Todos contra Marcelo e quase ninguém pela “bomba atómica”

PSD / Flickr

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa

O primeiro debate entre os 10 candidatos à Presidência da República decorreu nesta segunda-feira de manhã, na Rádio Antena 1, com os temas da dissolução do Governo e do Banif como tópicos mais quentes.

E entre a maioria dos 10 candidatos a Belém, quase todos refutam a possibilidade de demitir o governo no caso de este não cumprir as metas do défice, as promessas eleitorais e os tratados internacionais.

Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato favorito nas sondagens, alinha pelo não recurso à já chamada “bomba atómica” dos poderes presidenciais, justificando que “a Constituição vale mais do que o direito todo”.

E, mesmo face à crise de 2013 na coligação PSD-CDS, o professor diz que “teria tido muita dificuldade em dissolver a Assembleia da República nas circunstâncias em que estávamos”.

“Não basta um conflito político para demitir um Governo”, constata Marisa Matias que diz que demitiria o Governo se este perdesse maioria.

Maria de Belém alinha por esta tendência e realça a importância do Presidente da República para a “estabilidade” governativa, considerando que a dissolução do Parlamento só faria sentido em caso de ingovernabilidade.

Edgar Silva fala mesmo em “obsessão pelo cumprimento das metas do défice” e recusa demitir um governo por causa deste argumento.

Na mesma linha seguem Cândido Ferreira e Sampaio da Nóvoa que, contudo, refere que dissolveria o Parlamento após a crise de 2013.

O mesmo faria Henrique Neto considerando que a dissolução faz sentido se estiver em causa “o futuro dos portugueses”.

Paulo Morais mostra-se favorável à demissão do governo perante um Orçamento inconstitucional.

E apenas Tino de Rans se assume peremptório, garantindo que demitiria o governo no caso de este não cumprir o programa eleitoral.

Jorge Sequeira prefere ir ao mundo do futebol buscar a ideia de que “quando um treinador não tem resultados deve ser demitido”.

O primeiro debate que juntou todos os candidatos às presidenciais de 24 de Janeiro abordou ainda o caso Banif com Tino de Rans, Paulo Morais, Jorge Sequeira, Edgar Silva, Marisa Matias e Henrique Neto a criticarem a solução encontrada e a mostrarem-se contra o Estado assumir os custos das falências bancárias.

Já Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa e Cândido Ferreira se mostraram favoráveis à forma como o Executivo de António Costa interveio no Banif.

No próximo dia 19 de Janeiro haverá novo debate a 10, mas desta feita na televisão.

SV, ZAP

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2 COMENTÁRIOS

  1. Marcelo a incomodar tantos candidatos a nada, entre jardineiros e camareiras alguns destes candidatos ainda poderão ir até Belém ao serviço de Marcelo.

  2. Estrategicamente a posição “todos contra Marcelo” parece-me contraproducente e só vai dar força à sua candidatura. Era importante que cada candidato se empenhasse de forma clara em apresentar as suas ideias para o país no âmbito das competências que a Constituição atribui ao Presidente da República. Doutra forma o efeito será uma desmobilização do eleitorado e um aumento da taxa de abstenção, o que, sinceramente, não augura nada de bom para a democracia, que temos o dever de preservar e cultivar no nosso dia a dia.

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