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Com a tensão a escalar entre a Etiópia e o Egito, uma chuva forte no Nilo foi (quase) a gota de água

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Nova anos de negociações e acordos frágeis sobre como partilhar a água do rio Nilo quase que iam pelo cano abaixo na semana passada – tudo por causa de uma chuva forte.

De acordo com a CNN, imagens de satélite divulgadas na terça-feira passada pela empresa norte-americana Maxar Technologies mostraram uma grande poça de água num reservatório atrás da polémica barragem no Nilo Azul, na Etiópia, levando as autoridades do Egito a exigir esclarecimentos urgentes e as do vizinho Sudão a reclamarem que os níveis de água estavam a cair ao longo do rio.

Ao que parece, fortes chuvas fizeram com que o reservatório enchesse. Porém, como a Etiópia disse repetidamente que ia encher a barragem com a água do Nilo com ou sem acordo com as duas nações, as imagens preocuparam as autoridades do Egito e do Sudão.

No mesmo dia, as três nações não conseguiram

Maxar Technologies

Barragem vazia (cima) e barragem cheia (baixo)

chegar a um acordo sobre a forma como o projeto deveria prosseguir, uma vez que a última rodada de negociações terminou.

A Grande Barragem do Renascimento da Etiópia (GERD), um ambicioso projeto hidroelétrico de 4,5 mil milhões de dólares, mostra o objetivo da Etiópia de se tornar um participante regional importante. Uma vez cheia, a barragem deverá produzir seis mil megawatts de eletricidade, duplicando a atual fonte de energia da Etiópia.

O objetivo é fornecer eletricidade a cerca de 60% dos lares etíopes que até agora não têm rede elétrica e faz parte da visão do primeiro-ministro Abiy Ahmed de transformar o país num grande exportador regional de energia.

Sem eletricidade, muitos etíopes dependem das florestas para lenha, enquanto os 40% do país que está conectado à rede sofre cortes de energia disruptivos.

Embora as centrais hidroelétricas não consumam água, o enchimento da nova barragem afetará o fluxo de água a jusante. O reservatório terá eventualmente metade do fluxo anual do rio. Quanto mais lentamente o reservatório for enchido, menor será o impacto no nível do rio. A Etiópia quer fazê-lo em seis anos, mas o Egito sugeriu um cronograma de 12 a 21 anos para que o nível do rio não caia drasticamente.

A barragem pela Etiópia é vista pelo Egito como um desafio à sua reivindicação histórica de domínio sobre o Nilo e a sua forte associação cultural ao rio. Mais de 90% dos 100 milhões de pessoas do país vivem ao longo do Nilo ou no seu vasto delta. O rio, há muito visto como um direito egípcio, fornece a maior parte da sua água e os egípcios temem que a represa a sufoque.

A falta de acordo entre o Egito, Sudão e Etiópia desencadeou um uso crescente da retórica e das ameaças da guerra. O Egito está a ameaçar “consequências” se a Etiópia o fizer sem antes concordar com um tratado para controlar a operação futura da barragem.

  ZAP //

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