Trump e Biden queimam últimos cartuchos. Novo presidente pode não ser conhecido amanhã

Brainstorm Health, Gage Skidmore / Flickr

Joe Biden, Donald Trump

Os dois principais candidatos à Presidência dos EUA viajam hoje, dia final de campanha, para Estados fundamentais para o desfecho da eleição na tentativa de ganhar votos que podem ser decisivos. O resultado deverá ser conhecido dia 3 de novembro, caso não haja atrasos na contagem.

A um dia de ser conhecido o novo Presidente dos EUA, os candidatos Donald Trump e Joe Biden não desistem da corrida à Casa Branca e têm alcançado um ritmo frenético nas suas campanhas.

Depois de ter participado em cinco comícios no domingo (Michigan, Iowa, Carolina do Norte, Geórgia e Florida), o republicano Donald Trump repete a dose e regressa à Carolina do Norte, passando pela Pensilvânia e Wisconsin, dois dos Estados considerados essenciais para garantir a sua reeleição, antes de terminar a campanha no Michigan, com dois comícios.

Grand Rapids, no Michigan, será o local de comício final, o mesmo local escolhido em 2016 para terminar o seu roteiro de campanha, esperando assim manter o resultado de vitória de há quatro anos, que os seus consultores dizem ser fundamental para a reeleição.

Após ter partilhado o palco de comícios com o ex-Presidente Barack Obama, durante o fim de semana, o democrata Joe Biden joga todos os trunfos na Pensilvânia, no dia final de campanha, revelando a importância que está a dar a este Estado para garantir a sua vitória nas presidenciais.

Já no domingo, Biden escolheu a capital desse Estado, Filadélfia, para desferir ataques no seu adversário e tentar mobilizar o eleitorado para uma eleição que as sondagens dizem ser renhida na Pensilvânia e mesmo imprevisível.

Biden deixou os também importantes Estados da Geórgia (que os democratas não ganham desde 1992) e da Carolina do Norte para a candidata a vice, Kamala Harris, para que esta fosse apelar ao voto de minorias relevantes nessa zona do sudeste do país.

Trump a perder terreno

Biden continua à frente de Trump nas sondagens que têm sido apresentadas. No entanto, é sabido que este cenário pode alterar-se devido ao votos do Colégio Eleitoral. Mas quem é que votou no candidato republicando em 2016, que agora está indeciso, ou até mesmo, decidido em votar em Biden?

O défice de Trump nas sondagens parece vir, em parte, de uma erosão de apoio entre dois grandes grupos que contribuíram para a sua vitória há quatro anos (brancos sem estudos superiores e os norte-americanos mais velhos), a par do descontentamento generalizado face à sua gestão da pandemia, que se tornou um tema central desta corrida eleitoral.

Também a resposta de Trump à pandemia tem tido maior impacto negativo junto dos norte-americanos mais velhos, que enfrentam mais riscos em caso de infeção pelo coronavírus. As sondagens apontam um avanço de 4 pontos percentuais a Biden entre os eleitores com mais de 55 anos de idade, um grupo junto do qual Trump venceu com uma margem de 14 pontos percentuais sobre Hillary Clinton há quatro anos.

O candidato democrata também parece estar a conseguir reduzir os níveis de apoio a Trump entre mulheres brancas com cursos superiores, homens que vivem nos subúrbios e eleitores independentes (que não estão registados nem no Partido Democrata nem no Republicano), revela a Renascença.

Biden surge à frente nas intenções de voto entre os independentes com uma margem de 18 pontos percentuais, contra a vantagem de 7 pontos conquistada por Trump há quatro anos entre estes eleitores.

Já no que toca a homens residentes nos subúrbios, Biden mantém uma liderança de 12 pontos percentuais. Em março, quando a pandemia se instalou nos EUA, esse mesmo grupo estava a pender para Trump, que mantinha vantagem de 1 ponto percentual sobre o rival democrata.

Contagem dos votos pode atrasar vitória

Os resultados das eleições presidenciais desta terça-feira podem demorar a ser conhecidos e é possível que sejam contestados, arrastando, em caso extremo, uma decisão até 20 de janeiro, dia em que o novo Presidente tem de tomar posse.

No meio de uma pandemia, com o Presidente a ameaçar contestar os resultados, com dezenas de milhões de pessoas a votar antecipadamente (por correio e presencialmente), e com as sondagens a antever diferenças mínimas de vantagem em alguns Estados nenhum analista arrisca dizer quando se saberá quem vai ser o próximo Presidente dos Estados Unidos.

Há vários meses que o Presidente Donald Trump lança suspeitas sobre a legitimidade do resultado final das eleições, alegando não ter confiança nos votos por correspondência, que este ano foram em muito maior número, por causa, entre outras razões, da pandemia de covid-19.

O candidato republicano tem usado a expressão “fraude eleitoral”, pedindo aos seus apoiantes para estarem “muito atentos” ao processamento das votações e das contagens de votos, admitindo mesmo recorrer aos tribunais para esclarecer eventuais dúvidas.

Perante este cenário, ambas as candidaturas, criaram painéis de juristas para analisar e contrariar queixas que possam surgir no momento de avaliação final das eleições, antecipando um cenário de litígio nos tribunais.

Perante estes expectáveis atrasos, incertezas e indefinições, a ex-candidata democrata Hillary Clinton tem sugerido a Joe Biden para não conceder a derrota (se for caso disso) na noite eleitoral, ao mesmo tempo que o republicano Trump tem avisado de que deverá contestar os resultados se não surgir como primeiro nas contagens finais.

De acordo com o The Guardian, o candidato republicano revelou que irá declarar vitória na terça-feira à noite se parecer que está à frente, mesmo que o resultado do colégio eleitoral ainda dependa de um grande número de votos não contados em estados importantes como é o caso da Pensilvânia. Segundo o jornal britânico, Trump já afirmou que basta ter uma liderança em Ohio, Florida, Carolina do Norte, Texas, Iowa, Arizona e Geórgia.

No entanto, as empresas que controlam as redes sociais Facebook e Twitter já avisaram que, na noite eleitoral, não permitirão a nenhuma das duas candidaturas assumirem uma vitória até que os resultados sejam considerados oficiais ou pelo menos dois meios de comunicação considerados “de referência” o tenham anunciado.

  ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Em 2016 fui dormir convencido que a Clinton ia ganhar a corrida eleitoral. De manhã fui confirmar o resultado e o choque de saber que Trump era o vencedor levou-me aos vómitos e não falo em sentido figurado. Amanhã não vou descolar do écran de televisão, quero ver tudo em tempo real.

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