Tomás Correia pode abandonar liderança do Montepio nos próximos dias

Rodrigo Antunes / Lusa

O atual presidente da Associação Mutualista Montepio Geral Tomás Correia pode estar de saída, nos próximos dias, da mutualista para onde entrou em 2004.

De acordo com o Público, a liderança do banqueiro pode acabar já na reunião do Conselho Geral e de Supervisão da instituição, na próxima terça-feira.

Um possível substituto o gestor Virgílio Lima, quadro do Montepio, que integra o conselho de administração chefiado por Tomás Correia. Outro nome é o de Luís Almeida, também quadro da instituição e da equipa de gestão, onde está ainda Idália Serrão, ex-deputada do PS.

No encontro do órgão que controla a atividade da mutualista serão analisadas não apenas as contas da instituição, que continuam desequilibradas, mas também a crescente tensão em torno da atuação de Tomás Correia, reeleito há três meses.

O futuro de Tomás Correia está nas mãos de Vítor Melícias, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da mutualista e uma personalidade próxima do Presidente da República.

Esta pressão crescente não é alheia a movimentações que se desenrolaram ao mais alto nível desde quarta-feira, com intervenção dos círculos próximos do primeiro-ministro, que não escondem o desconforto com os últimos acontecimentos que atingem Tomás Correia. António Costa tem manifestado incómodo com o ruído que se tem avolumado em torno da maior instituição da economia social.

Neste contexto surge a clarificação exigida pelo Governo à lei que serve para avaliar a idoneidade de Tomás Correia. O presidente do regulador dos seguros, José Almaça, considerou que o novo Código das Associações Mutualistas goza de um período de transição de 12 anos, pelo que não tem poderes para avaliar a idoneidade de Tomás Correia, depois de este ter sido condenado pelo Banco de Portugal.

Os ministérios das Finanças e da Segurança Social clarificaram que o regime transitório não impede que se faça esse exame de idoneidade.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fez saber esta quinta-feira que é preciso clarificar os poderes da ASF nessa matéria.

O Governo vai publicar uma norma interpretativa que, sendo de interpretação autêntica, tem efeitos desde a entrada em vigor do diploma e retira qualquer álibi à ASF para deixar de fazer o que lhe compete, que também é avaliar a idoneidade de quem gera as instituições mutualistas e, no caso concreto, do dr. Tomás Correia”, anunciou António Costa no Parlamento.

Nos bastidores, avança o Público, a renúncia de Tomás Correia à presidência do Grupo Montepio é dada nos seus círculos próximos como iminente e surge num quadro sensível, depois de o Banco de Portugal o ter condenado por infrações graves, na qualidade de presidente da Caixa Económica Montepio Geral.

Caso se venha a confirmar a saída, ocorrerá três meses depois de ter sido eleito, com 41%, para liderar por mais três anos o grupo com o apoio de figuras importantes do Bloco Central e da maçonaria. A oposição que saiu derrotada destas eleições também já se estava a movimentar para acelerar a saída de Tomás Correia, nomeadamente através da intervenção do destacado socialista Vera Jardim.

ZAP //

 

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