosto, 70% da população, 33 milhões de pessoas, esteja imunizada.

De acordo com os cálculos de Pedro Sánchez revelados em conferência de imprensa, cinco milhões de pessoas vão estar vacinados contra a covid-19 até 3 de maio, 10 milhões na primeira semana de junho e 15 milhões até ao dia 14 desse mês, para atingir 25 milhões de pessoas imunizadas até 19 de julho.

Espanha tem uma população total de cerca de 47 milhões de pessoas e durante o segundo trimestre do ano espera receber 38 milhões de doses da Pfizer, AstraZeneca, Moderna e Janssen, o que é 3,5 vezes mais do que as doses entregues pelas empresas farmacêuticas até março.

Mais, a vacina Curevac deverá ser aprovada em breve, o que, adicionada às anteriores, vai aumentar o número de doses no terceiro trimestre para 48 milhões, tendo o país contratos para receber 87 milhões de doses entre abril e setembro.

Segundo o primeiro-ministro, se houve atrasos e a União Europeia (UE) mantém agora um ritmo de vacinação mais lento do que outros países é por uma única razão que “tem nome e apelido: há uma empresa que não cumpriu os seus compromissos, e que é a AstraZeneca”, acusou.

Sánchez defendeu o sistema centralizado de compras utilizado pela UE no qual a Espanha participou e que permitiu o acesso a uma vasta gama de medicamentos, enquanto outros países optaram por apenas um.

“É importante estar ciente de que, apesar do facto de a AstraZeneca não ter atingido a sua taxa de entregas, a Espanha não se tem sentido tão desfavorecida como outros países, porque tem uma carteira mais rica [diversificadas]”, disse o chefe do Executivo espanhol.

Sánchez vez um apelo no sentido de se “unir forças”, aproveitando o facto de que a Espanha ter capacidade para administrar mais de 3,5 milhões de doses por semana “para vacinar e vacinar e vacinar sem descanso”.

“Estamos no início do fim”, disse o chefe do Governo, que valorizou os esforços de todos os governos regionais do país para implementar o plano de vacinação, o que colocou a Espanha entre os países da UE “com melhor desempenho”.

De acordo com Pedro Sánchez, a campanha de vacinação de massas é “o caminho mais curto” e “mais eficaz” para reativar” economicamente o país.

ZAP ZAP // Lusa

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