Carlos Alexandre testemunha a favor da inocência de Orlando Figueira

José Sena Goulão / Lusa

O juiz Carlos Alexandre

O super-juiz Carlos Alexandre testemunhou, esta terça-feira, a favor do amigo de longa data, o ex-procurador Orlando Figueira, considerando que é uma pessoa honrada e que “não é compatível com o recebimento de contrapartidas”.

O julgamento da Operação Fizz contou, esta terça-feira, com aquele que era um dos depoimentos mais aguardados sobre a alegada corrupção entre Orlando Figueira, ex-procurador do DCIAP, e o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente.

Carlos Alexandre, também conhecido como “super-juiz”, foi ao Campus da Justiça, em Lisboa, testemunhar na qualidade de amigo do ex-procurador e, segundo o Público, o seu depoimento pode “deitar por terra” a tese sustentada pela acusação.

O juiz, que tem assumido alguns dos processos mais mediáticos em Portugal, como o caso Sócrates, apresentou factos que parecem desmentir as suspeitas que o Ministério Público fez recair sobre Orlando Figueira e os restantes arguidos.

De acordo com o jornal, Carlos Alexandre descreveu o ex-procurador, que conhece há mais de duas décadas, como uma pessoa confiável, honrada e crédula. E “não digo isto por ser amigo dele”, repetiu várias vezes durante o depoimento.

“Esta pessoa não é compatível com o recebimento de contrapartidas” pagas em luvas. “Se isto das contrapartidas se vier a provar, Orlando Figueira não é a pessoa que conheço há 27 anos. E se não o fosse acho que eu saberia – e seria pessoa para o dizer”, sublinhou ainda.

Em causa está o facto de o procurador, em 2012, ter deixado o MP para ir trabalhar para o banco BCP, com capital acionista angolano, e para o Banco Privado Atlântico. Para os investigadores que agora o investigam, os empregos eram fictícios, servindo apenas de alibi para o pagamento de luvas em troca do arquivamento da investigação a Manuel Vicente. Ao todo, o arguido recebeu 760 mil euros pelos favores que prestou.

No entanto, o ex-procurador garante que quem lhe conseguiu o emprego no BPA não foi o ex-vice angolano e, na altura, presidente da Sonangol, mas sim o banqueiro Carlos Silva, a quem nunca arquivou nenhum processo nem é arguido na investigação.

Segundo o diário, Orlando Figueira visitava a casa do super-juiz e chegava mesmo a fazer-lhe algumas confidências. Porém, assegurou Carlos Alexandre, nunca mencionou Manuel Vicente e falava sim do banqueiro angolano, que estava a demorar a concretizar as promessas de trabalho em causa.

Embora não estivesse nos seus planos ficar no BCP, o ex-procurador foi ficando no cargo e, em 2015, conta-lhe que vai rescindir o contrato de trabalho e que isso seria feito através do advogado Daniel Proença de Carvalho, com quem se encontrou mais de uma vez para esse fim, explica o amigo.

De acordo com o Público, só houve uma vez em que o super-juiz vacilou, nomeadamente, quando o questionaram sobre o facto de o ex-procurador receber os salários pagos pelos angolanos numa conta offshore em Andorra, coisa que só ficou a saber quando as suspeitas da Operação Fizz se tornaram públicas. “Fiquei estupefacto”, admitiu.

Além de Orlando Figueira, estão em julgamento o advogado Paulo Blanco (mandatário do Estado angolano em diversos processos judicias) e Armindo Pires, amigo de longa data e homem de confiança do ex-vice angolano em Portugal.

ZAP ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Mas não foi este Juíz que disse na televisão que não tinha amigos que lhe emprestassem dinheiro?
    Depois verificou-se que afinal até tinha. E quem era? Este amigo que agora está a ser julgado e a quem ele serve de testemunha por ser amigo de longa data…….ou por ser o amigo que lhe “emprestava” os €€€€€€?

  2. É um juiz português. E como tal não deixa de ter rabos de palha como os outros. De resto, se bem se lembram da entrevista que deu à SIC, o sr. Alexandre disse que nunca tinha pedido nada a ninguém, mais tarde confirma-se que afinal tinha pedido ao Orlando. Uma mão lava a outra, mais nada!

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