Governo garante que grávidas terão resposta no verão. Marcelo quer explicações

Miguel A. Lopes / Lusa

O Ministério da Saúde adianta que “as medidas de gestão de recursos” em estudo pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo “não preveem o encerramento de qualquer maternidade por nenhum período temporal”.

No final da tarde desta quinta-feira, o gabinete de Marta Temido adiantou que o Ministério da Saúde irá assegurar “que as utentes terão garantidas todas as respostas de que necessitam, cabendo à ARSLVT [Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo] informar com a devida antecedência a população sobre as medidas que venham a ser decididas”.

O Ministério da Saúde referiu ainda que a tutela está a acompanhar “o trabalho preparatório que envolve a ARSLVT, o INEM e alguns hospitais da região de Lisboa” e que nenhuma das medidas que está em estudo prevê “o encerramento de qualquer maternidade por nenhum período temporal”.

Ainda assim, o gabinete de Temido confirmou que haverá o fecho rotativo dos serviços de urgência de obstetrícia.

“Os trabalhos em curso versam sobre o encaminhamento de utentes pelo CODU (INEM), prevendo-se que estejam sempre garantidos os serviços de urgência externa de três das quatro maternidades abrangidas e apenas durante o período de verão, mantendo-se as restantes respostas nas quatro unidades sem alterações”.

Isto significa que só a urgência será afetada, todos os outros serviços se mantêm em funcionamento permanente.

Marcelo quer explicações

O Presidente da República disse, também esta quinta-feira, esperar que o eventual fecho rotativo de urgências de obstetrícia em Lisboa seja “devidamente esclarecido e explicado”, para “serenar os espíritos das pessoas”.

À margem de uma visita à Quinta do Mocho, no concelho de Loures, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a notícia avançada pelo jornal Público, segundo a qual as urgências de obstetrícia de quatro dos maiores hospitais de Lisboa vão estar encerradas durante o verão, fechando rotativamente uma de cada vez, devido à falta de especialistas.

Eu espero que seja devidamente esclarecido, explicado, para as pessoas perceberem exatamente como vai ser e para não terem depois as preocupações que vi aparecer”, afirmou. Na perspetiva do chefe de Estado, “essa explicação é muito importante para serenar os espíritos das pessoas numa comunidade tão vasta, numa área tão ampla” como é a de Lisboa.

“Falta haver explicação para se perceber exatamente como é, qual é a amplitude e para ver se aquilo que fica a funcionar tem capacidade para responder às necessidades previsíveis nos meses de Agosto e de Setembro”, apontou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “tem de ser explicado às pessoas porque, aparentemente, é para ser aplicado no mês de agosto e no mês de setembro, e as pessoas têm de perceber”.

“Eu não tenho exatamente a memória, mas penso que já não é nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez, quando se aproxima o verão, se fala na hipótese de fecho de urgências, ou de obstetrícia ou de pediatria, enfim, várias especialidades, por causa problemas de funcionamento ou de falta de recursos humanos”, lembrou.

“Eu próprio fiz um esforço para perceber e percebi que das quatro urgências de Lisboa, fecha uma, ficam só três, durante esse período de dois meses e, portanto, aquela que fecha vai rodando, mas foi como eu percebi, não sei se percebi bem porque as notícias de repente davam a entender que era um fecho generalizado”, admitiu.

É por isso que é preciso “explicar bem às pessoas, porque não é possível fechar as maternidades, isto é, não é possível fechar os nascimentos”. “Os nascimentos ocorrem quando ocorrem e se ocorrem em agosto ou em setembro não é possível dizer olhe, espere um bocadinho que só há disponibilidade para nascimento a partir do final de Setembro”, disse.

Sobre quem é que deve prestar esclarecimentos, Marcelo Rebelo de Sousa pensa que a Administração Regional de Saúde “vai explicar isso ao Parlamento”.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Portanto…. a “garantia” começa hoje certo?

    Assim, o ajudante da geringonça já nao tem (de fazer conta) que se preocupa, está tudo muito bem explicadinho! Até já lhe pode dar uns beijinhos e andar com eles ao colo como tem feito até hoje, defraudando muitos que votaram na sua aparente isençao e imparcialidade.

  2. Vai ter tantas explicações como às exigências de que todos os afectados pelos incêndios teriam de ter casa até ao Natal, só que não se explicou qual seria o Natal e em que século e daí o resultado que está à vista!.

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