Terceira mulher acusa juiz Kavanaugh de assistir a “violações de grupo”. Trump admite retirar apoio

number7cloud / Flickr

Mulher protesta contra a nomeação do juiz Brett Kavanaugh para o Supremo Tribunal dos EUA

Uma terceira mulher saiu esta quarta-feira do anonimato para acusar o candidato do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Supremo Tribunal de comportamentos sexuais agressivos na juventude, na véspera da audição do juiz e da primeira acusadora no Senado.

Numa declaração solene divulgada pela sua advogada, Julie Swetnick acusa o juiz no Brett Kavanaugh, de 53 anos, de ter feito parte de um grupo de rapazes que tentavam embebedar e drogar raparigas para abusarem delas no início dos anos 1980.

A funcionária pública afirma igualmente ter sido ela mesma vítima de uma violação coletiva numa festa em que Brett Kavanaugh estava “presente” em 1982.

Julie Swetnick torna-se, assim, a terceira mulher a fazer graves acusações de caráter sexual ao magistrado conservador, que imediatamente condenou aquilo que classificou como um ataque “vindo da quarta dimensão”. “Não a conheço, e isso nunca aconteceu”, garantiu o juiz em comunicado.

Kavanaugh afirmou diversas vezes ter sempre tratado as mulheres com respeito. “Nos últimos dias, houve um frenesim de coisas a surgir, sejam quais forem, pouco importa que sejam arrancadas à pressão ou odiosas, para impedir a minha confirmação”, declarou na sua audição, acrescentando tratar-se de “acusações caluniosas de última hora”.

Não convencidos, os democratas pediram imediatamente a suspensão do processo de confirmação do juiz, exigindo um inquérito da polícia federal (FBI) sobre o conjunto das acusações.

Na sua declaração, Julie Swetnick explica ter participado numa dezena de festas na área de Washington entre 1981 e 1983 onde se encontravam também Brett Kavanaugh e um dos seus amigos, Mark Judge, já referido pela primeira acusadora.

“Várias vezes, nessas festas, vi Mark Judge e Brett Kavanaugh beberem de forma excessiva e terem um comportamento totalmente inapropriado, nomeadamente tornando-se muito agressivos com as raparigas e não aceitando que lhes dissessem “não”, escreveu, acusando-os também de “acariciarem e apalparem raparigas sem o consentimento delas”.

“Brett Kavanaugh e outros tentavam embebedar e desorientar as raparigas ao ponto de estas poderem ser violadas em grupo”, relatou a terceira acusadora, acrescentando: “Tenho a nítida imagem de rapazes em fila à porta de quartos, nessas noites, esperando pela sua vez com a rapariga que estava lá dentro”.

“Em 1982, fui vítima de uma dessas violações coletivas”, admitiu, explicando que não foi capaz de se defender provavelmente por estar sob o efeito de alguma droga e acrescentando que “Mark Judge e Brett Kavanaugh estavam presentes” nessa festa, sem fornecer mais pormenores.

A sua declaração foi transmitida à Comissão Judicial do Senado, encarregada de avaliar os candidatos ao Supremo Tribunal, pelo seu advogado Michael Avenatti, que também é o defensor da atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels, envolvida numa batalha judicial com Donald Trump.

Os advogados da comissão começaram já a analisar a declaração, segundo um porta-voz.

Christine Blasey depõe no Senado esta semana

Este novo testemunho surge na véspera da audição pública no Senado de uma professora universitária de 51 anos, Christine Blasey Ford, que afirma ter sido sexualmente agredida pelo jovem Kavanaugh durante os anos do ensino secundário.

Christine relata que, juntamente com Mark Judge, Brett Cavanaugh a isolou num quarto, a atirou para cima de uma cama e tentou despi-la e que conseguiu fugir devido ao grau de embriaguez de ambos os rapazes. Igualmente acusado de ter exibido o sexo a uma colega da universidade numa festa bem regada a álcool em Yale, o magistrado nega tudo.

Até agora, Kavanaugh beneficiou do apoio incondicional do chefe de Estado e da maioria republicana. Sobre este terceiro caso, Trump já reagiu dizendo que as novas acusações de abuso sexual contra o seu candidato ao Supremo Tribunal são “falsas” e criticou o advogado que as divulgou.

“Avenatti é um advogado de terceira que é bom a fazer falsas acusações, como fez comigo e como está a fazer agora com o juiz Brett Kavanaugh”, escreveu no Twitter.

Trump já admite retirar apoio

Até agora, o Presidente norte-americano mostrou incondicional apoio ao juiz por si nomeado. No entanto, nesta quarta-feira, Trump, admiti retirar o apoio à candidatura Kavanaugh ao Supremo Tribunal se o testemunho da mulher que acusa o juiz de agressão sexual for convincente.

O Presidente norte-americano, que falava durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque, adiantou que, na quinta-feira, irá assistir “com espírito de abertura” ao testemunho da professora universitária de 51 anos, Christine Blasey Ford, no Senado.

“É possível que mude de opinião depois de a ouvir. Se achar que é culpado do que quer que seja poderei, com certeza retirar-lhe o apoio“, respondeu Donald Trump quando questionado por um jornalista sobre se esta era uma opção.

Ainda assim, Donald Trump insistiu que as acusações são falsas e que Kavanaugh é uma das pessoas “de maior qualidade” que já conheceu

O inquilino da Casa Branca prometeu ao seu eleitorado nomear um juiz conservador para o Supremo Tribunal, instituição que se pronuncia sobre as questões mais espinhosas da sociedade, como o porte de armas de fogo, o direito ao aborto ou o casamento homossexual.

A entrada do juiz Kavanaugh deixaria os juízes progressistas em minoria na mais alta instância judicial dos Estados Unidos. Donald Trump queria que o juiz tomasse posse antes das eleições legislativas intercalares de 6 de novembro.

ZAP ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. OK… bem não negando o abuso feito à agora senhora mas é no mínimo estranho, senão vejamos:

    1º “Na sua declaração, Julie Swetnick explica ter participado numa dezena de festas na área de Washington entre 1981 e 1983 onde se encontravam também Brett Kavanaugh e um dos seus amigos, Mark Judge, já referido pela primeira acusadora.”

    2º “Brett Kavanaugh e outros tentavam embebedar e desorientar as raparigas ao ponto de estas poderem ser violadas em grupo”, relatou a terceira acusadora, acrescentando: “Tenho a nítida imagem de rapazes em fila à porta de quartos, nessas noites, esperando pela sua vez com a rapariga que estava lá dentro”.

    3º “Em 1982, fui vítima de uma dessas violações coletivas”, admitiu, explicando que não foi capaz de se defender provavelmente por estar sob o efeito de alguma droga e acrescentando que “Mark Judge e Brett Kavanaugh estavam presentes”

    Resumindo:
    Ela foi a uma dezena de festas entre 1981 e 1983 onde estavam os violadores e foi violada em 1982, ou seja, depois de ser violada continuou a ir a festas onde eles estavam presentes!?
    Ela tinha ” a nítida imagem de rapazes em fila à porta de quartos, nessas noites, esperando pela sua vez com a rapariga que estava lá dentro” e não fez nada para impedir ou pelo menos participar às autoridades e continuou a ir às festas?!? E é agora todo este tempo depois que se sente “abusada”?
    É estranho ela ter sido violada e depois ter continuado a ir a festas, principalmente estando os violadores presentes, e se não foi violada logo mas presenciou essas situações porque não participou às autoridades e porque continuou a ir às festas?!? Há muita incongruência nisto tudo.
    Não estou defendendo violadores ou abusadores nem agressores sexuais, muito pelo contrário merecem ser punidos e muito severamente, agora estas declarações são no mínimo inconsistente e vão contra o bom senso de qualquer ser vivo. Então sente que está em perigo e continua a ir às festas???

    • Bem visto. Segundo estas histórias, deveria haver dezenas, ou mesmo centenas de mulheres violadas, e nem uma queixa ou denúncia houve. Os únicos criminosos de que se tem certeza, após confissão à frente de todo o mundo, são estas mulheres. Não só assistiram aos crimes como aparentemente participaram activamente e premeditadamente nestes eventos, sabendo de antemão do que se tratava. quer antes, quer depois de supostamente terem sido usadas por uma fila de rapazes. É tão culpado o ladrão que entra na loja como o que fica à porta.

  2. A coisa virou moda…
    Até tenho medo de me candidatar a algo… Para alguém hoje em dia ser “descartado” basta alguém vir a publico dizer algo “menos moral” com ou sem provas.

    Basta ver o caso destas senhoras que passados 40 anos fazem as acusações. É caso para pensar… porque só agora e não antes? O acusado já ocupava um cargo de poder…

    Não devemos proteger quem faz atrocidades destas (violações) mas acusar as pessoas passado 30 ou 40 anos parece-me ridículo.
    Se querem acusar que o façam no imediato e não decorrido anos pois agora é palavra contra palavra e se a potencial vitima tem direito a justiça o potencial violador tem direito a defesa. E decorrido este tempo como se defende? dizer que é mentira não basta como se verifica…

    Lembrem-se pois hoje são eles mas amanha podemos ser nós…

  3. Se este Sr. Juiz fosse um trolha da Areosa, esta senhora talvez tivesse vergonha de ter sido violada á 30 ou 40 anos atrás.
    Mais uma vez o Dinheiro está acima de tudo

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