Taxa de letalidade é quatro vezes mais baixa que na 1.ª vaga (mas isso pode não ser uma boa notícia)

Já passaram mais de oito meses desde o início da pandemia em Portugal, e agora os médicos e hospitais estão mais bem preparados para combater o novo coronavírus. Esta é uma das razões que pode explicar a descida da taxa de letalidade, mas especialista defende que esta queda é “artificial”.

Apesar do elevado número de mortes diárias, a taxa de letalidade da covid-19 – ou seja o número de mortos em relação ao número de infetados – é agora muito mais baixa do que na primeira vaga da pandemia, mas os especialistas avisam que isso não é sinal de que se possa desvalorizar o vírus ou que este esteja menos agressivo.

O número de mortes por covid-19 tem apresentado valores nunca antes vistos e já matou, desde o início do mês, cerca de 1.620 pessoas. Já o número de infetados disparou a um ritmo ainda mais elevado (133 mil casos diagnosticados).

De acordo com a TSF, se na primeira vaga, entre março e final de maio, a taxa de letalidade rondou os 4,34%, agora, desde o início de setembro, altura em que começou a segunda vaga, fica pelos 1,07%. Isto significa que, em Portugal, a covid-19 está a matar cerca de 1 em cada 100 casos com diagnóstico positivo.

António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, disse em declarações à TSF que os resultados anteriores têm várias causas, mas acredita que a mais importante será “a idade dos doentes, pois na primeira vaga as pessoas com mais de 70 anos eram proporcionalmente muito mais”.

Para além da idade, o médico lembra que atualmente “temos mais experiência e conhecemos muito melhor a doença e temos abordagens terapêuticas mais eficazes com dois fármacos com indicação terapêutico para determinadas fases, nomeadamente o remdesivir e a dexametasona”.

O especialista refere ainda que “é completamente diferente estarmos em março-abril, com um vírus novo, em que andávamos a tentar perceber como se comportava e como os doentes evoluíam. Hoje já sabemos muito mais e conseguimos perceber quais os casos que poderão constituir um maior risco, levando a uma atuação mais eficaz”, refere.

Ainda assim, António Morais sublinha que estas não são razões para baixar a guarda pois a taxa de letalidade pode ser baixa, mas com tantos casos positivos a mortalidade está elevadíssima em termos absolutos. “Os hospitais estão cheios de doentes em cuidados intensivos”, não havendo sinais de que o vírus esteja menos agressivo.

Para além do fator idade e das melhores técnicas hospitalares, Paulo Paixão, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, destaca outro fator que na sua visão será o mais relevante para a descida, drástica, da taxa de letalidade: o aumento, igualmente drástico, dos testes realizados.

O dirigente fala numa descida “artificial” da taxa de letalidade. “Os dados foram alterados tendo em conta que estamos a testar mais e a detetar muito mais infeções assintomáticas do que na primeira vaga”, referiu.

Sublinha ainda que a taxa de letalidade pode levar as pessoas a dizer que “o vírus está menos virulento, mas o dado real, aquele que realmente interessa, é o número de mortos” e não a percentagem de vítimas mortais na comparação com as infeções.

Paixão também concorda que hoje em dia os médicos têm novos e melhores métodos, bem como mais experiência, para tratar os doentes com Covid-19, mas garante que “essa não é a mais importante razão para a diminuição da taxa de letalidade” do novo coronavírus.

Na última semana registaram-se, em média, cerca de 70 vítimas mortais com covid-19, por dia.

ZAP ZAP //

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