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Moedas vai “dar tudo como presidente” e exige que seja respeitada a legitimidade do seu mandato

António Cotrim / Lusa

Carlos Moedas

Posse de Carlos Moedas como novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Carlos Moedas tomou posse, esta segunda-feira, como novo presidente da Câmara de Lisboa, tendo falado dos objetivos para o próximo quadriénio e deixado um elogio ao seu antecessor e alguns avisos à esquerda.

Depois dos cumprimentos aos presentes nesta cerimónia da tomada de posse, na Praça do Município de Lisboa, Carlos Moedas admitiu estar a viver este dia “com emoção”.

“Hoje, assinalamos um passado que tem de ser honrado e respeitado, mas também antecipamos um futuro no qual chegará o dia em que, também nós, passaremos o testemunho”, declarou.

E que testemunho será esse? Segundo o novo presidente da Câmara de Lisboa, as “cidades prósperas fazem-se de três vértices – a comunidade, o espaço e as regras –” e é nisso que se vai focar.

“A comunidade tem de estar acima de tudo e de todos. (…) Lisboa tem de ser uma casa que todos sintam como sua. Os que aqui nasceram e os que para cá vieram. Os que vivem em Lisboa e os que aqui trabalham. Os mais velhos e os mais novos, a cidade tradicional e a cidade global”, enumerou.

De acordo com o novo autarca, “se os políticos confiarem mais e envolverem mais os cidadãos, serão surpreendidos pela capacidade da comunidade em cuidar e preservar o seu espaço comum”.

Moedas relembrou que a primeira marca do seu programa “foi e é o envolvimento das pessoas no processo de decisão da cidade” e que até chegou a ser criticado por “usar a palavra ‘pessoas’ em demasia”.

“A comunidade tem de estar no centro de tudo. As soluções que realmente geram prosperidade têm que vir de baixo para cima e não de cima para baixo. Têm que partir das pessoas, têm que ser sentidas pelas pessoas, têm que servir as pessoas”, reafirmou.

“É esse o sentido que dou à criação de uma Assembleia de Cidadãos que reunirá várias vezes por ano. Lá estarei para ouvir, corrigir, avaliar e melhorar”, garantiu o autarca.

Economia e área social

Sobre as decisões políticas para o quadriénio 2021/2025, e lembrando que, apesar de a pandemia estar no seu fim, “o legado desta crise vai ser longo”, Moedas disse que a primeira obrigação é a de ajudar os lisboetas, os comerciantes locais e as empresas a recuperarem o “mais rapidamente possível”.

“É aqui que entra o novo programa Recuperar+ e outras iniciativas de resposta imediata e sem burocracia, mas também as nossas propostas de redução de impostos, que darão maior liquidez às famílias”, apontou o social-democrata.

“É também nesta lógica que vamos criar uma verdadeira fabrica de empresas, como a Fábrica de Unicórnios ou o Centro Mundial para a Economia do Mar, que trarão a Lisboa uma nova maneira de ligar a inovação à criação de emprego”, disse.

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Na área social, o novo presidente quer assegurar que “nenhuma família fica para trás”, garantindo, tal como prometido durante a campanha autárquica, que vai ser lançado “um plano de acesso à saúde para os lisboetas com mais de 65 anos, que são carenciados e que hoje, em muitos casos, não têm médico de família”.

Moedas disse ainda que vão surgir iniciativas para apoiar as pessoas sem-abrigo e para reforçar a rede de cuidadores informais, assim como novos apoios para as doenças crónicas e irreversíveis.

“Gostava que Lisboa fosse conhecida não só como a cidade das empresas e do turismo, mas como a cidade que cuida, que cuida de quem precisa“, reforçou o social-democrata.

Habitação, mobilidade, segurança e ambiente

Outras das áreas de intervenção são a habitação e urbanismo, áreas em que considera que é “preciso fazer mais e melhor”, não só acelerando a “reconversão urgente do muito património municipal devoluto”, bem como conseguindo “um choque de gestão no licenciamento” e ajudando “os jovens na compra da sua primeira casa”.

“Precisamos de um choque de gestão no licenciamento e tal começa pela transparência. Os lisboetas têm de ser os primeiros a fiscalizar o que estamos a fazer ou a deixar de fazer”, afirmou Moedas, destacando que “a transparência e a redução da burocracia são os melhores remédios contra a corrupção”.

Quanto à mobilidade, uma das suas grandes bandeiras, o social-democrata disse querer “melhorar a rede de transportes públicos”, tornar o “estacionamento mais acessível” e, como seria de esperar, “redesenhar a rede de ciclovias”.

“Queremos aumentar a circulação de bicicletas, mas queremos fazê-lo de uma forma que seja mais segura e equilibrada”, notou.

“O nosso objetivo é que, a cada dia, mais pessoas optem de forma natural pelos transportes coletivos e sustentáveis. E por isso queremos tornar os transportes gratuitos para os mais novos e para os mais idosos”, argumenta.

Relativamente à segurança, o novo presidente considerou que é preciso “um policiamento de proximidade e a valorização das forças de segurança”, mas também “uma redobrada atenção ao sistema de Proteção Civil”, para que a cidade esteja preparada para “fenómenos da natureza e possíveis catástrofes”.

No mesmo discurso, Carlos Moedas anunciou que vai ficar responsável pelo pelouro da transição energética e das alterações climáticas, coisa que, garantiu, fará com “muita honra e com experiência”.

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“Uma cidade verde e sustentável faz-se com as pessoas, mas não impondo essa transição. (…) Vamos trabalhar em rede e em parceria com outras grandes cidades europeias para que Lisboa seja pioneira nesta corrida contra o tempo”, afirmou.

Quanto à cultura, Moedas assegurou que terá um “projeto abrangente, sem tribos nem fações”, anunciando a intenção de ter um teatro em cada freguesia e mostrando a importância de haver espaços descentralizados.

Aviso à esquerda e o elogio a Medina

No discurso, o novo presidente de Lisboa disse ainda estar “sempre disponível para trabalhar com todos os eleitos, todas as forças políticas e todos os funcionários do município” e assinalou que “todos os que tomam posse têm o direito de lutar pelas suas convicções”.

Mas deixou um aviso: “Estou certo de que todos aceitam que os lisboetas atribuíram a uma plataforma mais votos do que a todas as outras, o que tem implicações próprias e claras. Da minha parte, tenho a obrigação de respeitar essa legitimidade de cada um. Mas ao mesmo tempo, tenho o direito de exigir que seja respeitada a legitimidade específica do nosso mandato executivo.”

“Há uma coisa em que tenho provas dadas: Sei fazer compromissos e, por isso, trabalharei de forma incansável para gerar consensos”, declarou, lembrando, porém, que todos vão ter de “ceder um pouco para o bem geral”.

O autarca deixou ainda um elogio ao seu antecessor, o socialista Fernando Medina, devido ao “espírito construtivo” que encontrou nas recentes reuniões, agradecendo por ter feito uma passagem de pasta “tão digna e democrática”.

Moedas deu também uma palavra ao Executivo de António Costa, dizendo estar “confiante na cooperação entre o município e o Governo” para colaborar “em prol de Lisboa e de Portugal”.

“Lisboa terá a sua política própria, a sua ambição própria”, afirmou, dizendo querer também que a cidade “esteja mais presente nos debates europeus e globais, em áreas como a transição energética, a mobilidade sustentável, a ciência e a inovação”. “Seremos locais, municipais, metropolitanos e globais”, declarou.

O novo presidente deixou ainda uma palavra de agradecimento aos funcionários da Câmara, lembrando que têm sido “anos de uma grande exigência para todos”, e esperando poder ouvi-los “nas próximas semanas e meses”, porque as “melhores soluções vêm sempre de baixo para cima e não de cima para baixo”, voltou a afirmar.

“Juntos vamos ser mais exigentes. Serei um presidente que andará sempre na rua a falar com as pessoas, não serei um presidente de gabinete. Serão vocês que estarão nos gabinetes, enquanto eu andarei na rua“, disse.

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Moedas terminou o discurso dizendo que a cerimónia de hoje marca o “fim de um ciclo e o início de outro” e que o faz “com a consciência do fardo que sai dos ombros de uns” e que agora recai sobre os seus.

“Larguei tudo como candidato. Darei tudo como presidente. Vamos ao trabalho, viva Lisboa, viva Portugal!”, disse por fim, tendo sido aplaudido de pé por muitos dos presentes.

  Filipa Mesquita, ZAP //

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